As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como pode haver joio no reino dos ceus se existem condicoes para se entrar nele?



https://youtu.be/Hya93ux8LQs

Sua dúvida é por encontrar passagens que mostram que o mal entrou no reino dos céus, enquanto em outras o Senhor ensina condições rigorosas para se fazer parte dele. É importante que você tenha entendido que o "reino dos céus" não é o céu. Agora é preciso entender que ele existe sob diferentes aspectos e em diferentes momentos. Para melhor explicar isso vou traduzir um texto do "Concise Bible Dictionary" que mostra bem a diferença entre o Reino dos Céus em seu caráter atual e em seu derradeiro caráter, para o qual o Senhor estabelece algumas condições para se fazer parte dele.

Em Daniel 2:44 está previsto que "nos dias desses reis [as dez divisões do quarto reino, o Império Romano revivido], o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre" (veja também Daniel 7). O "reino dos céus" foi anunciado por João Batista e pelo Senhor como tendo "próximo" (Mt 3:2; 4:17), mas o Senhor declarou que o "chegou a vocês o reino de Deus" (Mt 12:28). Em muitos aspectos as duas expressões são idênticas, mas o "reino dos céus" ocorre no evangelho de Mateus somente, e está em contraste com a presença do Messias na terra. Ele se refere às regras daquilo que Deus estabeleceu nos céus, e começou quando Cristo foi para os céus. Ele pode ser ilustrado pelas luzes que Deus colocou nos céus para proporcionarem luz e governarem a terra. O "reino de Deus" está mais conectado com o estado moral estabelecido no homem.


Quando os judeus rejeitaram seu rei, o reino não foi estabelecido de forma manifesta naquele tempo e continua assim mantido em oculto. Enquanto isso trata-se do reino e da paciência de Jesus Cristo (Ap 1:9). Cristo é representado como tendo partido para receber o reino, e então retornar (Lc 19:12). Enquanto isso o reino tem existido em uma forma misteriosa (Mt 13:11). Existem multidões que professam obediência a Deus e ao Senhor Jesus, e que buscam nos céus pelo trono de onde vêm todas as bênçãos, enquanto vivem em um mundo no qual Satanás é deus e príncipe. Mas para os santos o reino de Deus é bem real. Pela fé eles o veem em seu poder. Justiça, paz e alegria são características do reino e já pertencem aos santos que desfrutam do Espírito Santo (R, 14:17). É neste sentido que o reino de Deus costuma ser mencionado nas epístolas. Uma pessoa precisa nascer de novo para entrar no reino (Jo 3:3,5), mas esta ideia é distinta da forma que o reino assumiu no presente, e das dimensões que ele toma nas mãos dos homens.


As parábolas nos evangelhos descrevem a form e objetivo do reino enquanto o Senhor está ausente. Em Mt 13 o Senhor fala quatro parábolas às multidões; então Ele dispensa o povo e explica a parábola do joio e do trigo aos seus discípulos, acrescentando três parábolas relacionadas ao caráter secreto do reino. Ali é demonstrado que o mal seria encontrado no reino, mas que Cristo eventualmente enviaria os Seus anjos para recolher de Seu reino tudo o que fosse ofensivo; então o reino seria estabelecido em poder pelo Senhor Jesus assentando-se em Seu próprio trono, e reinando supremo como Filho do homem sobre a terra, terminando com Ele entregando o reino ao Pai, para que Deus seja tudo em todos (1 Co 15:24, 28). As características morais adequadas ao reino são dadas no Sermão da Montanha, e seus princípios e sua ordem em Mateus 18.


O reino não deve ser confundido com a igreja. No reino o trigo e o joio crescem juntos até a colheita, mas na igreja uma pessoa ímpia deve ser colocada fora da comunhão (1 Co 5:13). Pode parecer que existe uma semelhança entre a igreja professa e o reino, mas as ideias não são as mesmas. O reino é a esfera do governo de Cristo, enquanto a igreja é o lugar da habitação de Deus pelo Espírito. Tampouco o tempo da igreja e do reino na terra são os mesmos: o reino será estabelecido em poder após o arrebatamento da igreja, e continuará durante o milênio. O cristão, além de compartilhar dos privilégios da igreja, também tem privilégios e responsabilidades relacionados ao reino. A cada indivíduo é dado uma "mina" ou dinheiro (Lc 19:12-24), ou, sob outro aspecto, um ou mais talentos (Mt 25:14-28), sendo ele responsável em utilizá-lo para seu Senhor e Mestre, e do qual ele terá de prestar contas no futuro. O lugar do cristão no céu é por graça, independente de suas obras, mas sua recompensa ou galardão no reino será de acordo com sua fidelidade ao seu Senhor.

Traduzido do  "Concise Bible Dictionary" por Mario Persona

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