As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Pedofilia deve ser julgada na igreja?

Sua dúvida é se a igreja católica estaria procedendo corretamente ao decidir julgar os casos de pedofilia envolvendo sacerdotes dentro da própria igreja, evitando expô-los ao público ou entregá-los à justiça comum. A dúvida, segundo você, surgiu depois de ler a passagem abaixo:

1Co 6:1-6 "Ousa algum de vós, tendo uma queixa contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Ou não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo há de ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, constituís como juízes deles os que são de menos estima na igreja? Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos? Mas vai um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos?"

A resposta vai ser um pouco mais longa do que deveria, em razão da grande confusão que armaram com termos tirados da Bíblia, como "igreja" e "sacerdote". Primeiro é preciso entender qual o significado bíblico destes termos, para depois entendermos a que julgamento o apóstolo Paulo se refere.

A palavra "igreja" nas epístolas tem dois significados. Ou é o corpo de Cristo, formado por todos os salvos, do qual o próprio Cristo é a cabeça, ou é a expressão local desse corpo, geralmente identificada nas epístolas com o nome de uma cidade ou região. Esta mesma carta do apóstolo é endereçada "à igreja de Deus que está em Corinto" 1 Co 1:2. Em Cl 1:24 o corpo de Cristo é chamado de igreja.

A igreja católica não é a igreja em nenhum desses dois sentidos, pois se trata de uma organização com sede em Roma que pretende ser universal. Além de não ser universal por não incluir todos os salvos, ela também não é a igreja que romana, ou seja, local, por também deixar de incluir todos os salvos que estão em Roma.

"Igreja Católica", "Igreja Batista", "Igreja Presbiteriana", "Igreja Assembléia de Deus" etc. são diferentes "corpos" ou corporações criadas e dirigidas por homens, que fazem o desfavor de dividir os cristãos por diferentes denominações, impedindo que sejam reconhecidos no mundo como membros do "um só corpo" de Cristo.

Rm 12:5 "assim nós, que somos muitos, somos UM SÓ CORPO em Cristo".

1 Co 10:17 "Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e UM SÓ CORPO; porque todos participamos do mesmo pão".

1 Co 12:12-13 "Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são UM SÓ CORPO, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando UM CORPO, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito".

Ef 4:3-5 "...procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há UM SÓ CORPO e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; UM SÓ SENHOR, UMA SÓ FÉ, UM SÓ BATISMO".

Além do termo "igreja" ter sido adulterado, ao ponto de significar corporações humanas, a palavra acabou também transformada em edifício de pedras ou tijolos. Daí ouvirmos expressões como "a igreja antiga foi demolida para ser construída uma nova". Algo assim jamais teria passado pela cabeça dos primeiros cristãos, tampouco pela mente do Senhor, que prometeu: "sobre esta pedra edificarei a MINHA IGREJA, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". A verdadeira igreja foi Jesus quem edificou, a igreja é dele (não do pastor fulano ou padre sicrano) e nada a pode demolir.

Outro termo que também foi adulterado é "sacerdote". Embora no judaísmo Antigo Testamento existissem sacerdotes que exerciam seus ofícios em um templo de pedras (que jamais foi chamado de igreja ou confundido com a congregação de Israel), intermediando o acesso do povo a Deus, isso não tem lugar no cristianismo.

Uma pessoa paramentada com vestes em estilo greco-romano (que é a origem do estilo das vestes litúrgicas dos sacerdotes católicos) e arvorando-se "sacerdote" é tanto uma caricatura como uma usurpação. Caricatura, por tentar imitar algo que sequer existe mais, que era o sacerdócio levítico do Antigo Testamento, usando vestes greco-romanas mais apropriadas ao culto dos deuses pagãos dos povos que as desenharam.

Na atual dispensação aprendemos que TODOS os crentes são sacerdotes e que não existe uma classe de homens mediadores entre Deus e os homens, como eram os sacerdotes hebreus. Hoje há um só homem mediador. Alguns versículos bastam para confirmar isto:

1 Tm 2:5 "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem". (Paulo diz isso eliminando qualquer outra mediação).

At 4:11 "Ele [JESUS] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos". (Pedro esclarece quem é a pedra angular sobre a qual Jesus prometeu edificar sua igreja)

1 Pd 2:5 "vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo". (Além da pedra angular, Jesus, todos os outros crentes são igualmente pedras e formam um sacerdócio santo, diz Pedro aqui).

1 Pd 2:9 "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". (Mais uma vez Pedro explica que todos são um "sacerdócio real").

Ap 1:5-6 "Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos". (O apóstolo João chama a todos os salvos de sacerdotes).

Ap 5:9-10 "Porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes". (Mais uma vez os redimidos pelo sangue de Jesus são chamados de sacerdotes pelo apóstolo João).

Tendo esclarecido que a igreja católica não é a igreja da Bíblia, e nem tem sua amplitude e universalidade ao ponto de incluir TODOS os membros do Corpo de Cristo, e também que os sacerdotes católicos não são sacerdotes (exceto aqueles que individualmente tenham sido salvos pela fé em Jesus), resta esclarecer sua pergunta sobre os casos de pedofilia.

Não é preciso ser muito observador para concluir que esse aspecto endêmico que a pedofilia possui entre os membros do clero católico é uma consequência da proibição do matrimônio. Paulo era celibatário por vontade própria, mas ele mesmo sabia que era melhor casar-se do que abrasar-se (1 Co 7:9), o que ele teria feito se assim desejasse. Não haveria impedimento algum para continuar exercendo seu trabalho missionário. Afinal, o próprio apóstolo Pedro era casado e nos evangelhos vemos sua sogra sendo curada por Jesus.

Uma das características dos apóstatas descritos por Paulo em 1 Timóteo é a proibição do casamento: "Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, proibindo o casamento". 1Tm 4:1

Voltando à sua dúvida, a passagem que fala de julgar as questões internamente entre os irmãos em uma assembléia local se refere a demandas entre irmãos, não a crimes. Veja que o texto fala de "uma queixa contra outro", não de um crime previsto pelas leis do país. Por isso refere-se a "julgar as coisas mínimas... as coisas pertencentes a esta vida... negócios..." etc.

Embora na época a pedofilia não fosse crime, pois era aceitável na sociedade greco-romana que homens casados mantivessem crianças como escravas sexuais, qualquer imoralidade era abominável entre os cristãos. Aqueles que estudaram história sabem que as leis que existem hoje condenando a pedofilia são uma consequência direta da influência cristã no mundo, inclusive entre os povos de religiões orientais ou mesmo no mundo islâmico, onde a pedofilia era tolerada até o início do século 20.

Ao contrário dos povos do passado no ocidente e oriente, em nossa sociedade moderna pedofilia é crime, portanto seus praticantes devem ser julgados pela justiça comum, e a doutrina dos apóstolos dada à igreja é clara também neste sentido.

A primeira providência de uma igreja ou assembléia local que descobrisse algum pecado grave entre os que estavam em comunhão seria excluí-lo da comunhão (excomungá-lo). Isso é tratado em 1 Coríntios 5 para um caso de imoralidade envolvendo relações sexuais entre um homem e sua madrasta. Esse julgamento, que visa a exclusão de assembléia local, não tem valor legal.

Uma vez expulso o culpado, ele nada mais tem a ver com a assembléia ou igreja em seu aspecto governamental de "casa de Deus" (ele é expulso da comunhão, não do corpo de Cristo, pois ninguém tem poder seja para fazer alguém membro da Igreja ou excluí-lo dela). Daí em diante ele não tem mais qualquer ligação com os irmãos e nem os irmãos com ele. Se ler o texto verá que ele fica numa situação pior do que um mero incrédulo, pois o apóstolo exorta os irmãos a nem se sentarem à mesa de refeições com tal pessoa. Com incrédulos a restrição não existe.

Se Deus manda tratar com tal rigor um caso de imoralidade entre adultos responsáveis e concordes, imagine com que rigor deveria ser tratada a imoralidade envolvendo um adulto e uma criança inocente, indefesa e coagida.

1Co 5:9-13 "Já por carta vos tenho escrito que não vos associeis com os que se prostituem; isso não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas, agora, escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. TIRAI, POIS, DENTRE VÓS A ESSE INÍQUO".

Se a igreja católica fosse realmente uma igreja no sentido bíblico, não só expulsaria o pedófilo, como o entregaria às autoridades. Mas, como já demonstrei pela própria Bíblia, ela não é. (Veja esta notícia: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u718684.shtml )

Sugiro a leitura deste link para um artigo de Olavo de Carvalho sobre a pedofilia. Embora eu não concorde com a inocentação do sistema católico que ele parece insinuar, sua análise da pedofilia na história e na sociedade atual é bastante pertinente.


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