As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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A Bíblia diz como lidar com a transexualidade?



https://youtu.be/qlx-wgC1VlA

O assunto "transexualidade" tem ocupado os debates na mídia e nas redes sociais. Como um cristão deve lidar com isso? Espero que compreenda que o que vou dizer é dirigido a cristãos, pessoas salvas por Cristo que têm um compromisso com Deus e sua Palavra, e não com seu corpo de carne e seus instintos naturais. A Criação original foi corrompida pelo pecado e por isso existem distorções em tudo e em todos. Alguns nascem com distorções na mente, outros no corpo, algumas mais evidentes, outras nem tanto. Mas a verdade continua sendo a de que originalmente Deus criou um homem e uma mulher e tudo o que sair desse padrão é uma distorção do projeto original. "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea." (Mc 10:6).

Se sou um crente em Cristo e nasci com alguma distorção mental ou física, ou a adquiri por conta de um acidente ou enfermidade, serei obrigado a conviver com isso e buscar graça do Senhor para me escorar e não pecar contra ele usando minha distorção como desculpa. De nada adiantará eu argumentar diante de Deus que "nasci mulher presa num corpo de homem" ou "homem preso num corpo de mulher". Ele sempre abrirá diante de mim o projeto original: "Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea". Se sou um crente em Cristo desejoso de fazer a vontade de Deus minhas ações deverão ser condizentes com o plano original de Deus, independente da condição da sucata em que o pecado transformou meu corpo e minha mente.

Mas o mundo obviamente não está sujeito a Deus e nem poderia estar, pois o incrédulo vive "segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." (Ef 2:2-3).

Então se o motor do incrédulo é o mundo, o diabo, a carne e os pensamentos, ele não irá entender ou aceitar o que estou dizendo aqui e nem irá querer se sujeitar à vontade de Deus. Mas o motor, ou aquilo que move o crente, deve ser sempre o Espírito Santo de Deus, e este não irá guiá-lo ou fazê-lo agir de maneira contrária à Palavra e ao plano original de Deus, e "desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.". Depois da queda Deus não decidiu reformar o ser humano para adaptá-lo às novas condições, mas literalmente pôs um fim na linhagem de Adão. A cruz representou, não apenas a morte de Jesus, mas a morte do homem como um todo. Portanto é bom entender essa dualidade, Adão e Cristo. Nascemos em Adão e somente pelo novo nascimento e pela fé mudamos de posição para estar em Cristo. Estando em Cristo você poderá assumir essa nova posição e andar segundo a vontade dele, para sua bênção, ou continuar andando em Adão para sua maldição.

"Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram... Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos... Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. (Rm 5:12, 18-19; 1 Co 15:21-22).

Esta próxima passagem de Romanos é muito clara. "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito." (Rm 8:5). Existem os que são segundo a carne e os que são segundo o Espírito. Cada um irá pender para seu respectivo lado. Se você nunca creu em Cristo e nem teve assegurada sua salvação pela fé sinto dizer que existe algo bem mais sério para você se preocupar do que se vai viver como homem ou mulher seus poucos anos aqui.

Existe uma espada de juízo pairando sobre a cabeça de cada pecador, como que presa por um fio de cabelo, e isso independe de ser alguém promíscuo ou casto, homem ou mulher, rico ou pobre, negro ou branco. Perante Deus todos nós nascemos pecadores e destituídos de sua glória, portanto necessitados de salvação. Por isso a mesma passagem diz que "a inclinação da carne é morte", apontando o destino do pecador impenitente, enquanto "a inclinação do Espírito é vida e paz", mas "os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8:6-8). Ou seja, se minha vida é pautada por meu ser natural descendente de Adão, por mais que essa pauta seja aceita pela sociedade moderna, não posso agradar a Deus.

Mais uma vez o apóstolo Paulo traça o contraste, "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós" e também dá a marca que distingue um salvo de um perdido: "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele." (Rm 8:9). Parafraseando o que escreveu Paul Dickson, "Nunca tente ensinar um porco a cantar, você perderá seu tempo e aborrecerá o porco", eu diria "nunca tente ensinar sua carne a fazer a vontade de Deus, você perderá seu tempo e aborrecerá a carne". Por isso, ao falar das relações naturais, Jesus disse: "Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo." (Lc 14:26-27).

Felizmente, para o crente (e para o crente em Cristo somente) "se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita." (Rm 8:10-11).

Assim como o incrédulo está morto para as coisas de Deus, o crente está morto para a carne, ainda que ela momentaneamente ainda esteja em si como seu "velho homem". Por isso Paulo escrevia dois capítulos antes "que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." (Rm 6:6), e em outras cartas "que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano" (Ef 4:22), "pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos" (Cl 3:9).

A posição do crente é uma que, se a sua carne vier lhe cobrar algum tipo de comportamento que tem mais a ver com a distorção de sua mente, seu corpo e seus instintos naturais, do que com a vontade de Deus expressa em sua Palavra, a exortação é que "somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus." (Rm 8:12-14). Se a carne bate à porta do crente sua resposta deve ser: "Não devo nada a você".

Nos anos 80, quando eu morava em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros em Goiás, conheci um casal de cristãos de Sobradinho, no Distrito Federal, que era muito ativo no evangelismo. Tão ativos eram os dois que quando veio a aposentadoria o marido foi a um ferro velho e juntou partes de uma Rural Willys fazendo aquele amontoado de peças parecer um veículo. O motor era movido mais a fé do que a gasolina. As portas já não tinham maçanetas ou trincos, então havia um furo e um grande prego que atravessava a porta e o batente mantendo-a fechada. Cada parte da lataria era de uma cor, pois tinha vindo de carros diferentes.

Eles não usavam aquele ferro-velho móvel nas cidades ou estradas normais, mas apenas pelos caminhos do sertão para visitar pessoas em lugares remotos e levar o evangelho. Sua tração nas quatro rodas era literalmente uma mão na roda principalmente na época das chuvas. Lembro-me de ter visto dentro do veículo, entre os assentos, um tronco de árvore com uns dez centímetros de diâmetro servindo de calço entre o piso e o teto. Por causa da muita bagagem que levavam, o teto havia cedido e uma árvore cortada em um mato qualquer resolveu o problema para evitar que viajassem corcundas pressionados pela capota.

Mas o que isso tem a ver com o assunto das distorções causadas pela queda e pelo pecado nos seres humanos? Bem, se aquele casal era capaz de usar aquele monte de sucata móvel para a glória de Deus e fazer a sua vontade, o cristão também saberá usar este corpo já combalido pelo pecado — mental e fisicamente — para o mesmo fim, até ser transformado à semelhança de Cristo. E o que tem o tronco de árvore a ver com isso? A cruz era feita de um tronco, não era? Um tronco morto sustentando um homem morto e anunciando a morte da velha criação. E se você acha que às vezes não tem forças para manter sua porta fechada para as tentações, use o prego.

"Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará. Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?" (Lc 9:23-25).

"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas" (2 Co 5:17).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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