As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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A seguranca da salvacao depende de mim?



https://youtu.be/j2D12MpB0MU

Recebi o link que você enviou para eu visitar o texto intitulado "Segurança da salvação". Depois de ler, vi que você indica como fonte (não sei se em parte ou no todo) a "Bíblia de Estudo Pentecostal", o que só confirma a opinião que tenho sobre as doutrinas pentecostais.

O texto já começa negando a própria Bíblia, ao citar o versículo de 1 Jo 5:13 para depois afirmar que João "não declara em parte alguma da carta que uma experiência de conversão vivida apenas no passado proporciona certeza ou garantia da salvação hoje". (grifo meu). Oras, só podemos ter uma experiência de conversão, e ela é no momento em que o Espírito de Deus nos incutiu nova vida, convenceu-nos do pecado e nos levou a crer no Salvador. Se não for essa "experiência de conversão" que me tornou salvo, qual será então?! Em seguida o autor martela a sentença final: "Supor que possuímos a vida eterna, tendo por base única uma experiência passada, ou uma fé morta, é um erro grave."

Não imagino quem seja o autor dos comentários da tal Bíblia de Estudo Pentecostal, mas certamente ele não crê na Palavra de Deus. Por que? Oras, o próprio João está afirmando que escreveu sua epístola para dar a certeza da salvação aos que um dia foram salvos pela fé em Cristo e em Seu sacrifício único na cruz. “Estas coisas vos escrevi, PARA QUE SAIBAIS QUE TENDES A VIDA ETERNA e para que creais no nome do Filho de Deus.” 1 Jo 5:13 Imagine alguém chegar para João e dizer: "Puxa, João! Que ótimo o que você escreveu! Agora sei que tenho a vida eterna!" Então João responderia: "Não, meu amigo, você entendeu mal: eu escrevi para você saber que tem a vida eterna, mas só quando você tiver alguma outra experiência que não seja sua experiência passada de conversão".

Então vem o resto do texto onde o autor segue tentando desconstruir a certeza que João dá aos que creram em Jesus e isso só deixa claro que enquanto o cristianismo tiver o pentecostalismo como amigo, não irá precisar de inimigos. O texto mostra 9 maneiras de sabermos que estamos salvos, o que na verdade coloca 9 dúvidas para tornar miserável a vida de um crente sincero que acredite no que o autor escreve ali. Aliás, 8, porque a única declaração correta é a primeira, onde ele diz que temos a certeza da vida eterna quando cremos "no nome do Filho de Deus".

Quem escreveu os comentários dessa Bíblia de Estudo Pentecostal teria feito um grande favor se tivesse parado de escrever neste ponto. Mas infelizmente ele continuou e destruiu aquilo que é justamente o que diferencia o cristianismo de todas as religiões: a salvação (e a certeza dela) unicamente pela fé na Pessoa e obra de Cristo. Vamos aos outros itens.

Em seu tópico número 2 ele diz: "Temos a certeza da vida eterna quando... guardarmos os seus mandamentos". O autor não entendeu que a vida eterna é a vida que vem de Deus e concedida àquele que nasceu de novo, nasceu de Deus. Essa nova vida é perfeita aos olhos de Deus e não poderia fazer outra coisa, a não ser guardar os mandamentos. Mas o velho homem, ou a carne ou velha vida que temos em nós (que é chamada de morte na Bíblia) é incapaz de guardar qualquer mandamento que seja. Foi isso que a Lei mosaica provou.

O autor continua com o tópico 3: "Temos a certeza... quando amamos o Pai e o Filho, e não o mundo". Mais uma vez o autor falha no entendimento do que é ser nova criatura. A velha natureza que permanece em nós depois da conversão continuará amando o mundo, infelizmente, e não há como mudar isso a não ser que andemos na nova vida. Não é deixar de andar na carne, mas andar no Espírito; não é tentar fazer o velho homem adotar novos padrões de vida, mas considerá-lo como ele é - morto - que não cumpriremos suas concupiscências!

Gál 5:1617 Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

Para não me alongar, nos outros tópicos, vou resumir. Ele continua dizendo que "temos a certeza da vida eterna quando... praticamos justiça, e não pecamos; quando amamos os irmãos; quando estamos conscientes da habitação do Espírito Santo; quando nos esforçamos para seguir o exemplo de Jesus e viver como ele viveu; quando permanecemos na Palavra; quando sentimos um desejo intenso e inabalável pela volta de Jesus". A lista, com vários versículos, a maioria fora do contexto, termina com "Aquele que perseverar até o fim será salvo" (em seu contexto este versículo de Mt 24:13 está falando de salvação para entrar no Reino vivo, sem morrer durante a grande tribulação - é salvação do corpo, não eterna).

A lista do autor nada mais é do que uma Lei disfarçada: se fizer isto, aquilo e mais aquilo outro, então você pode ter a certeza da vida eterna. Oras, a menos que eu seja um grande hipócrita, nunca poderei ter certeza alguma, porque quem jamais poderia afirmar que pratica a justiça, não peca, ama os irmãos, vive como Jesus viveu e deseja a vinda do Senhor 24 horas? Se não entendermos que o novo homem, nascido de Deus, já vem com todos esses predicados, e seria impossível ser diferente (e João fala do novo homem em sua carta), vamos passar o resto da vida tentando ser salvos, algo que a Lei já mostrou ser impossível.

O texto é o típico caso do barqueiro que joga a âncora para dentro do barco, tentando encontrar em si alguma segurança e certeza. Não, a âncora precisa ser lançada fora do barco, é fora de nós que está a certeza e a segurança de vida eterna - é em Cristo que nossa âncora precisa estar. Tudo o que vemos é a corda, a fé que nos diz que lá no fundo estamos bem ancorados na Rocha, e não em nós mesmos. A âncora daquele que crê em Cristo está no céu, firme nAquele que não pode falhar, e não em nós mesmos, sujeitos a tantas falhas.

Heb 6:18-20 Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu, Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

Rogo que leia os excelentes "Segurança, Certeza e Gozo da Salvação Eterna", "As 2 Naturezas no Crente" e também "Nunca!". Sem estes textos os meus comentários ficarão incompletos, já que não apresentei muitas bases bíblicas aqui para não me alongar demais. Os textos complementares falam por si.

Enquanto isso, dê um fim nessa Bíblia de Estudo Pentecostal porque ela traz veneno misturado com alimento. Lembre-se de que veneno de rato é 99% milho e 1% estricnina, o suficiente para matar. É triste quando se usa uma Bíblia para insinuar doutrinas errôneas e malignas. Lembre-se também de parar de olhar para si na busca por algum sinal de que esteja salvo eternamente, a menos que goste de ser hipócrita e fazer pose de salvo por suas próprias obras. Você não vai encontrar essa segurança em si mesmo ou no seu modo de andar, mas só em Cristo e naquilo que Ele já fez de uma vez por todas.

O pentecostalismo prega um evangelho de salvação por obras, por isso fica até difícil você pregar esse tipo de evangelho para uma pessoa e dizer a ela que a salvação está em Cristo, e é pela fé nEle e em Sua obra que a pessoa será salva. O que você dirá se ela perguntar se você tem certeza da sua salvação? Baseado na lista que o autor deu, se afirmar que sim, estará sendo hipócrita e mentiroso, porque tenho certeza de que você não seria capaz de assinalar todos os ítens como missão cumprida. Se disser que não tem certeza porque ainda está fazendo a lição de casa, o outro poderá argumentar: "Então volte a falar comigo quanto tiver essa certeza, porque como quer que eu acredite em algo que nem você está seguro se vai funcionar para você no final?"

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