As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Já não fomos curados pelas chagas de Jesus?



https://youtu.be/vUMGzhJWpeQ

Para mim está muito claro em 1 Pedro 2:24 que o apóstolo está se referindo à cura dos pecados, e não de doenças físicas. O versículo não fala de feridas ou chagas de doenças, mas das que foram resultado da morte do Senhor na cruz, com o explícito propósito de nos salvar. Interpretar "por suas chagas, fostes sarados" da passagem como cura do corpo físico é tirar as palavras do contexto e limitar a obra expiatória de Cristo na cruz às necessidades momentâneas desta vida.

O que tem valor eterno na obra de Cristo, as curas de enfermidades físicas que ele praticou aqui em pessoas que depois acabaram morrendo, ou a cura do pecado? Experimente ler todo o contexto, sem isolar o "por suas chagas, fostes sarados":

"Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas Suas feridas fostes sarados PORQUE éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas". 1 Pedro 2:24

O "porque" aqui é a motivo de terem sido sarados: eram como ovelhas desgarradas, mas agora (depois de terem sido sarados) voltaram ao Pastor e Bispo de suas almas. Lembre-se de que Ele está se dirigindo primeiramente aos judeus dispersos, que tinham as promessas de um Salvador incorporadas em sua própria cultura como judeus que eram: "PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia...". O apóstolo lhes faz lembrar que Cristo é a consumação das promessas que antes foram feitas.

Você escreveu: "Estou vivendo e pesquisando a Palavra de Deus há 25 anos, especialmente no que diz respeito a cura".

Existe uma grande margem para o engano quando estudamos a Palavra de Deus com um objetivo apenas em mente, como você diz estar fazendo. Ao decidir ler a Palavra para procurar nela tudo o que diz respeito a cura, é muito provável que acabe enxergando o assunto até onde ele não existe. Muitas heresias foram criadas por pessoas que fizeram o caminho de marcha à ré na leitura da Palavra, quero dizer, partiram de uma idéia pré-concebida e foram à Bíblia procurar versículos que dessem sustentação à sua idéia.

Há cristãos que querem guardar a lei mosaica, porque encontraram os dez mandamentos na Bíblia, outros que constituem um clero de sacerdotes com vestes longas, porque também acharam isso na Bíblia, e há até religiões ditas cristãs cujos membros se reúnem para manusear serpentes venenosas com as mãos, porque encontraram isso também na Bíblia.

O fato de algo estar na Bíblia não torna isso automaticamente verdade, a menos que seja enxergado dentro de seu contexto e sob a luz do Espírito Santo. Enxergar dentro do contexto é ver o que foi dito antes, o que foi dito depois, para quem aquilo foi inicialmente falado, em que época, em que lugar, em que condições e, principalmente, se sua aplicação agora glorifica a Cristo (ou satisfaz os desejos da carne e exalta o homem).

Por exemplo, no tempo de minha incredulidade lia muita coisa ligada ao esoterismo, ocultismo e temas fantásticos. Lia livros de autores que encontravam discos voadores por toda a Bíblia e a usavam para justificar suas idéias. Isso porque eles liam querendo encontrar discos voadores ali, então, como diz o ditado, "para o martelo, tudo o que vê é prego".

Você escreveu: "Nosso exemplo é Jesus, será que ele teve doenças?"

É claro que não, porque Ele não tinha pecado, nasceu sem pecado, viveu sem pecado e era impossível a Ele pecar. "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado". Hebreus 4:15 (outra tradução diz "but tempted in all things in like manner, sin apart".) Devemos nos lembrar também das palavras do anjo a Maria:

"E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus". Lucas 1:35

Ao nos comparar com o Senhor (ou o Senhor conosco) querendo inferir que, se Ele não tinha doenças, nós também não devemos ter, fico a pensar se você realmente sabe de quem está falando quando fala de Jesus. Embora na forma humana, existe uma distância infinita entre Ele e Sua criatura arruinada pelo pecado. Enquanto Ele, que é chamado de "o Santo" e "Filho de Deus", veio a este mundo concebido pelo Espírito Santo e nascido de uma virgem, o ser humano nasceu pecador e traz em si a corrupção de sua carne. Por isso adoecemos e, finalmente, morremos, algo que nunca teria acontecido com o Senhor Jesus se Ele não tivesse dado Sua vida.
O Senhor não apenas não tinha doenças, como também não tinha o princípio da morte ativo nele. Ele não estava sujeito à morte, isto é, ninguém poderia matá-lo, fossem doenças, acidentes ou homens. Obviamente não é o seu caso e nem o meu, que vivemos por um fio. Se Ele morreu, foi porque entregou Sua vida.

Veja que existe uma diferença entre morrer e entregar a vida. Nenhum de nós consegue evitar a morte (a menos que Cristo volte antes) por mais saúde que tenha. Somente depois, com um corpo ressuscitado, é que estaremos imunes à doença e à morte. Antes disso, não. Ou você acredita que vai ser curada indefinidamente e jamais experimentar os estertores da morte se o Senhor não voltar antes disso?

Cristo, por não ter em Si a natureza pecaminosa que temos, era totalmente imune à doença e à morte. Como morreu então? Entregou Sua vida, algo que não podemos jamais fazer porque não temos poder para tanto.

"Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." João 10:18

Nem eu, nem você, podemos decidir morrer, dizer "agora vou morrer", e simplesmente entregar a vida, deixar de viver, só porque decidimos isso (obviamente não estou falando aqui do suicídio que é alguém aplicar sobre si mesmo uma ação externa de matar). Cristo podia fazer isso, tinha autoridade para dar a vida e retomá-la quando quisesse. Mas mesmo assim, Ele não a retomou de Sua própria vontade, mas Deus O ressuscitou. Ele não fazia coisa alguma por sua própria vontade quando esteve aqui.

Houve um momento na cruz em que Cristo simplesmente entregou Sua vida, deixou de viver, algo que não imaginamos como pode ser feito. Assim foi Sua morte. "Entregou o espírito". Quando o soldado furou seu lado com a lança, furou o corpo de um morto, e foi do corpo de um Cristo morto (e não enquanto estava vivo) que saiu o sangue da expiação dos pecados.

Você escreveu: "Muitos cristãos evangélicos estão enfermos por diferentes causas, só alguns exemplos: mágoa, raiva, ressentimentos... inveja... maldições que carregam de antepassados (doenças hereditárias), não conhecem sobre como os demônios enganam com doenças, enfermidades, não tem fé para ser protegidos dos trabalhos de macumba e outros ataques do reino das trevas, não conhecem o Poder e Autoridade que o Senhor Jesus nos tem entregue..."

A relação de males que você relacionou me fez lembrar o cardápio desses programas de pastores na TV repreendendo doenças e demônios a seu bel prazer, alguns chegando ao ponto de entrevistarem demônios e zombar deles, ao vivo e em cores. Essas pessoas me fazem lembrar do que o apóstolo Judas escreveu sobre o modo como alguns tratavam as potestades (sim, os demônios são, apesar de tudo, anjos, portanto superiores aos homens na hierarquia que Deus estabeleceu):

"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém (os 'falsos mestres' que 'rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades') dizem mal do que não sabem". Judas 1:8,9
Você escreveu: "Como você vai viver como um verdadeiro filho de Deus com o poder , autoridade, domínio ,soberania que Deus nos entregou se você não tem certeza disso e não sabe a magnitude e ilimitado Poder e Autoridade que nós filhos de Deus temos".

O cristão não tem poder algum, não tem autoridade alguma, nem domínio ou soberania. Todo o poder e autoridade pertencem a Cristo e a primeira coisa que o cristão precisa aprender é a não abusar disso e só se valer dessa autoridade pela vontade de Deus e para Sua glória, não para satisfazer seus desejos pessoais. Multidões enchem templos hoje em dia correndo atrás de dinheiro, romance e saúde, e isso é alardeado em todos os canais de rádio e TV porque é isso que todo ser humano quer. Então promete-se poder para conseguir tudo isso e, evidentemente, fica muito claro que o nome de Cristo está sendo usado indevidamente.

Um policial tem autoridade delegada a ele pelo governo de seu país, mas ele deve estar bem ciente de como usar essa autoridade. É claro que ele pode prender quem ele bem entender, e o cidadão precisará se sujeitar a essa autoridade que a farda lhe concede, mas depois o policial terá de dar conta do abuso de autoridade que cometeu. Assim também, há muitos que hoje abusam da autoridade de Cristo, alguns que nem mesmo pertencem a Ele (Judas Iscariotes deve ter praticado curas e milagres também fazendo uso da autoridade de Deus).

Nunca se esqueça de que há um grupo de pessoas que serão repreendidas por Cristo, e não são pagãos ou feiticeiros, mas cristãos nominais que usaram o nome de Cristo sem nunca O terem conhecido. O Senhor chamou de "iniqüidade" o uso indevido de Seu nome e poder:

"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramemnte: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade". João 7:22,23
Conhecer a Cristo em função daquilo que Ele fez (e evidentemente pode fazer) por nossa vida aqui é colocá-Lo em um patamar muito baixo, é desejá-Lo apenas como um amuleto para resolver nossos problemas passageiros. Ele mesmo nunca confiou nas pessoas que O buscavam com essa intenção:

"E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia". João 1:23,24; 6:26
A ocupação do cristão deve ser com um Cristo vivo, no céu, com a eficácia do Seu sacrifício por nossos pecados, com Sua formosura, Sua aceitação diante de Deus, com todas a Sua Pessoa, e não com as dificuldades passageiras desta vida. Evidentemente devemos orar a Deus pelas nossas dificuldades, mas fazer delas o centro de nossa atenção e devoção é perder de vista o fato de que este corpo fatalmente irá se deteriorar dia após dia e que não é nele ou aqui nesta vida que teremos realizadas todas as promessas de Deus para nós, mas quando estivermos transformados, ressucitados em um corpo à semelhança daquele que Ele hoje tem.

"Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas". Filipenses 3:18-21
Finalmente, lembre-se de que Deus usa até mesmo as enfermidades para nosso aprendizado, e você encontra na Bíblia enfermos que nunca foram curados, como Paulo e Timóteo. Se Deus permitir que um cristão seja enfermo enquanto viver aqui, o que fazer?

Tenho um filho portador de paralisia cerebral, cego, que não fala e nem anda. Deveria me atribular por achar que isso se deve a falta de fé dele ou minha? Pelo contrário. O que importa é que Deus seja glorificado em tudo, na saúde ou na doença, porque tenho certeza de que aqui não é o lugar e nem a condição adequada ao cristão.

Se vivermos só por vista, passaremos a vida angustiados, querendo ver sinais e maravilhas, só encontrar pessoas saudáveis, ricas e felizes, como prometem os pregadores da prosperidade. Porém, para o cristão que vive pela fé, Cristo é suficiente e a Sua vontade, que pode inclusive incluir que alguém testemunhe dele no leito de enfermidade, será sempre aceita como a melhor. O cristão não vive com seus olhos aqui, onde Satanás e o pecado prevalecem, mas lá, onde Cristo está.

"Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas". 2 Coríntios 4:16, 17, 18

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