As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O capitulo 24 de Mateus fala da Igreja?



Não, o capítulo 24 de Mateus é bem específico de Israel, em especial do remanescente de judeus fieis que irá se converter após a Igreja deixar a terra. Muitos têm dificuldade para entender a profecia por não discernirem o lugar distinto que Israel e Igreja ocupam nas Escrituras e nos propósitos de Deus. O capítulo 24 de Mateus e outras passagens que falam da tribulação costuma ser conectado à Igreja na terra, mas isso é um erro. De um modo geral, este capítulo trata do futuro, do tempo da tribulação e vinda de Cristo para Israel. A Igreja, que é formada por todos os salvos, será arrebatada antes do tempo ou período da tribulação, como vemos em Apocalipse 3:10: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” Repare que “hora” na passagem é um período de tempo bem definido.

O capítulo 24 do Evangelho de Mateus trata do remanescente judeu que testemunhará e pregará o Evangelho do Reino durante o período dos cerca de sete anos que se seguem ao arrebatamento da Igreja. Ao contrário do que muitos pensam, o verbo “levar” que aparece nos versículos 40 e 41 deste capítulo nada tem a ver com o arrebatamento, mas está ali fazendo um paralelo com os que foram “levados” pela morte no dilúvio. É preciso ler o contexto a partir do versículo 37 para entender:

“E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.” (Mt 24:37-41)

Muitos tentam aplicar estes versículos ao arrebatamento da Igreja, mas isso é tirá-los de seu contexto. O contexto é o assunto ao qual o Senhor vem Se referindo nos versículos anteriores, ou seja, o dilúvio "levou a todos"; um ato judicial — a morte — ceifando vidas. Da mesma forma, quando Cristo vier para reinar (no final da grande tribulação), a morte passará ceifando a muitos; "levando" a muitos. Os que ficarem vivos entrarão no milênio, mas não serão cristãos como os conhecemos hoje e nem farão parte da Igreja, que já terá sido levada para o céu. Eles serão judeus (e também gentios) que se converterão durante aquele período e que nunca escutaram o evangelho antes, ou não tinham idade suficiente para compreendê-lo.

A palavra "evangelho" que aparece no capítulo é também frequentemente mal aplicada. Mateus 24.14 fala do "evangelho do reino" e não do "evangelho da graça de Deus" (At 20:24). Há muitos que pensam que é necessário que o evangelho da graça seja pregado por todo o mundo para que Cristo volte para buscar sua Igreja. Mas não é o que diz a passagem; ali está falando do "evangelho do reino". Cristo virá buscar Sua Igreja após a conversão do último eleito antes da fundação do mundo para fazer parte dela. Ele virá buscar os que são seus: os santos celestiais. Aí é dada por encerrada a pregação do evangelho da graça, que tinha sido pregado enquanto a Igreja encontrava-se na Terra. "Crê no Senhor Jesus e serás salvo" é o evangelho da graça que hoje pregamos. "Arrependei-vos que o reino está próximo" é o evangelho do reino, o mesmo que foi pregado por João Batista e por Jesus e seus discípulos quando ele andou aqui, e que será pregado por um remanescente fiel que se converterá após o arrebatamento, sendo por isso perseguido ferozmente.

Outra ideia errônea, de que alguns crentes menos espirituais ou menos maduros seriam deixados para sofrerem na grande tribulação numa espécie de purgatório na terra, perde o sentido com apenas uma passagem: "Por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade" (1 Ts 2:11-12). Aqueles que ouviram o evangelho e não creram não terão uma segunda chance. O próprio Deus fará com que creiam na mentira do diabo. Todos os que fazem parte da Igreja têm o Espírito Santo, e, juntamente com o Espírito, serão tirados da Terra quando Cristo vier. Toda a Igreja será arrebatada; Cristo não deixará um "pedaço" da noiva aqui. Hoje, se alguém “não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9); nunca creu e não está salvo.

Alguns tentam ainda usar Apocalipse 12 para dizer que a Igreja passará pela tribulação, mas aquele capítulo não fala da Igreja. Esta desaparece do Apocalipse no final do capítulo 3 para só voltar a ser vista no final do livro, nas bodas do Cordeiro. Nesse meio tempo Deus estará tratando com Israel e com as nações na terra. A "mulher" de Apocalipse 12 é Israel e o "varão" é Cristo, aquele que há de reger com vara de ferro e que foi arrebatado para Deus, para o seu trono (Ap 12:5).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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