As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Onde celebrar a ceia do Senhor?



https://youtu.be/biv0UU64FMA

Onde devemos celebrar a Ceia do Senhor? Esta pergunta, que muitos fazem, traz à tona a tristeza causada pela ruína do testemunho do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Mas, antes mesmo da existência da Igreja (por ocasião da última ceia a Igreja ainda não havia sido formada; isto aconteceu somente em Pentecostes – Atos 2), encontramos esta pergunta sendo feita em Lucas 22 do versículo 7 em diante. Ali encontramos o Senhor ordenando aos Seus discípulos: "Ide, preparai‑nos a páscoa para que a comamos". E eles fizeram a mesma pergunta: "Onde queres que a preparemos?". Esta é a pergunta de uma alma submissa ao Senhor, que deseja fazer a vontade dEle acima de tudo. Sabemos que esta seria a última ceia do Senhor com Seus discípulos, antes de morrer numa cruz. E foi nessa ocasião que Ele pediu que fizessem isso em memória de Si, comissão essa dada posteriormente a Paulo (1 Co 11), já no caráter de uma ordenança àqueles que faziam parte da Igreja.

Ao receber a ordenança do Senhor, os discípulos não fizeram o que achavam melhor, e nem se dirigiram ao lugar mais próximo de suas casas ou aonde se sentissem bem. Tampouco procuraram qualquer lugar que lhes parecesse digno de tal evento, mas, com a simplicidade de uma criança, perguntaram ao Senhor: "Onde queres que a preparemos?" E a resposta do Senhor é muito instrutiva, se a aplicarmos espiritualmente a nós neste tempo de fim.

Primeiramente, no versículo 10 de Lucas 22, o Senhor ordenou que fossem à cidade. O lugar onde devemos lembrar Sua morte enquanto estamos aqui é em meio a toda a confusão criada pelo homem, mas, como veremos adiante, separados dela. Ali eles encontrariam um homem levando um cântaro de água e deveriam segui‑lo. Não era comum encontrar um homem levando um cântaro de água pois esta era uma tarefa típica das mulheres, como encontramos em João 4 e em muitas passagens do Antigo Testamento. A menos que esse homem fosse um servo, o que nos fala do Espírito Santo, pois é neste caráter, de Servo, que Ele Se encontra no mundo na presente dispensação, levando as pessoas a Cristo (Jo 16.7‑15). O homem levava um cântaro de água e esta é um símbolo da Palavra de Deus, conforme encontramos em Efésios 5.26.

O homem com o cântaro os levaria a um cenáculo, que é o andar superior de uma habitação, e o mesmo estaria mobiliado. O cenáculo nos fala de um lugar que, embora neste mundo, encontra‑se acima das coisas da terra; um lugar elevado. O fato de estar mobiliado mostra que alguém já havia preparado acomodações suficientes para todos os que ali fossem. E eles, obedecendo às ordens do Senhor, encontram tudo exatamente como lhes foi falado e, chegada a hora, o Senhor Jesus se põe à mesa juntamente com Seus discípulos e lhes fala da Sua morte.

Tudo isso é muito instrutivo para nós. Em primeiro lugar, temos que buscar o Senhor quanto ao que devemos fazer e onde devemos fazê‑lo. Ele nos mostrará com certeza. Então devemos seguir o homem com o cântaro, uma figura de acompanharmos o Espírito Santo naquilo que Ele leva, ou seja, a Palavra de Deus. Não encontraremos na Palavra coisas do tipo, "vá à esta ou àquela denominação", pois não encontramos, na doutrina que foi dada à Igreja, denominações diferentes para aqueles que fazem parte de um mesmo Corpo (Ef 4.4). A única distinção era feita quanto à localização geográfica dos crentes (por exemplo, "da igreja que está em Éfeso" Ap 2.1).

Também não encontramos coisas do tipo "vá aonde desejar ou ao lugar em que se sentir melhor", como se os crentes não tivessem qualquer guia seguro e tivessem que seguir sua própria vontade ou sentimentos (veja Dt 12.8,13,14; Jz 21.25). Também não encontramos o conselho que normalmente é dado, "vá à igreja mais próxima de sua casa", que neste tempo de fim tem lançado muitos nas garras de verdadeiros mercenários da fé (leia 2 Pd 2). O que não encontramos na Palavra de Deus não devemos fazer. Encontramos em Mateus 18.20 a indicação de que onde estiverem dois ou três reunidos ao nome do Senhor Jesus (e ao Seu nome somente) Ele estará no meio, o que equivale dizer que Ele Se porá à mesa com os Seus que ali estiverem.

Portanto é pela Palavra de Deus somente, e não pelos costumes dos homens, ainda que sejam cristãos, que encontramos o lugar onde Deus quer que celebremos a Ceia. Tal lugar está acima das coisas deste mundo (assim como o cenáculo que vimos) e Deus preparou acomodações para todos os que desejarem se dirigir para ali. Trata‑se do lugar onde o Senhor colocou o Seu nome, e mais nenhum outro; onde é Ele o centro de todas as atenções e Sua autoridade é reconhecida (veja 1 Co 5.4,12).

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