As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Qual a chave para entender o Sermao da Montanha?



https://youtu.be/I2tdIn8Ha8w

A chave para o Sermão da Montanha está no primeiro versículo: Mt 5:1 "E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos".

É para os discípulos que ele fala, e não para o povo em geral. Portanto não são preceitos para as pessoas obterem a salvação, mas o padrão esperado de quem já era discípulo de Jesus para fazer parte do seu reino. É importante ressaltar que estas palavras foram ditas a judeus antes da formação da igreja, que é o corpo de Cristo formada por judeus e gentios. Elas são, portanto, dirigidas primeiramente aos súditos do Rei Jesus, caso ele não fosse rejeitado como foi.

Com sua rejeição o reino dos céus assume um novo caráter de reino com sua origem no céu, porém como estando na terra enquanto o Rei está ausente. É por isso que neste momento o Senhor fala das qualidades necessárias para se entrar no reino dos céus, mas repare que a partir de um certo ponto ele começa a falar do reino dos céus contendo pessoas que não têm estas qualidades, como nas parábolas do capítulo 13.

Aparentemente a mudança ocorre no capítulo 12, quando os judeus vão ao extremo de dizer que Jesus expulsava demônios por Belzebu: Mt 12:24 "Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios." É no capítulo 12 que ele rompe os vínculos naturais que tinha com seu povo e até mesmo com sua família: "Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe". Por isso o capítulo 13, que fala do reino dos céus já como uma mistura de joio e trigo, começa com a significativa frase: "Tendo Jesus saído de casa".

Portanto, o sermão da montanha é primeiramente um sermão que fala do reino. Lembre-se de que em nenhum lugar da doutrina dos apóstolos (dada à igreja), Jesus é chamado de Rei pelos apóstolos. A relação que ele tem com a igreja é diferente da que teve e terá com Israel e com o mundo. Os que fazem parte da igreja reinarão com Cristo sobre a terra. Os que estiverem na terra durante seu reino milenial estarão sob a regência de Jesus. Tudo isso, porém, não exime os que creram em Jesus (a igreja) de obedecerem aos preceitos ensinados por Jesus no Sermão da Montanha. Antes de continuar é importante ler o que escrevi sobre o Reino dos Céus.

Você diz ter lido o Sermão da Montanha e decidido fazer sua parte, pois se todos fizessem o que está ali o mundo seria melhor. Não é este o objetivo do sermão, pois "o mundo jaz no maligno", isto é, nada que os homens façam irá evitar que o juízo venha sobre este mundo. Se o cristão procura se comportar segundo o padrão que o Senhor ensinou é porque está neste mundo para representá-lo (Jesus está no céu por nós e nós estamos na terra por ele neste momento).

No momento presente o sermão da montanha traz preceitos válidos para todos os que professam estar sob a autoridade e senhorio de Jesus, embora o reino seja dos céus em origem, e não da terra, e o Rei esteja ausente, nos céus. Mesmo assim, ao que hoje crê a Palavra exorta a dividir (ou manejar) bem a Palavra da Verdade (2 Tm 2:15), o que implica saber, pela direção do Espírito e o discernimento que vem dele, o que é dito, quando foi dito, para que propósito foi dito, por quem foi dito, para quem foi dito etc.

Um cristão não poderia levar ao pé da letra tudo o que está no Sermão do Monte, pois há detalhes específicos para os judeus ali. Por exemplo, Mt 5:22 que nos fala do sinédrio, uma instituição judaica, Mt 5:23, 24 que nos fala do altar (só havia um altar, no Templo de Jerusalém), 5:35 que nos fala de não jurarmos por Jerusalém (por que alguém no Brasil iria jurar por Jerusalém?!) e Mt 6:14 que condiciona o perdão a perdoarmos primeiro quem nos ofendeu (Em Cl 2:12, 13 é o contrário, o perdão ao próximo vindo como consequência do perdão recebido).

Sua crítica ao que eu disse em um de meus vídeos de "O Evangelho em 3 minutos" foi expressa assim:

"Falando como você falou, você tira o estímulo das pessoas de buscarem a santificação observando os mandamentos de DEUS. Lembre-se que sem santidade ninguém verá a DEUS."

Primeiro, todo estímulo para a santificação vem do Espírito Santo que habita no crente e da gratidão por sua salvação, não como forma de se obter alguma coisa. Na verdade é preciso entender o que é santificação antes de continuarmos. A santidade posicional e absoluta o crente recebe quando crê, e sem ela ninguém verá a Deus. Isso Paulo explica isso em Coríntios. A santidade prática é a expressão dessa santidade que já recebemos. De qualquer modo, não será seguindo os preceitos da Lei ou do Sermão do Monte que você se tornará santo como Deus, mas é justamente este o padrão que Jesus exige no próprio sermão quando diz em 5:48 para sermos perfeitos como o Pai é perfeito. Você consegue isso obedecendo a Lei?

Para esta não ficar muito longa, vou deixar para comentar sobre a relação do cristão com a Lei em outro texto. Por enquanto vá meditando no fato de que nem mesmo o sermão da montanha é uma expressão da lei dada no Antigo Testamento, pois ele vai muito além. A Lei proibia matar. O Senhor proíbe até pensar em matar. A Lei proibia adulterar. O Senhor proíbe até pensar em adulterar.

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