As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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É possível um cristão entrar em depressão?



https://youtu.be/yFW9OLKvY1Y

Sim, qualquer pessoa pode entrar em depressão, tendo ou não conhecimento de Deus. Muitos santos de Deus do Antigo e Novo Testamento são vistos em momentos de profunda depressão e desespero. Jó é um que sabia muito bem o que era sentir-se deprimido:

"Na angústia do meu espírito... na amargura da minha alma... de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos." Jó 7:111-16

Ao contrário do que muitos cristãos pensam, que um cristão só passa por depressão se estiver com algum problema em sua vida ou comunhão com o Senhor, encontramos Paulo também profundamente deprimido em mais de uma ocasião, como ele mesmo conta em 2 Coríntios 7:5:

"Porque, mesmo quando chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro. Mas Deus, que consola os abatidos [deprimidos], nos consolou com a vinda de Tito".

A palavra "abatidos" aparece traduzida em algumas versões como "deprimidos". Portanto, ao referir-se que Deus consola os deprimidos, Paulo estava falando de sua condição naquele momento. A pressão que ele sofria, tanto de seus perseguidores como das responsabilidades que tinha para com o povo de Deus chegavam a limites humanamente intoleráveis em muitas ocasiões:

"Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos". 2 Coríntios 1:8
Em situações assim até o apóstolo Paulo, que geralmente é considerado um exemplo de cristão, precisava ser ajudado por seus irmãos quando o desânimo caía sobre si. Foi o que aconteceu ao chegar à Itália, profundamente desanimado com as coisas que lhe tinham ocorrido nos dias anteriores. Ele, que no navio em meio à tempestade serviu de ânimo aos passageiros e tripulantes (Atos 27:26), agora precisa ser animado por outros:

"E de lá, ouvindo os irmãos novas de nós, nos saíram ao encontro à Praça de Ápio e às Três Vendas, e Paulo, vendo-os, deu graças a Deus e tomou ânimo". Atos 28:15

E se pensarmos no que o Senhor sofreu nas horas que antecederam a cruz e também enquanto estava pregado nela antes de Sua morte, será que encontraremos alguém mais deprimido, mais desesperado da vida e mais desanimado? Diante dos horrores que tinha diante de Si, em Sua oração ele chegou a derramar gotas de suor como de sangue e precisou ser confortado por um anjo. Veja como o salmista descreve os sentimentos do Senhor (muitos salmos são proféticos e revelam os sentimentos do Messias) no Salmo 38:6-17:

"Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia... Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração... O meu coração dá voltas, a minha força me falta; quanto à luz dos meus olhos, ela me deixou... Quando escorrega o meu pé... Porque estou prestes a coxear; a minha dor está constantemente perante mim."

Se ao passar por uma depressão você se sente encurvado, abatido, fraco, quebrantado, inquieto, sem forças, em total escuridão, prestes a escorregar e a cair, então saiba que não está sozinho. O próprio Senhor Jesus já experimentou todos esses sentimentos. A única diferença foi que ele não tinha, como nós temos, o pecado agindo em Si ou a possibilidade de pecar como nós temos.

Mas Ele prometeu não nos abandonar quando essas mesmas dificuldades nos sobreviessem.

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei". Mateus 11:28

O Senhor deu aos que crêem nEle o Espírito Santo, que o próprio Senhor chamou de "Consolador". Oras, um Consolador só tem alguma utilidade para pessoas que estão desconsoladas, desanimadas e deprimidas. A quem um Consolador iria consolar se os cristãos fossem super-homens e super-mulheres vivendo acima de qualquer depressão, desespero ou tristeza profunda?

A depressão pode ser decorrente de algum problema em nossa vida espiritual, algum pecado não confessado, falta de fé, negligência na oração e até influência de espíritos malignos. Mas, antes que aqueles que gostam de rotular as pessoas com a rapidez com que Davi condenou o homem que tomou a única ovelha do pobre (2 Samuel 12), saiba que também pode não ser nada disso.

A depressão pode ser também circunstancial, por estarmos envolvidos em coisas que nem mesmo nós sabemos quais são, isto é, pode não ser culpa nossa. Foi o que aconteceu com Daniel no período em que passou por uma depressão profunda que durou três semanas:

"Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas". Dn 10:2,3

Daniel vai descobrir depois que a razão daquilo era uma batalha espiritual que ocorria em função de suas orações. Ou seja, a depressão pode ocorrer como consequência do que está no mundo invisível, seja por nossa falha ou por nossa fidelidade.

Há, porém, outras formas de depressão que não têm origem espiritual, mas física. Nosso corpo é controlado por hormônios e substâncias químicas que causam verdadeiros rebuliços em nosso humor. Mulheres que conhecem os efeitos da tensão pré-menstrual sabem o quanto seus corpos e mentes podem ser afetados pelas mudanças que ocorrem no organismo nesse período.

Antes de descobrirem a causa de problemas físicos como a epilepsia, tudo era considerado problema espiritual e muitas pessoas sofreram severos danos por causa da ignorância. Infelizmente ainda hoje muitos, por ignorância ou para defender suas crenças, infligem sofrimentos e danos a pessoas que sofrem de depressão ou problemas mentais que, às vezes, nada mais são do que reações do organismo.

Lembro-me quando, em minha adolescência, minha mãe quase morreu depois de um período de depressão profunda que a levou a emagrecer demais e a passar dias sem querer sair da cama ou comer. Vários médicos foram consultados até um descobrir que seu problema era de uma disfunção em uma glândula. Um tratamento adequado resolveu o problema e ela voltou a ser a pessoa ativa que era antes da doença.

O recurso para todo cristão está em Deus e no Senhor Jesus, que sabe tudo o que passamos. Mas é importante também entendermos que Deus pode querer usar algum instrumento para realizar a Sua obra em nós, do mesmo modo como usou uma vara para abrir o Mar Vermelho, uma pasta de figos para curar Ezequias (2 Rs 20:7) ou um pouco de vinho para a enfermidade que Timóteo tinha no estômago. (1 Tm 5:3).

Por isso é bom entender que Deus pode querer que recorremos a médicos e medicamentos para sermos curados de enfermidades como a depressão, que aflige um número cada vez maior de pessoas. Mas, do mesmo modo como a vara que Moisés usou, ou a pasta de figos de Ezequias, não podia fazer nada por si só, assim o cristão deve estar ciente de que Aquele que às vezes permite que passemos por situações de depressão como Jó e Paulo passaram só permite isso porque tem um propósito.

Esse propósito talvez não esteja muito claro na hora do problema, mas certamente um dia ficará, e então veremos que a Sua vontade foi sempre a melhor para nós. Os santos de Deus da antiguidade recorreram Àquele que podia tirá-los daquela depressão, e foram atendidos. Nós temos o mesmo Senhor a Quem recorrer.

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