As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Ajudar uma organização espírita?



https://youtu.be/YaIqartB_Sc

(Esta é a resposta ao e-mail de um amigo solicitando meu auxílio em comunicação visando aumentar a arrecadação de uma organização beneficente espírita que atende pessoas carentes. Foi com o coração na mão que respondi.)

Sei que é uma causa nobre, sei que o trabalho que fazem é espetacular, mas... como é aquela frase que se usa para não prestar serviço militar? Motivo de consciência? Pois é, tenho alguns senões quando o assunto é colaborar com entidades religiosas e até mesmo prestar serviços para elas (perco bons contratos por causa disso). Refiro-me ao caráter religioso-espírita da entidade.

O que vou escrever não é sobre os espíritas (pessoas), mas sobre o espiritismo (religião e doutrina). Antes de minha conversão estive envolvido com isso e hoje, por crer na Bíblia como a Palavra de Deus, tenho bem claro o que Deus diz a respeito:

"Entre ti não se achará quem ... consulte a um espírito adivinhador ... nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR" (Dt 18:9 a 12)

O fato de hoje eu ser um cristão convertido (desde 1978), sem todavia pertencer a qualquer religião no sentido de organização denominacional por também não concordar com alguns "mercadores no templo", levou-me a tomar algumas decisões, e uma delas é não prestar serviços para entidades ou organizações religiosas ou com cujos fundamentos eu não concorde.

Até mesmo em minhas propostas para palestras vai uma observação no final, que diz: "O consultor se reserva o direito de não participar de eventos religiosos ou políticos." Isso e o fato de eu não atender indústrias de tabaco já fez eu perder boas oportunidades de ganhar dinheiro, mas prefiro ser coerente com meus princípios e não fazer como Groucho Marx costumava dizer: "Tenho meus princípios. Se não gostar deles, tenho outros". :)

Fazer o bem é algo tão amplo que às vezes inclui fazer o mal. A experiência que tive com espiritismo e outros ismos me deixou meio traumatizado, tipo cachorro mordido de cobra. Assim como acredito que a intenção de muitos tele-pregadores por aí não seja de fazer o bem, mas ganhar poder e dinheiro, e basta um pouquinho de discernimento para enxergar isso, a intenção do espiritismo não é ajudar as pessoas — embora faça —, mas trazê-las para debaixo de suas asas. Aviso mais uma vez que sempre que eu falar "espiritismo" não estou me referindo aos espíritas, mas à doutrina, idéia ou moto da religião. Portanto você poderá encontrar milhões de espíritas cujas intenções sejam realmente fazer o bem, e não engordar a causa espírita.

Trocando em miúdos, todas as ações de caridade da filosofia do espiritismo visam beneficiar não o "cliente" da caridade, mas o "fornecedor". Sabe como é, se você está sofrendo isso é o seu carma e o sofrimento irá ajudá-lo a queimar algumas etapas evolucionárias. Então eu entro no esquema para aliviar seu sofrimento, não porque esteja interessado em você, mas porque tenho que dar um jeito no meu próprio carma e, pela caridade, tratar de minha própria evolução. Ainda não ficou bem claro se pelo fato de o outro parar de sofrer por causa de minha intervenção ele também pare de liquidar os débitos de seu carma, o que era feito pelo sofrimento.

No cerne de toda a doutrina está o conceito de que é o próprio ser humano quem "se auto evolui a si mesmo", revertendo toda a glória disso para si e deixando Deus de fora. É uma doutrina essencialmente voltada para o ego e o aliciamento geralmente começa com algo do tipo "você tem uma mediunidade que precisa desenvolver...". Passei por essas coisas e, como disse, sou cachorro mordido de cobra. Portanto, dê um desconto se identificar uma certa linguagem ferina, não contra os espíritas (pessoas), mas contra o espiritismo (doutrina).

O jornal de hoje foi escrito ontem e acreditamos no que diz. Nele também os pontos foram aumentados porque nenhum relato é imparcial, seja ele da imprensa, seja a história que eu ou você contamos de nossas experiências passadas. Aliás, é assim que o próprio cérebro funciona. Não gravamos na memória como faz o computador, para puxá-la de volta algum dia intacta, do jeitinho que foi gravada. Cada vez que lembramos algo, na realidade nosso cérebro recria uma experiência baseado em fatos de antanho, enriquecidos por experiências que ocorreram entre o fato e o momento atual.

Assim, aquela experiência de quase atropelamento há vinte anos, na qual você não viu nadinha, hoje seria recontada com detalhes do modelo do carro, da roupa do motorista, do tempo, da rua, das conversas pós-incidente, tudo isso coisas de associações acrescentadas por testemunhas no local e por experiências semelhantes posteriores.

Como escritor é comum eu recriar um personagem juntando pedaços de mais de uma pessoa que conheci. Por exemplo, escrevi uma crônica para uma revista de um cliente e o hippie que menciono na história foi construído com dois ou três que realmente conheci, porque tenho a liberdade de deduzir que certas particularidades de um poderiam muito bem ser encontradas no outro.

Portanto, se ler os relatos bíblicos acrescentando elementos da história, culturas e costumes posteriores, irá cair do cavalo. Como não aconteceu com a queda de cavalo do apóstolo Paulo na estrada para Damasco, porque ele não ia a cavalo como a cena foi pintada nos séculos posteriores. Ou como acontecerá com os 3 reis magos, que provavelmente não eram 3. Ou com toda aquela musculatura de Sansão, que era fraco e jamais teria sido escolhido para atuar como seu próprio personagem num filme de Hollywood. Sem falar da maçã que Adão e Eva comeram no Eden, que não era maçã.

Veja que não é apenas o relato bíblico que não pode ser lido e associado a elementos históricos ou culturais, embora muito do que você encontra na Bíblia esteja no sentido de "história" normalmente aceito. A cultura que veio depois acaba distorcendo o próprio texto. Na Bíblia Paulo vai a Damasco caminhando, em nenhum lugar diz que os reis fossem 3, de Sansão é dito que ninguém podia imaginar de onde vinha sua força (portanto, não devia ser musculoso) e a fruta "maçã" só vai aparecer na Bíblia em um texto escrito por Salomão, alguns milhares de anos após a experiência no Eden.

A Bíblia não é para ser lida como se lê aquelas notas de notícias abreviadas, mas como a Palavra de Deus. Se deixar Deus falar com você, Ele o fará pela Bíblia e, ainda que só leia um mesmo versículo todos os dias, a cada dia receberá algumas gotinhas a mais do que Deus quis dizer quando registrou aquilo. É um livro "digitado" por homens, mas "ditado" por Deus.

São (acho) 66 livros, escritos por cerca de 40 homens inspirados por Deus, ao longo de aproximadamente 1600 anos; homens estes que viveram em três continentes diferentes, vieram de origens desde a mais simples até a mais elevada, e nos legaram este livro escrevendo partes em Aramaico, outras em Hebraico e outras (a maior parte do Novo Testamento) em Grego. Neste mosaico de línguas, costumes, eras e origens destes escritores, encontramos uma harmonia e continuidade que só fazem demonstrar que um grande Maestro esteve por trás dessa singular orquestra.

Mas eu entendo perfeitamente que não aceite esse argumento, porque eu mesmo fui um ferrenho opositor da Bíblia antes de minha conversão em 1978. Daí insistir que boa parte do acesso à Verdade (ou para falar a verdade, 100% disso) só pode ser por revelação divina a um coração que se abre para receber isso. Se o Neo do Matrix não atender o telefone, não vão conseguir transportá-lo para uma outra esfera, né? Tudo começa atendendo o telefone e dizendo "Pronto." :)

Você acha estranho que, com tanta gente no mundo, Deus só tenha se manifestado aos judeus e depois aos cristãos. O que você diz é parte da história e pode ser encontrado neste versículo: (Hebreus 1:1) - HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho.

Porém a revelação de Deus pode ser vista também em pelo menos 3 estágios. Primeiro Ele se revelou pela Sua Criação. Depois Se fez carne na Pessoa do Filho de Deus. Finalmente Ele Se revela por meio do Espírito Santo que usa a Sua Palavra para falar aos corações. Romanos 1 fala um pouco mais do que realmente ocorre:

Rm 1:19-22 Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

Há também uma outra passagem, cuja tradução difere um pouco de versão em versão, mas que tem o sentido de Deus haver colocado no coração do homem uma consciência de Deus:

Eclesiastes 3:11 Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.

A tradução inglesa dá melhor pista: "He has made everything beautiful in its time. He has also set eternity in the hearts of men…"
De lá para cá, tampouco Deus Se calou. Ele continua falando, mas para quem atende o telefone e diz "Pronto?".

Mas para dizer "Pronto?" é preciso aceitar a Bíblia como tal. O problema é que aceitar que a Bíblia é a Palavra de Deus significa aceitar que agora tem Alguém que vai falar comigo e eu preciso atender o telefone e obedecer. Aí acaba minha "liberdade" e "independência" (essa é a raiz do pecado).

Antes de exercer fé em Deus e em Sua Palavra, e assim considerar a Bíblia como tal, é preciso abrir mão de uma compreensão intelectual. Imagine que você esteja diante de uma porta e não entende o que há lá dentro. Aí passa a vida matutando sobre o que há lá, sem jamais ter dado o passo e atravessado a porta. É o momento de desequilíbrio, de incerteza, mas que é exatamente onde tudo o mais fica de lado e só a fé passa a ser o corrimão.

Não podemos "compreender" Deus ou Sua Palavra no sentido intelectual, mas apenas aceitá-lo. Você não compreende completamente seu celular, mas o aceita e usa. Seria um tolo se decidisse que só usaria celular quando compreendesse perfeitamente sua tecnologia.

Não compreendo Deus, mas O aceito, e a Cristo como meu Salvador. Jamais vou entender como é que o Criador, por me amar tanto, entregou Seu Filho para morrer em meu lugar, pagando por minhas culpas. Isto é algo que vai além de toda razão. Pense bem: o próprio Deus vindo ao mundo na forma de um homem para morrer! E morrer para assumir a culpa de um verme como eu! Dá para entender? Não. O mesmo com respeito a Bíblia.

É por isso que se chama "fé", da qual só temos a definição uma única vez na Bíblia:
(HB 11:1) "ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem."
Quando falo da Bíblia com tanto carinho, é porque a carta de um pai só faz algum sentido quando se é filho. Para qualquer outro é algo banal. Qualquer estudioso pode conhecer a Bíblia como um livro, seu estilo, sua história etc. Mas é o Autor da Bíblia que precisa ser conhecido. Não vou entrar neste assunto, pois poderia escrever horas sem saber se você está realmente interessado em conhecer a fundo o que é a Bíblia, sua origem e seu poder. Caso esteja, sugiro que leia o livro "Evidências que exigem um veredicto", de Josh McDowell. Ele tem outros livros sobre o tema.

Aceito que as pessoas tenham as suas religiões como dogmas, o que me inibe de contestá-las (contestar as pessoas e contestar as religiões). Se elas fazem bem a quem as professa e não fazem mal a quem não as professa, que continuem cumprindo a sua missão.

Essa é a idéia do placebo. Porém aquele que realmente se enxerga doente não irá se contentar com placebos. A idéia de religião está geralmente associada a se fazer parte de alguma organização ou cumprir uma lista de regras. A Bíblia mostra algo bem diferente disso, e mostra justamente a um homem bastante religioso, Nicodemos.

A ele, um dos principais dentre os religiosos de sua época, Jesus diz: "não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos e nascer de novo. Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3.3,7). Trata-se, evidentemente de um nascimento espiritual. Nicodemos queria saber como receber esse novo nascimento, ao que o Senhor respondeu: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16).
Você mostrou-se preocupado com a luta entre as religiões, talvez pensando que minha posição fosse de um antagonismo semelhante. Essa luta pode acontecer por dois motivos. Um é a insegurança. Preciso de mais adeptos "para minha religião" a fim de confirmar minhas próprias crenças. É a idéia de fortalecer o time trazendo mais torcedores e isso me ajudar a acreditar mais no time. Outra é a luta por sinceramente se achar que uma religião é melhor que a outra. Leia "religião" como o que descreveu antes, um conjunto de dogmas, ou um sistema, organização, comunhão, pensamento, doutrina etc.

Aí você vai para a Bíblia e descobre que a única religião que um dia Deus estabeleceu no mundo foi o judaísmo, que Ele próprio "desestabeleceu" depois e providenciou para que não ficasse pedra sobre pedra. Aí vem o Senhor Jesus e afirma para uma mulher que quer saber qual religião ou em que lugar ou templo deve ir adorar:

João 4:19-26 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.
Ficava claro que tinha coisa nova no pedaço. E essa coisa nova é a própria revelação de Cristo: "EU SOU o caminho, a verdade e a vida. NINGUÉM VEM AO PAI, SENÃO POR MIM" (João 14.6). Na realidade nenhuma religião leva a Deus, pois o Senhor afirmou que NINGUÉM vai ao Pai a não ser por intermédio dEle. Só o Senhor Jesus é o caminho; só Ele é a verdade; só Ele é a vida. Pelo menos foi isso o que disse. E os que crêem nEle devem crer também nas Suas palavras. O caminho não é um dogma, uma religião, um sistema, uma denominação, uma igreja. O caminho é uma Pessoa, o próprio Deus encarnado.

Uma religião precisa ter uma roupagem religiosa, como rezas ou orações em nome de Jesus, como você pode até encontrar no espiritismo e em outras religiões. Porém existe uma diferença vital entre religiões e Cristo, ainda que muitas adotem este ou aquele aspecto cristão em seu bojo. Cristianismo real tem tudo a ver com novo nascimento. Ou você é nascido de novo (literalmente, "nascido do alto") ou não é. Se não é, continua morto. Se nasceu de novo, está vivo com a vida que procede de Deus. Uma nova vida, uma nova posição, uma nova perspectiva que vai muito além daquela que nossos olhos ou mente conseguem alcançar. Um dos homens letrados dos tempos do Senhor Jesus foi confrontado com esta questão.

Para entender o que falo, sugiro que leia o capítulo 3 do evangelho de João. A serpente à qual o Senhor se refere ali foi um episódio ocorrido com os israelitas na peregrinação Egito-Canaã via deserto, quando foram atacados por serpentes. Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a levantasse na ponta de uma haste. Quem olhasse para a serpente de bronze era curado. Aquilo era um tipo de Cristo, que um dia seria levantado.

O cristão tem um antes e um depois muito claro, assim como dividimos o tempo em AC e DC. Para o cristão, sua vida divide-se em antes da cruz e depois da cruz. Se ler Efésios capítulo 2 vai encontrar uma descrição muito clara da diferença, do antes e do depois e de como passamos de um lado para o outro. Não é um progresso, mas uma mudança imediata e radical, de perdido para salvo, de morto para vivo, de estranho para filho.

No mesmo Evangelho de João, cap. 5:23, há um versículo muito bom para entender essa mudança: "Na verdade, na verdade vos digo que quem OUVE a minha palavra, e CRÊ naquele que me enviou, TEM a vida eterna, e NÃO ENTRARÁ em condenação, mas PASSOU da morte para a vida."

Atente para o tempo dos verbos para ver que é uma mudança imediata baseada em apenas uma condição que é crer. Quem ouve (presente) e crê (presente) tem (agora mesmo) a vida eterna. Passa a ser alguém neste mundo com uma vida que não é deste mundo e nem temporal.

Quanto ao futuro, não entrará em condenação algumas versões trazem "juízo" ou "julgamento", o que põe por terra a idéia infantil de que depois da morte há um julgamento, com uma balança que irá pesar o bem e o mal que fizemos e nos permitir ou não a entrada no céu. Para o incrédulo, sim, haverá o que a Bíblia chama de "juízo final", mas não se trata de um julgamento no sentido de condenar ou absolver, pois naquela hora não haverá absolvição. Trata-se de um julgamento apenas para sentença. (Apocalipse 20).

Quanto aos que verdadeiramente creram, estes já tinham passado da morte para a vida antes, portanto como Deus iria julgar quem foi perdoado e salvo? O único julgamento (se é que podemos chamar assim) que aparece para o cristão é um julgamento como acontece nos concursos de miss ou de obras de arte. Apenas para classificação daquilo que o cristão fez como tal (depois de salvo), para ver se prestou ou não o que ele fez (não sua pessoa, mas sua obra).

Embora você alegue que no espiritismo as pessoas não ficam se esforçando em "converter" outras, a "conversão" no espiritismo tem um sentido diferente da conversão bíblica. Lá é mais no sentido de se acatar uma doutrina e de se fazer isso ou aquilo. A conversão do cristão vem por uma obra interna, não intelectual. "Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus." 1 Coríntios 2 (sugiro que leia o capítulo inteiro).

Boa parte das religiões, mesmo as cristãs, procura entregar uma lista de coisas que a pessoa precisa cumprir, um tipo de check-list para ficar de bem com Deus. Tentar guiar por princípios cristãos é tentar costurar remendo novo em vestido velho. Lembre-se do novo nascimento, ou nascimento do alto, que é necessário e incompreensível (como o vento), a única maneira de estabelecer sua conexão com seu Criador. Como faz o modem, antes de começar a navegar nessa nova esfera, é preciso sincronizar. Isso é Deus Quem faz quando você se rende.

É muito importante entender que conversão é converter-se a Alguém. Tipo meia-volta, volver! Primeiro vem o sentimento do pecado e ruína:

Jeremias 31: 19 Na verdade que, depois que me converti, tive arrependimento; e depois que fui instruído, bati na minha coxa; fiquei confuso, e também me envergonhei; porque suportei o opróbrio da minha mocidade.
Depois é preciso entender que seu pecado e ruína foram pagos por um substituto na Cruz, que Ele é o Cordeiro de Deus, a consumação dos cordeiros inocentes que os judeus imolavam cada vez que pecavam. Converte-se a Cristo ou não se converte a coisa alguma. É preciso se ver perdido para pedir socorro a Quem pode salvar. Como fez o carcereiro, ao perguntar a Paulo:

Atos 16:30 E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.

Outro ponto importante é entender que há um Caminho, não dois ou três. Veja isto:

1 Timóteo 1:15 Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.

Atos 4:12 E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.

Há quem fique esperando por um milagre, antes de querer aceitar o que a Bíblia diz. Milagres e coisas do tipo não devem servir de base para a fé, principalmente numa época quando o próprio homem é capaz de milagres, como falar com outro a milhares de quilômetros de distância sem sair do lugar, ou voar, ou curar doenças incuráveis, etc.

Hb 11:1 ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
É disto que estou falando. Igrejas vivem cheias de pessoas atrás de milagres. É melhor estar entre aqueles de quem Jesus falou a Tomé:

João 20:29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
Acho que uma boa maneira de explicar a diferença gritante entre espiritismo e cristianismo bíblico é contar uma historinha. Como você sabe, a equação espírita é de uma vida de incertezas procurando remendar aqui e ali em busca de uma ascensão duvidosa por meio de caridade e vidas sucessivas na tentativa de se eliminar o carma passado. Certeza não dá nenhuma além daquela de que é possível confiar no próprio ego para ser uma alma mais elevada ou espiritualizada. Se você faz caridade, ganha pontos e poderá trocá-los depois por uma encarnação mais privilegiada. É a lei da causa-efeito. Faço o mal, pago. Faço o bem, ganho.

No cristianismo, faço o mal e pago ou não, se aceitar que Alguém pague por mim. Todos os sacrifícios mosaicos apontavam para isso: um cordeiro inocente morria no lugar do pecador culpado. Até que veio O Cordeiro.

Se no espiritismo devo levar uma vida de esforços tentando subir uma escada cujos degraus são espaçados demais para minhas pernas, no cristianismo é Cristo quem me pega lá em baixo e me leva direto para o céu de um só passe. É cesta sem repicar a bola no chão. Num momento, pecador perdido. No momento seguinte à conversão, pecador salvo.

Então onde ficam as boas obras, a caridade, que é a locomotiva da maioria das religiões para levar o homem a algum lugar melhor? Não tem lugar algum na salvação do homem. Nada do que eu faça pode me salvar, porque a única coisa que precisava ser feita foi Ele quem fez. E o que é mais belo do cristianismo é que, uma vez nascido de novo pela fé em Cristo, não há qualquer necessidade ou intenção de se fazer o bem visando eliminar o carma ou reduzir o número de supostas reencarnações. Por ter sido alvo um favor imerecido, o cristão convertido faz as coisas não para receber algo em troca (uma barganha para garantir seu futuro eterno), mas porque já recebeu tudo em troca. A historinha abaixo ilustra isso muito bem:

Num leilão de escravos colocaram à venda um escravo velho e doente. Para nada servia a não ser morrer para evitar despesas. Porém um rico fazendeiro deu um lance para comprá-lo, pagando um preço altíssimo, que seria suficiente para comprar todos os escravos do leilão.

O escravo comprado aproximou-se de seu novo senhor e ouviu de sua boca: "Pode ir embora, você está livre". O escravo não entendeu. "E o preço que o senhor pagou?". O fazendeiro explicou: "Paguei um valor altíssimo para ter certeza de quem ninguém cobriria minha oferta. Desde o momento em que o vi, eu tive pena de você e o amei, desejando que fosse livre. Agora você está livre. Não me deve nada."

O escravo, em vista dessa libertação gratuita conseguida a tamanho preço, respondeu: "Por causa do que o senhor fez, POR AMOR, vou servi-lo até morrer".

Sugiro a leitura do "diário" de um internauta com quem me correspondi nos primeiros anos da Internet e que acabou se convertendo durante essa correspondência por e-mail. Ele andou por um bocado de religiões espíritas e espiritualistas antes de conhecer o Salvador. Sua história está em um de meus sites em Salvo na Internet. Sugiro também a leitura do livro O evangelho maltrapilho - Brennan Manning que explica muito bem o papel da graça ou "favor imerecido" na salvação.

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