As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Sera' que nao estou congregado ao nome do Senhor?



https://youtu.be/gmSTrEvt5oY

Você escreveu em dúvida se deve ou não deixar o lugar onde costuma se congregar. Segundo você, à medida que os anos foram passando você foi notando cada vez mais incoerências na prática dos irmãos quando comparadas com a Palavra de Deus.

Segundo você, existe uma liderança de homens que claramente divide os irmãos entre clero e leigos, estes últimos sujeitos a não questionarem as decisões dos líderes. Apesar de não existir uma denominação, você decidiu sair e visitar outra congregação também sem denominação e acabou reparando que existiam os mesmos problemas.

O fato de um grupo dizer que está congregado em nome do Senhor somente não é garantia que isto ocorra de fato. Não basta "se congregar", é preciso que "estejam congregados" pelo Espírito, e isto demanda que o Senhorio de Cristo seja reconhecido e a Palavra de Deus seja obedecida naquilo que se refere ao modo como congregar.

Existem muitos grupos que dizem reunir somente ao nome do Senhor, mas nem sempre é o que acontece. Quando não são apenas "denominações sem nome", com um pastor à frente, podem ser grupos que se originaram de pecados e divisões ocorridos no passado entre os irmãos reunidos somente ao nome do Senhor. Quando o pecado entra e permanece não julgado em um testemunho, a presença do Senhor sai.

Devo alertá-lo, porém, que se você pensa em sair de onde está por causa dos irmãos daí, então acabará indo reunir em algum outro lugar por causa dos irmãos de lá, o que acabará dando na mesma. Seu interesse estará na comunhão com os irmãos, amizade, amor e respeito mútuos etc. Tudo isso é muito bom, mas ainda não é o motivo pelo qual devemos congregar.

O único motivo deve ser o Senhor, porque quando é o Senhor que está no meio de onde estamos congregados, ainda que existam falhas nos irmãos, nós continuaremos em comunhão com o Senhor e o motivo de estarmos congregados será o Senhor no meio.

Alguns sinais, porém, podem indicar que o Senhor não está no meio conforme prometeu, pois ele não iria compactuar com o erro. Alguns desses erros são ter um clero, ter pecado não julgado pela assembleia, ter uma denominação que divide os crentes, ter um espírito de independência (não existe independência em um corpo), etc.

Quando o Senhor prometeu estar no meio de dois ou três congregados ao seu nome, ele não quis dizer que qualquer grupo de amigos que desejasse se reunir segundo suas próprias ideias garantiria a presença do Senhor no seu meio. Em uma empresa, para que uma reunião seja considerada uma "assembleia" da empresa, é necessário que alguns pré-requisitos sejam obedecidos, como ter um presidente dirigindo a reunião, uma secretária escrevendo uma ata, a publicação dos resultados da reunião, os participantes submissos à ordem do presidente etc. Se é assim numa empresa humana, por que iríamos achar que qualquer bate papo informal entre dois ou três cristãos poderia ser uma reunião ao nome do Senhor e contar com sua presença?

Vou listar abaixo alguns tópicos que o ajudarão a julgar quando uma reunião NÃO é ao nome do Senhor e, portanto, não poderá contar com a garantia da presença dele no meio. Sugiro que confira na Palavra o fundamento destas afirmações. Estes pontos foram extraídos e adaptados de "A Ordem de Deus" - www.aordemdedeus.blogspot.com e você fará bem se ler o livro inteiro, no site ou baixado para seu computador, e-reader ou smartphone.

  • Existe um nome ou denominação além do nome de Jesus a identificar aqueles cristãos de um modo que os torna distintos de outros irmãos. (1 Co 1:10; 3:3; 11:18-19; Mt 18:20; 1 Co 5:4).
  • Existe um templo (geralmente chamado de "igreja") e outros elementos que são claramente do judaísmo e não são encontrados na doutrina dos apóstolos, como altar, "Santíssimo Lugar", vestes eclesiástias, objetos santificados e muitas outras coisas que o apóstolo exortou os cristãos a abandonarem e saírem "fora do arraial" do judaísmo. (Hb 10:19-20; 13:13; Jo 4:23-24)
  • Existem símbolos e objetos de adorno que substituem os elementos judaicos por elementos de tradição cristã, mas sem qualquer fundamento na doutrina dos apóstolos, como torres, sinos, cruzes etc.
  • Existe um homem ou uma mulher dirigindo as reuniões, suprimindo o papel do Senhor, por meio do Espírito Santo, que é o único que devia fazer isso (Fp 3:3; Jo 4:24; 16:13-15). Tente encontrar algum dirigente humano nas instruções dadas em 1 Coríntios 14:26 em diante, que começa dizendo: "Que fazer, pois, irmãos? QUANDO VOS CONGREGAIS, cada um de vós tem..." Veja também 1 Co 12:11 e Fp 3:3.
  • Existe uma programação pré-definida estipulando quem vai falar, o que vai falar, quem vai cantar, o que vai cantar etc., portanto sem a dependência do Senhor que, por meio do Espírito, deveria escolher quem ele quisesse para trazer o que estivesse na programação de Deus, não dos homens, pois somente ele sabe de que aquela congregação precisa naquele momento. Alguns grupos que se dizem congregados ao nome de Jesus chegam a ter um estudo previamente impresso e enviado por sua sede a todas as congregações do mundo para estudarem a mesma mensagem no mesmo dia. O catolicismo também faz assim com folhetos entregues na entrada dos cultos.
  • Existe uma "adoração" ou "louvor" que não é de toda a congregação, mas apenas de um coral, banda, grupo de cantores ou músicos, enquanto os outros apenas assistem como se fosse um show musical. Em alguns lugares celebridades são contratadas mediante cachê para darem testemunhos.
  • Existem instrumentos musicais usados na adoração, como se o Espírito de Deus em cada crente não fosse suficiente para elevar um louvor a Deus, fazendo com que o louvor se torne mecânico e dependente de tecnologia e energia elétrica, ao invés de necessitar apenas corações gratos elevando suas vozes em adoração. (At 17:24-25).
  • Existem orações decoradas ou lidas em livros de oração, as quais caracterizam as "vãs repetições" que o Senhor claramente condenou. (Mt 6:6-8; Tg 5:16; Sl 62:8).
  • Existe uma ceia que é celebrada mensalmente, anualmente ou em qualquer outro intervalo diferente do costume dos primeiros cristãos, ou seja, "no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão..." At 20:7.
  • Existem mulheres falando, pregando ou ensinando publicamente, em desobediência à ordem do Espírito de que as mulheres permaneçam caladas nas igrejas (1 Co 14:34-38; 1 Tm 2:11-12).
  • Existem mulheres orando e profetizando (ministrando a Palavra) com a cabeça descoberta, ao contrário do que ensina 1 Co 11:1-16.
  • O ministério da Palavra fica restrito àqueles que ocupam determinados cargos, como "pastor" ou "ministro", sem liberdade para que o Espírito use os dons conforme lhe apraz (1 Co 12:6, 11; 14:24, 26, 31).
  • Os "ministros" são ordenados por uma comissão de homens ou formados em uma escola de teologia para poderem ministrar, em clara desobediência à instrução do Espírito em 1 Co14:31 que diz "Porque TODOS podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados".
  • Existem títulos honoríficos para identificar as pessoas à maneira como o mundo usa "Dr.", "Professor" etc., como "Pastor", "Reverendo", "Padre" etc., sendo o "Pastor" identificado como o dirigente da congregação, e não como um dentre muitos dons, e o "Reverendo" levando este título que só cabe a Deus. (Ef 4:11; Jó 32:21-22; Mt 23:7-12)
  • É praticado o dízimo, um costume claramente relacionado à Lei dada a Israel, quando o ensino para a igreja foi de coletas, as quais não eram para assalariar algum "Pastor", mas para as necessidades dos santos. (Lv 27:32, 34; Nm 18:21-24; 3 Jo 7)
  • O ensino vem da "igreja" ou organização, e não dos dons com é claramente demonstrado na Bíblia (At 11:26; Rm 12:7; Ap 2:7, 11, 17, 29; 3:6, 13, 22; 1 Ts 5:27)
  • O pecado não é julgado ou isto é feito apenas com pessoas menos proeminentes, enquanto líderes, "pastores" ou aqueles que trazem um dízimo mais polpudos são poupados de qualquer julgamento por parte da assembleia. Em alguns lugares, quando é o "pastor" quem está envolvido em pecado, a organização simplesmente o transfere para um lugar onde ninguém o conheça. 1 Co 5 deixa muito clara a responsabilidade da assembleia em julgar o mal e excomungar (excluir da comunhão) aqueles que caíram em pecado (1 Co 5). 

Como pode ver, não basta apenas a boa intenção de um grupo de cristãos para se declararem congregados ao nome do Senhor. O Senhor não irá compactuar com práticas que são claramente contrárias ao ensino do Espírito Santo em sua Palavra, portanto não se pode contar com essa presença a menos que exista um exercício sincero de se buscar na Palavra como fazer as coisas, e não simplesmente acatar a tradição de décadas ou séculos de religião humana.

Quando o Senhor Jesus convidou os discípulos a celebrarem a páscoa juntos ele deu instruções bem específicas: entrar na cidade, seguir um homem com um cântaro, chegar a uma casa, perguntar pelo cenáculo mobilado e aguardar ali que ele se colocaria no meio deles. Naquele dia praticamente em cada casa de Jerusalém haveria pessoas celebrando a páscoa judaica e os discípulos poderiam ter ido parar em qualquer uma se não tivessem seguido as instruções. Hoje há muitos lugares que os homens criaram ao seu bel prazer, mas o cristão sincero deve fazer ao Senhor (e à sua Palavra) a mesma pergunta que os discípulos fizeram: "Onde queres que a preparemos?" Lc 22.

por Mario Persona

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