As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Devemos isolar nossos filhos do contato com incredulos?



https://youtu.be/02OSyzMcf9o

É importante lembrar que a separação que o cristão deve ter do mundo não é uma separação monástica, como acontece nos mosteiros católicos ou entre algumas seitas rurais norte-americanas, como os Amish, que abominam a tecnologia.

A separação do cristão é uma separação moral. O Senhor não nos tirou do mundo, portanto não existe um lugar neste mundo onde estejamos livres de contaminação, ainda que a gente decida morar em um submarino ou numa caverna no Himalaia. É por isso que o Senhor lavou os pés dos discípulos. Os pés tinham contato com o mundo, fisicamente falando.

Deus quer que o cristão esteja envolvido no ambiente deste mundo, porque é lá que ele precisa testemunhar de Cristo e é lá que estão as pessoas que precisam ser salvas. Assim como Cristo está por nós hoje diante de Deus, nós estamos por Cristo neste mundo diante dos homens. Quando Ele esteve aqui foi acessível a todos.

Se Deus quisesse nos separar fisicamente da sociedade em redor Ele nos arrebataria imediatamente tão logo nos convertêssemos, pois não haveria necessidade de continuar aqui. Deus poderia enviar Seus anjos para pregar o evangelho, mas Ele decidiu enviar Seus filhos, aqueles que um dia experimentaram o perdão de seus pecados e a salvação. Os anjos que nunca caíram não sabem o que é o perdão e os anjos caídos jamais serão perdoados.

Há pais que impedem seus filhos de irem à escola, procurando com isso mantê-los incontaminados do mundo. Eu fui alcançado pelo evangelho na faculdade através de outro aluno. Esse colega começou um estudo do evangelho de João nas horas vagas, uma vez por semana, e daquelas pessoas sei que pelo menos doze delas se converteram. Quem iria pregar se os pais desse irmão tivessem decidido impedi-lo de freqüentar uma escola?

Os cristãos não são salvos para o isolamento, e a idéia de comunidades cristãs vivendo numa fazenda longínqua pode ser muito romântica, mas não encontramos isso na Palavra de Deus. O cristianismo é uma fé essencialmente urbana. Foi quando os cristãos foram dispersos de Jerusalém por causa da perseguição que o cristianismo realmente se espalhou, começando por Antioquia. É quando o cristão está no mundo (sem fazer parte dele) que pode efetivamente interferir na vida das pessoas que o cercam.

O barco navega em pleno oceano e seu dono toma o cuidado de mantê-lo hermético à entrada de água, mas não é mantendo o barco em terra firme que ele evita isso. Se o fizesse, não haveria qualquer utilidade para a existência do barco. O problema não é o barco estar no mar, o problema começa quando ele deixa o mar entrar no barco. Portanto, o cristão está no mundo, mas deve manter-se hermético para que o mundo não entre no cristão.

Se você ler o último capítulo de Romanos verá que Paulo saúda irmãos até na casa de César, ou seja, na família real. E há outros ocupando cargos públicos. O próprio apóstolo tinha suas atividades normais neste mundo, fabricando e vendendo tendas, e estava constantemente se envolvendo em encrenca por estar onde, racionalmente falando, não deveria estar. Uma hora nós o encontramos nas sinagogas dos judeus (e podemos perguntar o que ele estava fazendo lá), outra entre os ídolos gregos falando do "Deus desconhecido". O próprio Senhor tinha o seu ministério nas cidades e entre o povo, não ficando confinado e inacessível. Anote bem: você não encontra na Bíblia um cristão rural, mas um cristão urbano.

Meus filhos são adultos e foram criados no evangelho. Exceto o que é portador de deficiência e não tem entendimento suficiente para crer de forma racional, os outros dois se converteram quando ainda eram pequenos e sempre freqüentaram escolas normalmente.

É claro que tomamos alguns cuidados na época, e hoje reconheço que seria até mais difícil fazer isso nos tempos atuais, porém eles aprenderam a fazer as escolhas corretas sempre que podiam. Nós também compensávamos. Se não achávamos correto eles irem numa excursão da escola, por exemplo, a algum ambiente que não considerássemos adequado, nós inventávamos um passeio na mesma data para um lugar ainda mais interessante.

Em todas as escolas por onde passaram eles testemunharam de Cristo aos colegas. Na faculdade participavam de orações com outros cristãos nos intervalos, falavam abertamente de sua fé para professores e alunos e tinham uma vida normal de estudantes. Conheço um irmão que foi muito severo com seus filhos neste sentido (ele reconhece isso hoje) e seus 11 filhos hoje não querem nem ter contato com ele. Há netos que ele só conhece por fotos tiradas por terceiros. Será que o resultado disso é um bom testemunho de Cristo para os incrédulos?

13 Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
15 Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Estamos neste mundo para dar testemunho da verdade, mas se nosso testemunho se transformar em um empecilho e fizer com que outros passem ao largo da Palavra de Deus, para quê estamos aqui afinal?

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