As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Quem são os justos na Bíblia?

Todos aqueles que foram justificados por Deus, não aqueles que tentaram se justificar a si mesmos por atos de justiça. É um grande engano pensar que somos justificados pelo nosso modo de agir. O mais justo dentre os homens sempre será ímpio se comparado com a justiça de Deus. Veja o caso de Jó e o que um de seus melhores amigos conta que ele fazia (ele devia saber):

"Porventura não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniqüidades? Porque sem causa penhoraste a teus irmãos, e aos nus despojaste as veste Não deste ao cansado água a beber, e ao faminto retiveste o pão. Mas para o poderoso era a terra, e o homem tido em respeito habitava nela. As viúvas despediste vazias, e os braços dos órfãos foram quebrados". Jó 23

Todavia, a opinião de Deus a respeito de Jó era bem diferente:

"E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal". Jó 1:8

A opinião de Deus era vertical, baseada na Sua justificação do ímpio. A opinião de Jó era baseada na justificação horizontal, de homem para homem. É por isso que existe uma aparente discrepância entre Tiago e Romanos:

"Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?... Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.... Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?" Tg 2

Tiago falava da justificação horizontal, "mostra-me a tua fé sem as obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras". Mas em Romanos Paulo fala da justificação em seu aspecto vertical, como Deus vê o homem:

"Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei... Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus... Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça... Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado". Romanos 3 e 4

Davi também foi justificado por Deus, mas não tinha nada que pudesse fazê-lo merecer. No tempo em que os reis deviam estar guerreando ele estava em casa, dormindo até tarde, olhando uma mulher se banhando. Não satisfeito com o que tinha, ainda mandou buscar essa mulher, esposa de Urias, e a engravidou. Para encobrir seu pecado armou todo um estratagema que, por não funcionar, levou Davi a um dos mais cruéis atos que um homem pode cometer: dar à vítima, sem que ela soubesse, a carta de sua condenação para ser levada ao general no campo de batalha. No entanto, após reconhecer seu pecado (Salmos 32 e 51) e se arrepender, ele ficou livre de morrer e foi reputado por justo aos olhos de Deus.

Quando Deus olha para um dos Seus ele o vê pelas lentes de Cristo, ou através da obra na cruz do Calvário. Fora disso, não há justificação para o homem. Nossa opinião humana de justo é de alguém que anda direito e tem uma vida correta, mas quem é o justo da parábola do fariseu e do publicado? E qual dos filhos foi justificado, o pródigo, que gastou tudo e viveu dissolutamente, ou o que ficou na casa do pai?

Graças a essa justificação divina a Bíblia pode dizer que Deus "Não viu iniqüidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó" Nm 23. Não é que Israel ou Jacó não tivessem iniqüidade ou maldade, mas Deus não viu, não reputou ou levou isso em conta. Deus justificou a Jacó, mas fez isso com base no sacrifício (ainda futuro na ocasião) de Cristo e na Sua ressurreição.

Você perguntou de Ananias e Safira e eu creio que irei encontrá-los no céu, pois o próprio fato de terem sido casticados com morte é prova de que eram crentes. Escrevi algo sobre isso aqui e aqui.

O cristão sempre morre como conseqüência do pecado. Mesmo um convertido traz em seu corpo a deterioração causada pelo pecado, portanto adoecer ou morrer faz parte do processo, apenas interrompido se o Senhor voltar para buscar os Seus. Quanto a uma morte prematura, ela pode ser por causa de pecado (como aconteceu com Ananias e Safira), quando o crente já não serve para viver aqui como testemunho para seu Senhor, para servir de testemunho e para que sua morte seja um instrumento nos desígnios de Deus (Estêvão) ou simplesmente porque terminou o trabalho que Deus havia designado para ele aqui no mundo (Paulo). Nos três casos a morte não foi natural, mas por razões diferentes.

Depois de morto, o cristão não entra em juízo (não será julgado). O juízo é só para o incrédulo. Muitos fazem confusão entre o trono branco (para incrédulos) e o tribunal de Cristo (para crentes). O tribunal de Cristo não é um tribunal de julgamento para condenar ou não, mas é mais como um juri de concurso de beleza ou de calouros, para escolher a qualidade da obra de cada um e recompensar.

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