As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que e' a "doutrina de Cristo"?



https://youtu.be/cGuAObmpsSg

O que seria a "doutrina de Cristo"? Esta é uma expressão que encontrei duas vezes na Bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida, mas que aparentemente só deveria aparecer uma vez. Digo isto porque uma delas, em Hebreus 6:1, parece não ter sido traduzida adequadamente para o português. Na versão de João Ferreira de Almeida diz: "Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus..." . Outras versões mais fiéis ao original trazem: "deixando a doutrina dos princípios elementares de Cristo" (Tradução Brasileira), "leaving the word of the beginning of the Christ" (J. N. Darby), "deixemos agora as instruções elementares sobre Cristo" (CNBB), "deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo" (NVI), etc.

O assunto da passagem são os rudimentos da fé cristã, que já haviam sido ensinados pelos profetas do Antigo Testamento muito antes da vinda de Cristo e eram também os mesmos no judaísmo. Coisas como "arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno" eram ensinos já conhecidos, mas obviamente não abarcavam tudo o que se pode conhecer de Cristo, portanto não poderiam ser apropriadamente chamados de "doutrina de Cristo". Por isso o autor de Hebreus nem se preocupa em levar adiante esse ensino por acreditar que aqueles hebreus, criados no judaísmo, já sabiam aquelas coisas. No versículo 6 ele diz: "E isto faremos, se Deus o permitir".

A outra passagem onde a expressão "doutrina de Cristo" é usada é mais acurada em sua tradução e significado. Ela diz: "Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo... Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina [de Cristo], não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." (2 Jo 1:7, 9-11).

Podemos recorrer a outras passagens do ministério do mesmo apóstolo João, aquele que em seu evangelho já tinha se concentrado na divindade de Cristo, para entendermos melhor a "doutrina de Cristo". Ela é a que revela que Cristo é o Filho Eterno de Deus encarnado, Deus e Homem. João se refere "à divindade do Senhor, sua Humanidade perfeita, sua vida impecável na terra, sua morte expiatória na cruz do Calvário, sua ressurreição de entre os mortos, sua vinda outra vez, o testemunho que Cristo dá das Escrituras e o testemunho que as Escrituras dão de Cristo. É muito evidente que a 'doutrina de Cristo' é algo muito vital e fundamental concernente à Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo" ("The Doctrine of The Christ", por A. J. Pollock)

Para complementar a passagem de 2 João 1:9-11 podemos recorrer a outras passagens das cartas do mesmo apóstolo para entender a "doutrina de Cristo" à qual ele se referia. Em sua primeira carta ele escreve: "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo." (1 Jo 3:1-3).

Confessar que "Jesus Cristo veio em carne" é admitir que ele é Deus pré-existente, porque para "vir" era preciso estar antes em algum outro lugar, ou seja, fora do mundo no qual Jesus nasceu. Jesus é a resposta à pergunta feita em 2 Crônicas 6:18: "Habitará Deus com os homens na terra? Eis que os céus, e o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado?". Sim, Deus veio habitar com os homens quando "o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1:14).

O interessante é como a "Young's Literal Translation" de 1898 traz esta passagem: "And the Word became flesh, and did tabernacle among us". Outra edição, a "Literal Translation of the Holy Bible" de 1976 por Jay P. Green, Sr. traz assim: "And the Word became flesh and tabernacled among us". Em português seria algo como "o Verbo" ou "a Palavra se fez carne e tabernaculou entre nós", ou seja, acampou em uma tenda de carne, uma clara referência ao Tabernáculo, a habitação de Deus na peregrinação de Israel pelo deserto. Aquele estágio da encarnação de Jesus foi passageiro, pois ele iria morrer e ressuscitar em seu corpo de carne e ossos, mas não mais sujeito às limitações do corpo humano natural. Hoje existe um Homem de carne e ossos no céu, o protótipo ou "primícias" da nova criação.

É por isso que somos exortados a olhar para Cristo em sua condição atual, e não na fraqueza de seu corpo de carne quando andou aqui: "Ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo" (2 Co 5:16) e "Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos" (Hb 2:9).

O evangelho de João começa com a afirmação: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." (Jo 1:1-3). Até uma criança é capaz de entender que, se todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez, obviamente ele não poderia ser uma criatura como um anjo ou arcanjo, ou ter criado a si mesmo, como alguns costumam pensar. Jesus é o a segunda Pessoa da Trindade contida na expressão plural "Elohim" da Criação em Gênesis. Ele é o mesmo Jeová que se manifestou ao povo de Israel do Antigo Testamento, e que veio habitar em um corpo de carne. Ele é o mesmo Filho do Homem que voltará como Juiz para julgar os vivos e os mortos.

"Sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." (1 Jo 5:20).  Esta é a "doutrina de Cristo" à qual João se refere. Diante dos ataques constantes de seitas como as Testemunhas de Jeová, Mórmons, Kardecistas e outros, tenha sempre em mente que "todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho." (2 Jo 1:9). O verbo "prevaricar" significa agir de má fé traindo um princípio, violando ou desviando-se de algo já estabelecido. É muito usado em direito quando um advogado passa por cima da lei na tentativa de salvar a pele de seu cliente, ou quando um juiz comete abuso de poder.

Negar a divindade de Cristo, como fazem essas seitas às quais me referi, anda junto com a negação da Trindade, um Deus em três Pessoas divinas, Pai, Filho e Espírito Santo. Ainda que o discurso dessas religiões pareça querer resguardar a divindade e honra do Pai, o efeito é justamente o contrário. Jesus declarou: "Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou." (Jo 5:23).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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