As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Deus pode mudar de ideia?



https://youtu.be/wn6PZ0LnulI

Sim, Deus pode mudar de ideia sempre que desejar, pois afinal ele é Deus. Mas às vezes é melhor não tentarmos fazê-lo mudar, porque sua primeira ideia geralmente é melhor que a segunda, como foi no caso de Ezequias, que gerou sua dúvida. Teria Deus mudado de ideia ao permitir que Ezequias fosse curado de sua enfermidade e vivesse mais quinze anos?

É preciso entender que Deus tem sua vontade, que poderíamos chamar de 'primeira ideia' ou 'Plano A',  e Deus tem sua permissão ou 'segunda ideia' ou 'Plano B'. Para Deus, a morte de Ezequias seria seu 'Plano A', o fim de sua bem sucedida missão aqui, pois tinha sido por intermédio daquele rei que Deus havia trazido um reavivamento espiritual entre os judeus. O Templo tinha sido purificado, os ídolos destruídos, a adoração restabelecida e a Páscoa voltara a ser celebrada, não como uma festa exclusiva de Judá, mas considerando Israel como sendo um só povo, como antes da divisão entre as tribos.

Antes de seguir adiante, apenas uma nota: Quando você ler os livros de Reis, entenda que ali está a visão terrena das coisas que aconteceram ao povo de Israel. Quando ler os livros de Crônicas, entenda ser ali a visão que Deus tem de seu povo. Por isso você verá algumas passagens da história de Israel faltando em um livro e aparecendo no outro. Além disso perceberá também que a 'roupa suja' do povo de Israel e mais lavada nos livros de Reis do que de Crônicas. Isto porque em Reis vemos mais os fatos, e Crônicas mais a avaliação de Deus desses fatos.

Algo semelhante você encontra quando compara o Antigo com o Novo Testamento. No primeiro você encontra Ló como um crente carnal querendo viver em Sodoma (Gn 13:12), mas no segundo ele é chamado de "justo Ló" (2 Pe 2:8), que é a avaliação final e graciosa de Deus a respeito dele. No primeiro você encontra Baraque se acovardando diante da missão que deveria executar, e dizendo que só iria se Débora fosse com ele (Juízes 4:8), no segundo você encontra o mesmo Baraque na lista dos heróis da fé aos olhos de Deus (Hb 11:32). Isso só demonstra a graça de Deus que, apesar de nossas falhas, terá no final a melhor impressão possível de cada crente quando o enxergar através da lente que é Cristo.

No segundo livro de Crônicas diz que "Ezequias enviou mensageiros por todo o Israel e Judá, e escreveu também cartas a Efraim e a Manassés para que viessem à casa do Senhor em Jerusalém, para celebrarem a páscoa ao Senhor Deus de Israel... E ordenaram que se fizesse passar pregão por todo o Israel, desde Berseba até Dã, para que viessem a celebrar a páscoa ao Senhor Deus de Israel, em Jerusalém; porque muitos não a tinham celebrado como estava escrito. Foram, pois, os correios com as cartas, do rei e dos seus príncipes, por todo o Israel e Judá, segundo o mandado do rei" (2 Cr 30:1-6).

Isso tinha um significado tremendo naquele tempo de tanta ruína, pelo fato de Ezequias ter o mesmo ponto de vista de Deus, isto é, de que o povo de Israel era um só, mesmo depois de dividido em duas facções, chamadas a partir de então de Israel e Judá. Esse mesmo ponto de vista de Deus todo cristão deveria ter em um tempo como este, quando o testemunho do único corpo de Cristo, a Igreja, foi picado em milhares de facções e denominações. Deus vê um só corpo e o cristão espiritual deveria ter a mesma visão, e não pensar em termos de "minha igreja" e "sua igreja", ou a "Igreja X" e "Igreja Y".

"Naqueles dias adoeceu Ezequias mortalmente; e o profeta Isaías, filho de Amós, veio a ele e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás. Então virou o rosto para a parede, e orou ao Senhor, dizendo: Ah, Senhor! Suplico-te lembrar de que andei diante de ti em verdade, com o coração perfeito, e fiz o que era bom aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo." (2 Rs 20:1-3).

O contraste vemos quando comparamos a reação de Ezequias ao anúncio do fim de sua carreira, com a reação do apóstolo Paulo. "Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." (2 Tm 4:6-8).

Na continuação aprendemos que, apesar de ter sido abandonado por muitos irmãos, Paulo estava certo de ter o Senhor ao seu lado e de ter sido livrado de uma morte mais dolorosa pelos dentes e garras das feras do circo romano. Com alegria ele encara o pouco tempo que falta até ser recolhido em "seu reino celestial".

"Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre." (2 Tm 4:16-18).

Assim como Ezequias, Paulo teve o privilégio de saber pelo Espírito Santo de Deus que seu tempo na terra tinha terminado. A preocupação de Paulo não era consigo mesmo, mas com a obra que deixaria para trás e com seus irmãos. Em sua despedida para os anciãos de Éfeso ele alertou da entrada de lobos que não poupariam o rebanho e da manifestação de homens que iriam distorcer a Palavra para atrair discípulos. Tudo isso aconteceu ao longo destes dois mil anos de história do cristianismo.

Mesmo assim Paulo procurou elevar os olhos daqueles irmãos para a única solução a que deveriam recorrer em tempos de abandono da verdade: "Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados." (At 20:32). Suas palavras aos irmãos filipenses mostravam que, para o apóstolo, viver na terra ou no céu não era o que importava, mas estar em Cristo, mesmo porque a esperança do crente de ir para o céu não tem a ver com o lugar, mas com a Pessoa com quem irá estar. Um céu sem Cristo não seria céu coisa nenhuma. Por isso ele escreve:

"Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Fp 1:20-21).

À semelhança de Paulo, o apóstolo Pedro também foi avisado pelo Espírito Santo de que seus dias terminariam em breve, e não vemos nele nenhum desejo de que a sua própria pessoa fosse lembrada depois de sua morte, mas sim as coisas relacionadas a Cristo. Foi por meio de Pedro, juntamente com João e Tiago, que nos chegou o relato que descreve a majestade do Senhor Jesus no monte da transfiguração. Em sua carta de despedida, Pedro fala, não como se estivesse passando o bastão para algum suposto sucessor seu, mas dirigindo os olhos dos irmãos para o único Sumo Pontífice de todo cristão, o próprio Cristo, o "Bom Pastor" (Jo 10:11), o "Grande Pastor" (Hb 13:20) e o "Sumo Pastor" (1 Pe 5:4). Veja suas palavras:

"E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido." (2 Pe 1:13-17).

Mas se Deus queria levar Paulo e Pedro, e estes estavam muito à vontade com a ideia e até se regozijavam nisso, Ezequias reagiu diferente diante da notícia. Ele queria continuar vivendo na terra, não queria ir para junto de Deus. Da primeira vez Deus costuma expressar a sua vontade, na segunda vez a sua permissão. Tinha sido assim quando Deus ordenou a Balaão que não atendesse ao pedido do Balaque, rei dos moabitas, para amaldiçoar o povo de Israel. Mas o rei enviou outros nobres com mais presentes e Balaão foi consultar a Deus como que achando que ele havia se enganado quando ordenou que não fosse. Então Deus disse que fosse, mas aquilo seria a perdição para Balaão.

A história completa você encontra em Números 22 e a perdição de Balaão aparece no versículo 16, indicando que um dia ele veria a Cristo, "mas não de perto". Este será também o destino dos perdidos, que verão a Cristo, mas não terão com ele qualquer proximidade, porque não quiseram ter essa proximidade enquanto viviam na terra.

Ezequias, obviamente, era um rei salvo, mas em sua oração por cura ele apela para que Deus se lembre de ele ter andado com o coração perfeito: "Ah, Senhor! Suplico-te lembrar de que andei diante de ti em verdade, com o coração perfeito, e fiz o que era bom aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo." (2 Rs 20:3).

Deus ouve a oração de Ezequias e responde, por meio do profeta Isaías: "Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do Senhor. E acrescentarei aos teus dias quinze anos, e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e ampararei esta cidade por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos. E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou." (2 Rs 20:5-7).

Porém infelizmente dá para perceber que Ezequias não estava com essa fé toda na Palavra do profeta Isaías e no livramento que Deus lhe prometia. Por isso pede um sinal:

"E Ezequias disse a Isaías: Qual é o sinal de que o Senhor me sarará, e de que ao terceiro dia subirei à casa do Senhor? Disse Isaías: Isto te será sinal, da parte do Senhor, de que o Senhor cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus, ou voltará dez graus atrás? Então disse Ezequias: É fácil que a sombra decline dez graus; não seja assim, mas volte a sombra dez graus atrás. Então o profeta Isaías clamou ao Senhor; e fez voltar a sombra dez graus atrás, pelos graus que tinha declinado no relógio de sol de Acaz." (2 Rs 20:8-11).

Os anos que Deus acrescentou a Ezequias serviriam para trazer à tona a vaidade que ainda estava escondida em seu coração, e que lhe serviria de tropeço. Lendo todo o contexto você logo percebe que os quinze anos seriam anos que Ezequias teria preferido não ter vivido, se soubesse o que eles representariam. Foi nesse período que ele, com sua vaidade de mostrar riqueza e glória, convidou o emissário de Babilônia para conhecer todos os seus tesouros. Obviamente o emissário de Babilônia usou daquilo como forma de fazer um inventário do que tinham a ganhar invadindo Jerusalém.

"Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor. Eis que vêm dias em que tudo quanto houver em tua casa, e o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado a Babilônia; não ficará coisa alguma, disse o Senhor. E ainda até de teus filhos, que procederem de ti, e que tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no paço do rei da Babilônia." (2 Rs 20:16).

Apesar de tudo podemos ver em Ezequias um homem de Deus que se humilha diante da Palavra do Senhor, pois "disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do Senhor que disseste." (2 Rs 20:19). No fechamento do capítulo o Espírito Santo dá uma pincelada final na vida de Ezequias mostrando que, apesar de seu apego à vida, de sua incredulidade diante da cura e da exigência de prova da parte de Deus, o que permaneceu dele é mostrado no penúltimo versículo:

"Ora, o mais dos atos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez a piscina e o aqueduto, e como fez vir a água à cidade, porventura não está escrito no livro das crônicas dos reis de Judá?" (2 Rs 20:20).

Na Bíblia a água é figura da Palavra de Deus, e chega a ser poético este versículo encerrar o capítulo falando de refrigério. Ezequias podia dizer: "Guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma." (Sl 23:2-3).

Precisamos de sabedoria e discernimento vindos do Senhor, além da direção do Espírito, para sabermos o que pedir em oração. Cabe aqui a admoestação de Tiago 4:3: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.". Fico estarrecido quando vejo cristãos fazendo uso de pasta de figo na tentativa de obterem a cura de alguma enfermidade, sem se darem conta das tristes consequências daquela cura na vida de Ezequias e de seu povo. O fato de encontrarmos algo na Bíblia não significa que aquilo sirva para todos os casos. Nunca me esqueço do que ouvi acerca de um irmão que, depois de idoso, reconhecia que não deveria ter orado tão insistentemente pela cura de seu filho quando era pequeno. A criança acabou sendo curada, mas depois que cresceu só trouxe tristeza para os pais.

Com Ezequias não foi diferente. Lendo o último versículo de 2 Reis, seguido imediatamente do primeiro versículo do capítulo seguinte, vemos que sua pior produção naqueles quinze anos foi o filho que seria responsável direto pelo exílio do povo para a Babilônia: "Ezequias dormiu com seus pais; e Manassés, seu filho, reinou em seu lugar... Tinha Manassés doze anos de idade quando começou a reinar, e cinqüenta e cinco anos reinou em Jerusalém." (2 Rs 20:21-21:1). Pela idade de Manassés quando começou a reinar podemos inferir que ele tenha nascido três anos após a cura de Ezequias, portanto dentro dos quinze anos do prolongamento de sua vida.

Felizmente Deus levou a Ezequias antes que visse toda a desgraça trazida por seu filho, nascido como resposta à veemente oração por sua cura. Manassés, filho de Ezequias, "fez o que era mau aos olhos do Senhor... tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai tinha destruído, e levantou altares a Baal... edificou altares [a deuses pagãos] na casa do Senhor... altares a todo o exército dos céus [as mesmas "hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" de Efésios 6:12]... fez passar a seu filho pelo fogo..." (2 Rs 21:2-6).

O legado do herdeiro que Ezequias gerou no tempo de sua saúde suplementar só serviu de transtorno e transformou o povo judeu em uma abominação maior até que a dos gentios que eles tanto combateram: "Porque Manassés de tal modo os fez errar, que fizeram pior do que as nações, que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel." (2 Rs 21:9).

Que esta triste história de Manassés nos ajude a aceitar a vontade de Deus em nossas vidas, mesmo quando uma enfermidade ou outro impedimento venha a frustrar nossos planos aqui na terra. E que possamos depender do Senhor em tudo, até de nossas orações, como nos é ensinado no capítulo 8 da carta aos Romanos:

"Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos. E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." (Rm 8:22-28).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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