As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Marketing é uma atividade boa ou má para um cristão?



https://youtu.be/kTUI0aORvf4

Considerando minha ocupação profissional atual, sua pergunta foi se a atividade de marketing é boa ou má para ser exercida por um cristão. Você partiu do pressuposto de que o marketing causa um mal nas pessoas que agem, "voluntária ou involuntariamente através dos seus desejos e vontades, direcionado pelo seu raciocínio (pensamento), quando é influenciado pelos sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato)" e acreditando que "a atividade de marketing tenha uma grande parcela de culpa no que chamamos de compulsão para a satisfação da vontade de comprar em demasia, fazer sexo em demasia e muitas outras coisas em demasia, pois os profissionais de marketing sabem que exercem grande poder sobre a mente do homem".

Considerando estas e outras afirmações de seu e-mail, provavelmente você esteja confundindo marketing com propaganda. Marketing não é propaganda (esta é apenas uma das ferramentas do marketing). Digamos que, o marketing está para a medicina assim como a propaganda está para a injeção. Marketing é um conjunto de ações que visa identificar, analisar e atender necessidades, desejos e expectativas das pessoas com produtos ou serviços. Isso pode ou não envolver propaganda.

Confundir os termos é algo normal, já que é comum a própria mídia anunciar coisas do tipo "faça seu marketing em nosso jornal" etc. As faculdades de administração já estão usando a expressão "Administração Mercadológica" para a disciplina Marketing em razão dessa confusão e da amplitude do assunto. Todavia, ainda assim é uma atividade que tem sua origem mundana, como a maioria das profissões.

Não importa o que você faça, se estiver inserido em qualquer uma das três grandes categorias, tecnologia, cultura ou pecuária, além da arquitetura e urbanismo (minha formação original), sua origem será Caim.

Gênesis 4
16 E saiu Caim de diante da face do SENHOR, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden.
17 E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade [Arquitetura e Urbanismo], e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque;
18 E a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael e Metusael gerou a Lameque.
19 E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá.
20 E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado [Pecuária].
21 E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão [Artes e Cultura].
22 E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro [Tecnologia]; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.

Aparentemente a pecuária, não com a intenção de comer a carne do animal, mas apenas de beber seu leite, já era praticada por Abel e, portanto, talvez não se enquadre nesta classificação como se enquadram as outras atividades, desconhecidas antes dos descendentes de Caim se tornarem "pais" dos que as praticavam.

Resta, portanto, a agricultura como a atividade original para o ser humano, tendo esta sido ordenada por Deus a Adão no jardim do Eden. Ao longo das eras, porém, vemos a humanidade e o próprio povo de Deus se engajando em atividades profissionais que não foram divinas em sua origem, como a construção da cidade de Jerusalém, ainda que a primeira cidade tivesse sido construída por Enoque, filho de Caim.

Generalizando, podemos dizer que hoje todas as atividades profissionais trazem em si a marca de Caim e do mundo, e o próprio dinheiro que ganhamos com nosso trabalho é "riqueza da injustiça", já que não precisamos rastrear muito o dinheiro que temos no bolso para descobrir que passou por lugares e atividades pouco recomendáveis. Todavia, o Senhor não culpou o dinheiro como a raiz de todos os males, mas o amor ao mesmo, a avareza. O que equivale dizer que o problema não está fora de nós, mas dentro, já que nem precisava explicar muito que o que está fora já é, naturalmente, do mundo e, por conseguinte, de origem não divina.

Mesmo considerando as invenções de Caim, como cidades, agropecuária, cultura musical e tecnologia, é provável que o problema não esteja nessas coisas em si, mas em quem as criou e na finalidade delas. Vemos mais tarde Deus ordenando aos israelitas que consetruíssem cidades, e o próprio Deus colocou o Seu nome numa cidade que Ele escolheu: Jerusalém. No fina vemos também uma cidade descendo do céu, a Nova Jerusalém. Portanto, as cidades não são ruins, mas o objetivo dos homens que as constróem para perpetuar seu nome no mundo.

O mesmo pode ser dito da cultura e da tecnologia, já que Deus introduz cânticos e instrumentos musicais na adoração de Israel, e desejava que se buscasse homens hábeis em tecnologia para construir tanto o Templo de Jerusalém quanto seus utensílios. Até mesmo Jesus deve ter sido um carpinteiro durante boa parte de sua vida aqui, para o que precisou conhecer o uso de ferramentas e até técnicas de comercialização (marketing) de seus produtos. Mas, de uma maneira geral, o que vemos no mundo foi criado pelo homem não para exaltar a Deus, mas a si próprio. Daí a exortação contra nos apegarmos a essas coisas:

1 João 1
15 Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
16 Porque TUDO O QUE HÁ NO MUNDO, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.

Isto demonstra que granjeamos, negociamos e obtemos as riquezas da injustiça enquanto no mundo, mas sem ser dele e sem deixar que essas coisas sejam o norte em nossa vida. O cristão sabe muito bem que não deve adorar a Mamom, mas a Deus. Todavia, quando você fala de "capitalismo exagerado" fica difícil definir o que seria exatamente "capitalismo exagerado" e como estar isento de sua prática. Se você for comerciante, funcionário público, bancário, médico ou qualquer profissional, é provável que tenha seus limites dentro de sua prática profissional, mas não estará livre de ter contribuído para uma cadeia de eventos que obviamente levará ao que você descreveu como uma das razões da ruína de Babilônia no livro de Apocalipse.

A menos que alguém viva numa caverna no alto de uma montanha, essa pessoa estará contribuindo, de uma forma ou de outra, para essa cadeia comercial que inclui práticas honestas e desonestas. Caberá a cada um, dentro das limitações de sua atividade, agir de forma honesta e consciente e depender da graça de Deus para sua salvação, e de forma alguma achar que suas práticas honestas valerão pontos para tirá-lo de sob a maldição do pecado que recai sobre todo ser humano, honesto ou não. O que, evidentemente, só pode ser conseguido pela graça de Deus e pela fé em Cristo e em sua obra substitutiva e expiatória na cruz.

Voltando ao marketing, sim, trata-se de uma atividade que lida com as próprias origens da concupiscência humana. É verdadeira pólvora se usada da forma errada. A primeira a lidar com isso foi a serpente, no Eden, ao tentar Eva. A tentação encontrou resposta no coração de Eva: Genesis 3:6 "E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela." Compare Gênesis com 1 João e você tem as mesmas três coisas que têm influência no ser humano:

"Boa para comer" = "Concupiscência da carne"
"Agradável aos olhos" = "Concupiscência dos olhos"
"Desejável para dar entendimento" = "Soberba da vida"

Quando você escolhe este ou aquele prato no restaurante, está fazendo valer em alguma medida essa "concupiscência da carne" que existe dentro de cada um de nós. Quando se veste bem para impressionar os outros, está querendo (talvez inconscientemente) ativar a "concupiscência dos olhos" que existe neles. E quando elogia seu filho porque passou em primeiro lugar nos exames e ganhou uma medalha ou apareceu em primeiro na lista dos aprovados no vestibular, pode ter certeza de que a "soberba da vida" estará dando saltinhos de alegria dentro dele. Vai se achar o tal.

Negar isso é negar a própria urdidura da natureza humana e querer se colocar à parte da humanidade caída. Somos assim e ponto final. Somos todos atraídos e freqüentemente engodados por essas três concupiscências porque somos feitos todos da mesma matéria. O cristão não está livre disso, apenas tem em si uma nova natureza que pode enxergar com outros olhos para essas coisas, sabendo que estão bem ali dentro de si e que fazem parte de todas as atividades humanas - eu disse TODAS - e agir de modo diferente para ser luz e sal neste mundo.

E o marketing? Ao identificar, analisar e atender necessidades, desejos e expectativas no ser humano, estará trabalhando dentro do âmbito da natureza humana tal como ela é: desejosa de dinheiro (para alimentar a carne), prazer (para agradar os olhos) e prestígio (para alimentar sua soberba). "Quem obedecer ganha um doce!" promete a mãe que, sem saber, está fazendo um apelo à carne de seus filhos. "Quem fizer o desenho mais bonito vai passear". "Muito bem, você vai ganhar a fatia maior porque acertou todas!". Percebe como fazemos marketing o dia todo sem perceber? Identificamos necessidades, desejos e expectativas e atendemos.

A fronteira entre agir dentro daquilo que é natural e ético é muito tênue e aí entra o papel do cristão que atua em marketing - assim como o cristão bancário, médico, vendedor, engenheiro, funcionário público etc. - em fazer a diferença. Que ele terá que identificar que as pessoas querem um macarrão vitaminado (para a subsistência de sua carne), em uma embalagem bonita (para os olhos) e com nome italiano (para parecer mais chique e importado) é algo que está perfeitamente dentro da atividade do marketing e de qualquer outra atividade profissional. Como o profissional de marketing irá responder, apelar para e satisfazer essas três concupiscências naturais é onde mostrará se está fazendo a diferença como cristão ou não.

Espero ter esclarecido suas dúvidas. Você encontrará mais sobre o assunto em uma crônica que escrevi e foi publicada em meu blog profissional: "O lado sombrio da força do marketing" http://www.mariopersona.com.br/blog/archives/00000126.htm

Enfim, acredito que o cristão que atua em marketing tenha até uma visão mais privilegiada do comportamento humano do que qualquer outro profissional em sua área de atuação. Ou talvez quem realmente pense ter essa visão e prática privilegiada seja o cristão que não atua em marketing. Mas o simples fato de pensar de uma forma ou de outra já seria uma característica de "soberba da vida", não é mesmo?

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