As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como interpretar o Apocalipse?



https://youtu.be/LVo6oqJ9VXI

O mês passado joguei fora alguns livros que tinha em minha estante. Eram livros escritos na década de 70 e 80 que falavam de profecias, mas tentando interpretá-las por meio das coisas visíveis e boa parte das interpretações agora já caducaram. Livros assim fazem parecer que a Bíblia está errada, pois quando as interpretações do autor não se cumprem, as pessoas pensam que o problema está na Bíblia.

Esses livros se concentravam nas coisas que víamos em redor nos tempos da Guerra Fria, quando a União Soviética existia e era aquele suspense contínuo. Lembro-me de que quando morei nos EUA em 1972 via casas que tinham abrigos anti-atômicos subterrâneos no quintal. Visitei uma antiga mina de mármore desativada que você podia entrar de carro, de tão imensa que era, onde estavam empilhadas toneladas e toneladas de alimentos, camas e equipamentos para a população da cidade viver lá em caso de guerra nuclear.

Os autores que interpretavam as profecias com base no que estava ocorrendo no mundo naquele momento cometeram muitos erros, simplesmente porque os eventos ao nosso redor mudam todos os dias. Desde o princípio do cristianismo existe algum líder mundial que é a bola da vez como candidato a anticristo. Muitos papas já ocuparam essa vaga e Hitler foi o candidato mais forte do século 20. Mas também vi Mikhail Gorbachev ser identificado como o anticristo porque tinha uma marca na testa.

Outra "profetada", que são essas interpretações proféticas equivocadas, foi o código de barra. Cheguei a conhecer cristãos que se negavam a comprar qualquer produto que tivesse um código de barra na embalagem, pois o código de barra, segundo alguns autores da época, era a marca da besta.

Existe um risco muito grande em tentar interpretar a profecia por meio do que vemos no mundo neste momento, porque amanhã tudo pode ser diferente. É preciso entender que a profecia não se refere à Igreja, mas a Israel. Ela é encontrada no Antigo Testamento, nos Evangelhos (porque o Senhor Jesus primeiramente tratou com Seus discípulos como judeus) e em Apocalipse. Alguma coisa concernente à Igreja nós encontramos nas epístolas, principalmente em 1 Tessalonicenses, mas tudo o que vem a partir do capítulo 4 de Apocalipse diz respeito a Israel (exceto, obviamente, quando fala claramente da noiva do Cordeiro, que é a Igreja).

Por isso nem tudo nós, cristãos, iremos entender, porque não temos elemento para tanto. Por exemplo, o anticristo só será revelado depois da retirada da Igreja e do Espírito Santo da terra no arrebatamento (2 Ts 2), portanto qualquer exercício de "adivinhação" agora é improdutiva. Tentar interpretar a profecia com elementos atuais é o mesmo que tentar interpretar a Bíblia usando a ciência. Todos os dias a ciência faz novas descobertas e muitas afirmações de cientistas renomados são sepultadas para dar lugar a novas afirmações.

Assim é com a profecia. Tem autores que tentam interpretar os juízos de Apocalipse fazendo referência à bomba atômica, mas isso é porque bomba atômica é o máximo de destruição que conhecemos hoje. Há 500 anos alguém poderia ter interpretado usando explosões de pólvora, porque era tudo o que conheciam na época. Em um daqueles livros que joguei fora o autor dizia que os gafanhotos de Ap 9:6, 7 serão helicópteros com metralhadoras na cauda, mas isso é porque a coisa mais parecida que existe hoje é o helicóptero com metralhadora na cauda. E amanhã?

O Apocalipse é um livro de símbolos e o terreno mais seguro para entendermos a profecia é buscarmos na própria Bíblia os significados e paralelos para o que lemos lá. Por exemplo, quando lemos "a antiga serpente", vamos para Gênesis. É assim que se interpreta profecia.

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