As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que significa "pagar o ultimo centavo"?



https://youtu.be/V1_iEG9hSTo

A passagem que gerou sua dúvida está em Lucas 12:54-59, e já posso lhe adiantar que ela nada tem a ver com alguma espécie de purificação pós-morte. A passagem diz: "E dizia também à multidão: Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim sucede. E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim sucede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo? E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo? Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura livrar-te dele no caminho; para que não suceda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão. Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro ceitil [ou centavo]." (Lc 12:54-59).

Como estamos nos Evangelhos, e estes foram dirigidos primeiramente aos judeus que deveriam receber seu Messias, porém decidiram rejeitá-lo, é sempre importante entender o caráter dispensacional da passagem e sua relação com Israel. Jesus está se referindo à sua vinda, e depois de expressar os princípios que deveriam prevalecer em seu Reino, dirige-se certamente aos fariseus, pois começa a passagem chamando-os de "hipócritas". William Kelly explica da seguinte maneira:

"Os homens eram bons para julgar os sinais do clima; eram sagazes o suficiente para formarem uma opinião quanto àquilo que observavam, mas eram um tremendo fracasso em julgarem aquilo que somos como seres humanos. O homem não consegue julgar aquilo que está moralmente acima dele; fazer um julgamento daquilo que lhe diz respeito em seu relacionamento para com Deus; em julgar o que concerne seu futuro eterno. Nestas coisas eles falharam miseravelmente, e eram hipócritas. Seu amor pelo mal tapavam seus olhos com um véu de aparência religiosa e os tornava cegos. O amor por seus próprios interessas faziam com que fossem rápidos em discernir e praticar tudo o que dizia respeito às coisas desta vida. Mas falhavam completamente em suas consciências, e por isso o Senhor passa a reprová-los. O problema não estava apenas no fato de serem cegos para os sinais que Deus dava exteriormente, mas por que não podiam eles por si mesmos julgar aquilo que era o correto? Esta linguagem é peculiar de Lucas. Mateus fala dos sinais exteriores que Deus tinha prazer em apresentar a eles, mas não tinham olhos para isso. Somente Lucas fala da responsabilidade de julgamento partir deles próprios, e não apenas basear-se num julgamento que já lhes chegava pronto de fora para dentro. A verdade é que tudo no interior deles estava errado, portanto não julgavam o que era certo.

Israel passava agora por seu julgamento, pois é aqui um obstáculo. Havia uma oportunidade de o povo ser liberto, mas será que iriam recusar? Será que jogariam fora essa oportunidade? Eles precisam aproveitá-la, já que não havia da parte deles diligência em serem achados dignos de merecer aquilo que Deus agora lhes garantia, pela presença de Jesus. Caso contrário a justiça seguiria o seu curso e eles seriam arrastados ao juiz, e o juiz certamente iria entregá-los ao meirinho e este lançá-los na prisão. O resultado seria que nunca poderiam sair dali até que tivessem pago o último ceitil. E isto é, na verdade, o que acabou ocorrendo com a história dos judeus. Eles continuam na prisão e não sairão dessa condição até que toda a dívida seja paga na forma de um castigo imposto por Deus, uma vez que o Senhor irá declarar que Jerusalém recebeu da mão de Deus o dobro por todos os seus pecados. Mas Deus não permitirá que Israel sofra mais. A misericórdia de Deus irá assumir a causa de seu povo no último dia, e sua mão irá executar plenamente aquilo que sua boca prometeu desde o princípio" - William Kelly em "Notes on the Gospel of Luke - The Bible Treasury".

"Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniqüidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados." (Is 40:2).

Se os judeus entendessem a importância do momento em que viviam, e estivessem prontos para identificar isso como identificavam as mudança climáticas, iriam logo fazer as pazes com o adversário deles, no caso aqui representado por Deus, de quem todo ser humano é inimigo. "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida." (Rm 5:10). "E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim." (Lc 19:27).

A Bíblia tem uma só interpretação, mas muitas aplicações. E podemos também pedir licença para usarmos a passagem de uma forma mais pessoal e evangelística, e não dentro do contexto dispensacional relacionado aos judeus, que foi a intenção inicial do Espírito que a inspirou.

Lemos aqui de "magistrado", "meirinho", "adversário, "juiz", "prisão" e "fiança". A passagem usa termos extraídos dos sistemas judiciais humanos, porque é diante de um Juiz que todo aquele que não se converter irá se apresentar. Será um processo tão cristalino que não haverá qualquer dúvida de que o réu é culpado e digno de ser lançado nas prisões eternas, ou seja, no lago de fogo. A expressão "não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro ceitil" é facilmente entendida quando lida no contexto de todo o plano divino, que mostra o homem pecador como não tendo condições de atender as santas demandas de Deus. Ou seja, ele nunca será capaz de pagar a tal fiança porque não possui recursos de si mesmo. Para todo pecador, nascido nessa condição por causa do pecado de Adão, vale o que foi dito ao Rei Belsazar em Daniel 5:27: "Pesado foste na balança, e foste achado em falta."

Portanto, o significado aqui é de buscar o quanto antes a reconciliação com Deus porque se precisar enfrentar o Juiz não terá mais escapatória. A passagem nada tem a ver com um suposto purgatório ou expiação de pecados por meio de sofrimentos, orações ou boas obras. A doutrina católica do purgatório não é muito diferente do espiritismo e sua ilusão de reencarnação, e o diabo usa essas coisas para enganar as pessoas com a ilusão de que poderão purgar seus pecados depois ou voltar para pagá-los numa próxima vez. Uma vez vi o cartaz de um filme espírita que tinha um título mais ou menos assim: "Sempre existirá outra chance".

Como todo ser humano gosta de deixar as coisas para depois nem é preciso dizer que preferem essas doutrinas. A grande preferência das celebridades pelo espiritismo é explicada pela vida dissoluta que muitas delas levam e não querem deixar de levar. Acham que deixando para depois, ainda que sejam conduzidas ao "juiz" e este as entregue ao "meirinho", e o meirinho as "encerre na prisão, vivem na ilusão de que lá terão a chance de pagar a fiança, ou "o derradeiro ceitil".

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." (Mt 11:28); "Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." (Jo 6:68)

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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