As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Devo crer no humanismo?



https://youtu.be/sCLH-Nfn28c

Como humanismo acabou ficando um termo muito amplo, às vezes confundido com ética, dignidade humana, direitos humanos, etc (veja mais na Wikipedia), para efeitos do que vou dizer aqui, vamos considerar a expressão como sendo apenas a crença na capacidade humana como um ápice e solução para todos os problemas da própria humanidade. Portanto, leia-se aqui "Devo acreditar no ser humano?", assim não colocamos em discussão o humanismo, mas uma espécie de idolatria do homem que este possa eventualmente gerar, substituindo Deus pelo ser humano e sua capacidade intelectual ou produtiva.

Você enviou um artigo extraídos de um site sobre ateísmo e nem precisei ler muita coisa para ter uma boa idéia do que se trata. O site, que vende camisetas e adesivos proclamando o ateísmo, traz uma foto de seu criador e responsável com um cordão no pescoço onde há uma cruz pendurada de cabeça para baixo*, denunciando a extrema dependência que o autor tem do cristianismo. Se este não existisse, ele não teria seu site ou sua crença. (* A cruz invertida, originalmente um símbolo de Pedro que teria sido crucificado nessa posição, é hoje um símbolo de oposição ao cristianismo).

O artigo de Robert G. Ingersoll, intitulado "Sobre a Bíblia", tenta desacreditá-la e, embora você esperasse que eu comentasse todas as pretensas provas que ele apresenta, para mim basta olhar o que existe por detrás do texto. Para fazer uma boa análise de textos assim, sejam eles de crítica ou mesmo de propagadores de novas idéias, é bom começar pelo fim. Geralmente os pensadores vão alimentando suas idéias com um conta-gotas de supostas provas ou fatos para dar, no final, o desfecho que queria dar desde o início. Em suma, o sujeito já tem uma idéia formada e o que deseja é apenas enfeitá-la com aquilo que considera provas.

O autor foi um agnóstico humanista, famoso em sua época por sua habilidade de oratória e idéias revolucionárias para seu tempo. Obviamente, ao atacar a Bíblia ele quer, no fundo, atacar a Deus e se ver livre dEle para seguir seu próprio nariz. Ou o nariz da humanidade como um todo. Não é uma idéia original, porém. Elas foram expressas primeiro por Lucifer, cuja formosura subiu à cabeça, e depois por Adão e Eva, em sua ânsia de serem "como Deus, conhecedores do bem e do mal". Tudo se resume numa ou duas palavras: independência e auto-suficiência. Porque quando tiramos Deus de cena, precisamos colocar algo em seu lugar. Como nos achamos inteligentes demais para substitui-lo pelo Sol, pela Lua ou por uma vaca, apostamos no ser humano como a melhor opção. O que, no fundo, é a mesma coisa, é idolatria.

"Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis" Romanos 1:21-23.

Após discorrer sobre tudo o que considera absurdo na Bíblia e destilar críticas sarcásticas sobre o Senhor Jesus, o autor explica: "Ataco este livro porque é um inimigo da liberdade humana – a maior travanca no progresso da humanidade". E então, termina dando sua opinião de qual seria o que ele chama de "Verdadeira Bíblia":

"Por milhares de anos o homem vem escrevendo a verdadeira Bíblia – está sendo escrita dia a dia, e nunca será terminada enquanto o homem tiver vida. Todos os fatos que conhecemos – os eventos verdadeiramente ocorridos; todas as descobertas e invenções... todas as jóias do intelecto... os grandes dramas da imaginação... Estes tesouros do coração e do intelecto são as verdadeiras Sagradas Escrituras da raça humana".

O que eu acho? Bem, se a "Verdadeira Bíblia" à qual o autor se refere for o conjunto de grandes obras humanas, não teríamos que incluir neste conjunto a própria Bíblia judaico-cristã? Oras, se a imaginação, o talento e a criatividade humanas foram capazes de conceber um conjunto de textos que causou uma revolução tão grande no mundo por alguns milênios, o que pensar dos autores desse texto? Se os seres humanos foram capazes de inventar tantas mentiras e com elas conquistar uma parcela tão grande da população mundial, que se apraz em ler e acreditar nessas supostas mentiras, o que pensar dos seres humanos.

Oras, se o autor exclui Deus da autoria da Bíblia, só nos resta acreditar que os autores sejam os homens, e se os homens são capazes de tão grande perversidade devemos nos precaver contra eles, devemos ter sempre um pé atrás ao receber aquilo que faz parte do que os próprios homens consideram grandes realizações da humanidade.

Mas alguém poderia argumentar que o autor se refer aos grandes feitos "do bem". Ok, quais seriam eles? Ele diz: "todas as descobertas e invenções; todas as maravilhosas máquinas cujas engrenagens parecem ter vida própria..." Muito bem, considerando que a maior parte das invenções úteis hoje, penicilina, avião, computador e até a Internet, por exemplo, são decorrentes de esforços de guerra, então devo acreditar que quando ele diz "todas" quer dizer "todas" mesmo.

"Ah, não!", dirão alguns, "devemos considerar só as benéficas". E quais são? Quem estaria apto a julgar? Usando qual padrão? Deveríamos para isso contar com o mesmo ser humano que, segundo o autor, produziu a mesma Bíblia que ele considerou uma grande e perniciosa mentira? Ou devemos nos fiar nas massas que ao longo dos séculos acreditaram? Nos supostos enganadores ou nos supostos enganados? Obviamente o autor iria querer que não acreditássemos nem em um, nem em outro, mas nele somente. Garantias? Nenhuma, porque ele também é humano e sujeito às mesmas falhas e problemas da espécie humana, da qual ele faz parte, inclusive excesso de peso, a julgar pela estátua que fizeram em sua honra.

Se não podemos, então, confiar no homem como o exemplo a ser seguido ou o padrão pelo qual devemos julgar as coisas, devemos acreditar em quem? Numa vaca estaria fora de cogitação, seria voltar aos velhos tempos. Eu, que me conheço muito bem, não teria coragem nem mesmo de acreditar em mim, em meu coração e em meus pensamentos. Até meus dentes, que são meus amigos, costumam morder minha língua de vez em quando. Então só me resta uma alternativa: acreditar e confiar em Deus e na salvação que Ele ofereceu por intermédio do Seu Filho Jesus. Algo que Ingersoll, a essas alturas, já descobriu ser verdade.

"Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto. Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" Jeremias 17:5-9

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