As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O cristao deve ser sem igreja?



https://youtu.be/V9O4o6uHc0c

A ideia de um "cristão sem igreja" ou "desigrejado" é absurda e não tem fundamento nas Escrituras. Atos 2:47 diz que "todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar". Se o próprio Senhor acrescentava à Igreja todos os dias os que "haviam de se salvar" ou, como diz em outra tradução, "os que iam sendo salvos", como pode existir um salvo "sem igreja"? A igreja é o corpo de Cristo, ao qual cada salvo é adicionado como membro, e desse corpo ele jamais será subtraído, e nem conseguirá se desligar por si próprio, pois esse corpo é controlado pela cabeça, que é Cristo.

Resumindo: é impossível a qualquer ser humano se tornar membro da igreja por decisão sua, e é impossível também que ele se desligue ou seja desligado da igreja que é o corpo de Cristo. E quando cristãos estão congregados sobre o fundamento bíblico do "um só corpo" não estão considerando "seu grupo" a igreja, mas apenas o testemunho ou expressão local desta. Um exemplo prático e interessante foi o diálogo de um irmão congregado ao nome do Senhor somente, com outro irmão em Cristo membro de uma denominação, quando se encontraram no ponto de ônibus:

O primeiro: "Vi você hoje lá na reunião quando celebramos a ceia do Senhor"
O segundo: "Impossível, eu não vou lá e nunca fui"
O primeiro: "Mas eu vi você sim. Você estava lá no pão".

1 Co 10:16 "Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão".

A grande confusão é que a maioria dos cristãos considera "igreja" como uma organização ou o conjunto de organizações religiosas existentes no mundo. E aí alguns saem proclamando os cristãos a se tornarem "sem igreja" ou "desigrejados".

Ontem recebi uma mensagem de uma irmã que criou o "Movimento dos Sem-Igreja", seja lá o que isso signifique. Obviamente as razões para o seu movimento é a decepção com o sistema tradicional. O problema é que para embasar o seu "movimento" ela começa a ensinar (contrariando o que diz em 1 Tm 2:12 sobre a mulher ensinar) que a ceia do Senhor a que Paulo se refere não é com pão e vinho tangíveis, mas espirituais. Ou seja, diante da questão de onde iriam participar da ceia os que seguissem seu movimento "sem igreja" ou "desigrejados", ela resolveu o problema eliminando a própria ceia, isto porque continua considerando "igreja" uma instituição organizada.

Pode esperar que essa decepção com a cristandade institucional só levará a mais erros, pois a discussão toda perde de vista o ponto principal. O que está errado não é só a maneira como os cristãos estão congregados ou organizados, mas o fundamento de tudo isso. A grande maioria dos livros e movimentos conclamando as pessoas a saírem de suas denominações e buscarem alternativas no modo de congregar-se simplesmente se propõem a buscar uma melhoria do sistema, e não abandonar de vez os fundamentos do mesmo sistema, e tampouco voltar aos fundamentos da Palavra, em especial à Pedra fundamental.

Um texto muito bom para ler é Hebreus 13. Havia todo um sistema de coisas do judaísmo às quais os cristãos-hebreus teimavam permanecer apegados. Mas o Espírito Santo diz simplesmente que Cristo não estava nesse sistema de coisas, por mais pessoas piedosas e verdades que ele pudesse incluir. Jesus tinha sido excluído dali e estava agora "fora do arraial" (o sistema organizado judaico). Hb 13:13 ordena: "Saiamos, pois, a ELE fora do arraial, levando o seu vitupério".

A questão não está em reformar o arraial, e também não se limita a sair do arraial. O ponto focal da mensagem de Hebreus está na expressão "a ELE". Trata-se de sair a Cristo. Não se trata nem de reformar, e nem de apenas sair, mas de sair a Cristo, de ter a Ele como o centro como era no princípio, quando dois ou três estavam congregados em Seu nome, para Ele, e reconhecendo a Ele somente como centro das atenções.

No monte da transfiguração os discípulos ainda tinham sua atenção dividida entre Jesus, Moisés e Elias, tanto é que se propõem a construir três tendas, uma para cada um deles. Eles colocam Jesus no mesmo plano daqueles homens e Deus precisa intervir para tirar de vez o foco deles de outros e concentrá-lo em Jesus.

Mc 9:7-8 "E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz, que dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi. E, tendo olhado ao redor, ninguém mais viram, senão Jesus com eles".

Não se trata de "sair da igreja" porque isso que existe por aí não é igreja. Igreja foi, é, e continuará sendo o Corpo de Cristo, o conjunto indivisível e indenominado de TODOS os salvos por Cristo. E a expressão local e visível dessa igreja (é um equívoco pensar numa "igreja invisível", mesmo porque os salvos são perfeitamente visíveis neste mundo) são dois ou três reunidos em nome de Jesus, nos moldes e sobre o fundamento que Ele determinou em Mateus 18. Qualquer leitor atento verá que o texto ali não está tratando de dois ou três cristãos batendo papo durante o cafezinho, mas de algo solene que até mesmo envolve a ação de ligar e desligar, ou seja, inclui responsabilidades, governo e juízo.

Resumindo, existe hoje um sistema, que se denomina "igreja" e não é, e existe também um movimento de repúdio a essa "igreja" visando reformar tudo isso para criar algo alternativo e melhor que também não será "igreja". Eu estou fora de um e de outro, porque nada disso é o que encontro em Hebreus: sair a Jesus.

Qualquer denominacional protestante se sente ofendido quando dizemos que sua igreja não é a igreja da Bíblia, como também fica ofendido o católico se negarmos à igreja católica o status de "igreja". O que não percebem é que, ainda que seus respectivos sistemas e organizações não sejam a igreja e nem a representem, eles próprios, os indivíduos que crerem, são membros do corpo de Cristo. Negar às organizações o status de igreja não é negar aos seus membros o status de membros do corpo de Cristo. Se todas as organizações humanas chamadas "igrejas" desaparecessem neste exato momento, a Igreja continuaria existindo de forma visível no conjunto de membros do corpo de Cristo e onde dois ou três estivessem congregados em nome de (e para) Jesus.

De um lado temos homens historicamente organizados, e de outro temos homens tentando se reorganizar. Mas a pergunta é: Onde está Jesus para eu sair a ele? O cristão sincero encontrará a resposta se fizer a pergunta ao próprio Senhor, como os discípulos fizeram, e depois seguir "o homem carregando um cântaro de água" até o cenáculo. Ver http://www.respondi.com.br/2005/05/onde-celebrar-ceia-do-senhor.html

Respondendo a um irmão que perguntou sobre os recentes escândalos envolvendo o catolicismo e a pedofilia, escrevi um texto que fala do governo que deve existir na Igreja. Nele eu também abordo a questão de igrejas que não são igrejas no sentido bíblico. http://www.respondi.com.br/2010/04/pedofilia-deve-ser-julgada-na-igreja.htm

Leia também estes pontos levantados por um irmão que passou para a presença do Senhor há alguns dias: http://manjarcelestial.blogspot.com/2010/04/verdades-resgatadas-h-brinkmann.html

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