As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que você pensa do divórcio?




Você escreveu que tem dúvidas sobre a questão do divórcio e que, por estar separado há um ano por iniciativa de sua esposa, tem perguntado ao Senhor todos os dias qual é a vontade dele a respeito. No meu entendimento, segundo a Palavra de Deus a separação e novo casamento só podem ocorrer em algumas situações. 

Em Malaquias 2 fica claro o que Deus pensa do divórcio: "Pois eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel" Ml 2:16. O matrimônio cria um vínculo que está relacionado aos dois se tornarem uma só carne, e quando alguém se une corporalmente a outra pessoa, esse vínculo é rompido. Mas mesmo em caso de adultério, não se trata de uma ordem para a pessoa se divorciar, mas uma possibilidade. A prioridade, porém, é o perdão e a reconciliação. (Lc 11:4; Ef 4:32).

Há outras situações, como a mostrada em 1 Coríntios 7, quando parece existir a possibilidade de uma separação entre cônjuges crentes, mas não para um novo casamento, e sim para a reconciliação:

"Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher". 1 Co 7:10, 11

Uma outra situação é um dos cônjuges ser incrédulo e tomar a decisão de separar-se.

"Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz." 1 Co 7:15 Em outras traduções "servidão" é traduzida como "vínculo".

Resumindo, as Escrituras permitem um novo casamento pelo cônjuge inocente em qualquer uma dessas hipóteses: quando ocorre a morte de um dos cônjuges (Rm 7:2; 1 Co 7:39), o abandono por iniciativa do cônjuge incrédulo (1 Co 7:15) ou a infidelidade (Mt 19:9). Quando existe o abandono pelo cônjuge incrédulo isso geralmente é o resultado de um deles ter se convertido depois de já estar casado, pois nada nas Escrituras autorizam um crente a se casar com um incrédulo.

Pode ocorrer também uma separação quando os dois são crentes, e neste caso nenhum deles deve se casar, mas às vezes ocorre de a parte que causou a separação acabar se unindo a outra pessoa o que acabará configurando adultério e, deste modo, remetendo o cônjuge abandonado à condição de poder casar-se novamente, mas obviamente no Senhor.

Quanto ao fato de você perguntar todos os dias, há um ano, qual é a vontade do Senhor, já é uma grande coisa, porque muita gente não pergunta ou, quando pergunta, não espera a resposta. Quando Deus permite algo em nossa vida, sempre há uma razão, mas nem sempre nos será dado conhecê-la aqui. Deus permitiu que Satanás tirasse tudo de Jó e ele certamente não entendeu coisa alguma. Mas no final podia dizer que antes só conhecia a Deus de ouvir falar, mas depois de tudo podia vê-Lo claramente em seus propósitos ("Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.").

Eu sem bem o que você tem passado, pois desde 2002 estou separado. Portanto, a mesma pergunta que você faz eu também durante todos estes anos e ainda não sei a resposta. Mas o que aprendi nestes anos eu não aprenderia em lugar algum, e acredito que você também dirá o mesmo. O próprio fato de você escrever, um ano depois de sua separação, dizendo que todos os dias quer saber a vontade do Senhor nisso já mostra o quanto ele o tem conservado na fé em todo esse tempo.

Você e eu perguntamos a razão de termos ficado sem esposa. Um irmão que conheço pergunta a razão de ter ficado paraplégico aos vinte anos vítima de um tiro. Outro pergunta por que perdeu um filho ainda pequeno, outro por que o filho nasceu deficiente e por aí vai. Todos teremos perguntas enquanto estivermos aqui, mas o grande segredo é que, assim como Jó, com suas falhas e fraquezas, continuamos perguntando ao Senhor. Um dia ele vai responder. Se não for aqui, será lá, com certeza.

Normalmente quem passa pela experiência de uma separação quer saber também sobre a questão de um novo casamento. Há alguns anos fiz a mesma pergunta a um irmão. Seu e-mail me trouxe o seguinte:

"Quando os judeus perguntaram ao Senhor sobre o divórcio, o Senhor voltou ao princípio, em como Deus havia instituído o matrimônio. (Mt 19:3-12). Algumas coisas que ficam claras da passagem são:

1. O que Deus uniu, o homem não deve separar.
2. Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza do coração do homem.
3. A fornicação (ou adultério) é a única causa justa para alguém se divorciar (vers. 9).

Em 1 Coríntios 7:15 há outros casos que penso estarem incluídos em Mateus 19:9: 'Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz.' e 'Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.' Aqui é o caso de um incrédulo separando-se de um crente por causa de sua fé no Senhor. Neste caso o crente não está sujeito à servidão.

Creio que este caso especial mostra que o Senhor dá mais importância ao nascimento espiritual de alguém do que à preservação de um relacionamento natural como é o matrimônio quando há uma ruptura nele. Quando uma pessoa casada se converte e o cônjuge incrédulo quer se divorciar o caso fica muito claro. Não diz que o cônjuge crente esteja livre para se casar, mas que ele não está sujeito à servidão, mostrando a atitude correta em relação ao caso, quando um novo casamento é permitido."

Obviamente cada caso é um caso. Mas creio que é sempre bom ter em mente que o matrimônio nunca deve ser buscado como solução para um problema, já que a Palavra é clara em mostrar que, apesar das bênçãos relacionadas a ele, problemas é que não faltam na relação marido-mulher. Daí o conhecido conselho da Palavra de Deus:

"Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim. Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher." 1 Co 7:26, 27.

Quer saber o que fazer? Esperar. Pelo menos é o que tenho feito até aqui. Sim, porque esperar no Senhor é um dos grandes exercícios da fé. Afinal, não é isto que estamos fazendo aqui, aguardando a vinda daquele que morreu para nos salvar e que prometeu voltar? Acho que esta tem sido a maior lição na escola na qual fui matriculado contra a minha vontade desde 2002.

Certamente eu cairia fora deste curso ou cabularia suas aulas se pudesse. Mas jamais iria querer abrir mão do que aprendi. Só que o problema é que o Senhor sabia que estas coisas eu não iria aprender em nenhum outro lugar, por isso me mantém matriculado. Não sou um de seus melhores alunos, mas continuo aprendendo e esperando. Além das lições que aprendi após minha separação, vivendo como solteiro tive mais tempo para me dedicar à obra do evangelho e foi neste período que nasceram os trabalhos de "O Evangelho em 3 Minutos" e "O que respondi" (www.3minutos.net e www.respondi.com.br) com seus respectivos vídeos, áudios e livros.

Quem você gostaria que voltasse primeiro, a esposa ou o Senhor? Acho que não precisa nem responder, não é mesmo? É por isso que devemos aprender a colocar também na ordem de importância nossas expectativas. Afinal, há um esposo no céu que sabe muito bem o que eu, você e tantos outros estamos passando. Há dois mil anos ele não vê a hora de se reunir com sua esposa, a Igreja. Pode ser hoje.


"Vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a Seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus... Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz." 2 Pe 3:14

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