As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

Pesquisar este blog

Carregando...

Existem contradições na Bíblia?

Para o cético ou incrédulo a Bíblia pode parecer cheia de contradições, mas depois de 30 anos de leitura quase diária percebo que a maioria daquilo que é apresentado como contradição não passa de falta de entendimento.

A primeira condição para se ler a Bíblia é levar em consideração o que está escrito, quando foi escrito, para quem foi escrito, em que circunstâncias, com qual objetivo etc. Perca isso de vista e você perde o significado, não só da Bíblia, mas de qualquer outro texto.

Mas essa condição é apenas para uma compreensão intelectual. A compreensão real das Escrituras depende do Espírito Santo e a condição para tê-lo é crer. Portanto, sua real compreensão está além da capacidade do cético ou do incrédulo.

Uma aparente contradição é o modo como Judas morreu. Em Mateus 27:5 diz que "retirou-se e foi-se enforcar". Em Atos 1:18 diz que "precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram". Afinal, enforcou-se ou despencou de um precipício? As duas coisas.

Quando Barzan Ibrahim al-Tikriti, o meio-irmão de Sadam Hussein, foi enforcado, o impacto da corda estirada causou sua decapitação. Quem estivesse sobre o cadafalso diria que ele foi enforcado. Quem estava sob o cadafalso disse que ele morreu decapitado.

Judas provavelmente se enforcou em um lugar alto o suficiente para precipitar-se, com o rompimento da corda ou do que a prendia (galho, por exemplo). Depois de morto, seu corpo apresentava os ferimentos de uma queda de um lugar alto.

Algumas das chamadas contradições pelos céticos podem entrar facilmente na categoria das exceções. É o caso da proibição da confecção de imagens em Êxodo 20 e a ordem para fazer dois querubins de ouro para ficarem sobre a Arca da Aliança em Êxodo 25, ou o caso da serpente de bronze em Números 21 ou dos leões, bois e querubins que adornavam várias partes do templo em 1 Reis 7.

A primeira ordem tinha o objetivo claro da confecção de imagens com o objetivo de adorá-las, o que não se aplicava às exceções, que tinham a função de adorno. Se eu fosse um israelita na época teria facilmente interpretado que no geral imagens não deviam ser construídas, exceto naquelas condições particulares.

Qualquer contrato dos dias de hoje é escrito assim. "Cláusula tal: Haverá multa no caso do não cumprimento deste contrato etc..." "Cláusula tal: A multa da cláusula anterior não se aplicará em caso fortuito ou de força maior". Simples assim.

Algumas supostas contradições deixam dúvidas se quem as formulou tinha um mínimo de inteligência ou, pelo menos, boa vontade. Encontrei um site cujo autor considerava contradição a passagem que fala da proibição do judeu comer morcegos. "Toda a ave limpa comereis. Porém estas são as que não comereis: a águia, (...) a poupa e o morcego..." (Dt 14:13-18). O autor do site considerou uma contradição chamar morcego de ave: "Para a Ciência, apesar de voar, o morcego é um mamífero, porque mama quando pequeno".

Obviamente o versículo está classificando "aves" como animais alados, ou que têm asas, e não da mesma forma que a ciência moderna classifica. Se ele viajar à Europa, verá que a União Européia classifica a cenoura como fruta! Isso mesmo. Foi preciso fazer isso para os portugueses poderem exportar sua geléia de cenoura, já que a definição de "geléia" para receber incentivos comerciais restringia-se às feitas de frutas.

O mesmo autor que não gostou do morcego ser chamado de ave comenta o Salmo 58:8: "Como a lesma que se derrete..." Revelando ser alguém que não conhece a linguagem poética, ele ironiza: "Seria essa uma referência a um tipo de lesma medieval, já extinta?".

"Salmos" equivalem a cânticos e poemas, nos quais a linguagem poética é abundante. Então ali as lesmas "derretem", porque é o que parece acontecer ao observador comum, os campos "se alegram" e as árvores "se regozijarão" (Sl 96:12), os céus "louvam", se "alegram", "anunciam" etc.

Não é preciso muito esforço e nem inteligência acima do normal para entender isso. Agora, para não entender, aí sim é preciso uma boa dose de insensibilidade.

Se você encontrar mais alguma passagem que possa parecer uma contradição na Bíblia, escreva para mim.

Mais acessadas da semana

Loading...