As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Podemos analisar a inteligencia de Cristo?



http://youtu.be/ygYSPvjcYPI

Até hoje só li um livro de Augusto Cury, "Inteligência Multifocal", e achei muito interessante. Mas é um livro que ele escreveu como médico, psiquiatra e psicoterapeuta, e não é um livro motivacional, como os que escreve atualmente, ou tratando de temas cristãos, como a série "Análise da Inteligência de Cristo" e "Os segredos do Pai Nosso".

Não conheço o conteúdo dessa série e nem tive o interesse de ler quando foi lançada, porque o título me pareceu areia movediça para um escritor se aventurar a caminhar por ele. Quando vieram os outros livros e o autor firmou-se como escritor motivacional e de auto-ajuda, aí meu interesse desapareceu por completo pois não gosto de livros assim. Se quiser ler o que penso da auto-ajuda visite este link: http://www.mariopersona.com.br/cafe/archives/00000129.htm

É claro que minha percepção sobre os livros de Augusto Cury podem estar equivocadas, principalmente porque sei que os títulos dos livros nem sempre são escolhidos pelo autor, mas pelo editor que busca por algo mais vendável. Mas minha percepção parece ser a mesma que você teve ao ler a série "Análise da Inteligência de Cristo", pois você comentou:

"O livro se trata mais de uma visão humana de Cristo, sobre sua capacidade de lidar com seu meio, com os discípulos, os judeus e suas tradições... Enfim, está falando de Cristo como homem e não Filho de Deus. Quando digo homem, fala de Cristo fora da escala da fé, investigando ele apenas como homem mesmo, sem divindade, assim como Sócrates e Gandhi ou qualquer outro pensador Você acha isso saudável?"

Prefiro comentar sua preocupação, não como uma crítica ao Augusto Cury ou aos seus livros que não li, pois seria injusto. Comento como minha opinião sobre livros de auto-ajuda em geral, e livros que tentam decifrar a Pessoa de Cristo em particular, aparte daquilo que podemos saber do Senhor que é revelado na Palavra de Deus. Mas não acredito que seja correto nos aprofundarmos ao ponto de tentarmos analisarmos a inteligência do Senhor Jesus e nem tampouco querermos usar dessas conclusões para melhorar a vida das pessoas, e digo isto baseado em alguns pontos.

Primeiro, porque Jesus é o Filho de Deus, portanto Deus e Homem perfeito. Sua natureza é um mistério ao qual psiquiatra nenhum pode ter acesso. Podemos analisar a inteligência e comportamento dos discípulos, e fazemos isso com frequência porque são seres humanos como nós. Mas colocar o Criador num divã é ousado demais na minha opinião. Veja isto:

Mat 11:27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Esta passagem revela que existe um mistério a respeito da Pessoa de Cristo que ninguém é capaz de compreender. E nem poderia, já que estamos falando de deidade e humanidade em uma Pessoa, sem pecado e sem a possibilidade de pecar. Repare que, apesar do texto dizer que só o Pai conhece o Filho, e só o Filho conhece o Pai, diz ainda que existe a possibilidade de o Filho revelar o Pai a quem ele quiser, mas nada é dito que o Pai revele o Filho. O que podemos saber do Filho é o que nos é revelado pela Palavra de Deus, e ainda assim nada entenderemos a não ser pela fé, e esta é um dom de Deus.

Quero dizer com isto que, ainda que alguém escreva um livro explicando tudo o que é possível explicar sobre Jesus, o homem em seu estado natural não irá entender. Continuará a enxergá-lo apenas como um homem mais inteligente, mais sábio, mais poderoso e palavras e obras, mas nunca como aquele que ele realmente é. E se alguém tentar compará-lo a outros homens comuns só estará criando uma situação que Deus não gostaria que criássemos.

Veja que quando Pedro, com boas intenções, tenta colocar Jesus no mesmo nível de Moisés e Elias, imediatamente estes dois desaparecem de vista. E quando Jesus pergunta aos discípulos sobre quem ele seria aos olhos dos homens, existe a resposta do que as pessoas em geral pensavam dele - um profeta, João Batista, etc. - e existe a resposta da revelação do Espírito - o Filho de Deus.

William Kelly escreveu: "O Filho revela o Pai, mas a mente humana sempre fica aos pedaços quando tenta desvendar o insolúvel enigma da glória pessoal de Cristo".

Tentar desvendar a "inteligência de Cristo" para com isso trazer algum benefício às pessoas em seu estado natural, como descendentes de Adão também apresenta algumas dificuldades. Primeiro, como eu poderia entender a inteligência do Criador sendo eu mera criatura?

Rom 11:33-34 O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor?

Ainda que alguém conseguisse extrair algumas gotas da inteligência divina para na melhor das intenções querer ajudar as pessoas a terem uma vida melhor, a questão é que as coisas de Deus jamais podem penetrar a mente e o coração do homem a menos que este venha a nascer de novo e essas coisas lhe sejam reveladas pelo Espírito de Deus.

1Co 2:14 Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

O grande problema dos livros de auto-ajuda é que eles tentam dar aos seres humanos a falsa ideia de que podem ser felizes. Um médico pode ajudar seu paciente a ter uma vida melhor no sentido físico e emocional, mas não poderá dar a ele a certeza de vida eterna ou nem mesmo de uma vida plena aqui, já que o vazio que o ser humano sente é do tamanho de Deus. Nada menos que Deus poderia preenchê-lo e saciar sua sede. Frases motivacionais podem até dar uma sensação passageira de satisfação, mas são como gotas de água extraídas do poço de Samaria.

Joã 4:13-14 Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

Quando alguém busca em livros motivacionais ou de auto-ajuda a solução para seus problemas espirituais está buscando no lugar errado. Não precisamos de auto-ajuda, mas da "ajuda do alto": Cristo, como Salvador e Senhor. Nada menos que isso pode resolver o problema do homem, e não é pela imitação de Cristo que o problema é resolvido, mas pela fé em Cristo como o Cordeiro de Deus, que morreu em meu lugar levando meus pecados na cruz. Querer que um incrédulo siga o exemplo de Cristo é como ensinar papagaio a falar. Ele pode até aprender, mas não faz ideia do que seja aquilo e não terá qualquer utilidade.

Por eu ser um palestrante profissional e tratar de temas como carreira, comunicação, marketing pessoal, vendas etc., alguns me chamam de "palestrante motivacional". Em um certo sentido eu realmente procuro motivar as pessoas, mas sempre no sentido profissional: motivar o vendedor a vender mais, motivar o profissional a aprimorar suas competências, o empresário a melhorar sua comunicação com sua equipe e coisas do tipo. Mas em momento nenhum eu digo às pessoas que essas coisas as tornarão felizes e realizadas.

Minhas palestras e livros são no sentido de resolver questões terrenas ligadas a esta vida e à carreira profissional. Porém ninguém irá sentir-se verdadeiramente realizado enquanto não resolver sua questão eterna, que inclui o perdão de seus pecados para apresentar-se a Deus, não mais como um réu para ser condenado ao fogo eterno, mas como um filho que volta à casa do Pai. Mas em minhas palestras e livros profissionais eu não abordo temas relacionados ao evangelho porque não é este o objetivo das pessoas que me contratam ou compram meus livros.

Alguém que se propusesse a analisar a inteligência de Cristo precisaria incluir também o comportamento dele no Antigo Testamento e também em Apocalipse, quando aparece como o ancião de dias com uma imagem tão terrível que faz João sentir-se como morto. Tente analisar a Pessoa descrita por João na passagem de Apocalipse, comparando-a com Buda ou Gandhi como costumam fazer os autores seculares, e verá como a ideia de se tentar decifrar a Pessoa de Cristo fica infinitamente mais complexa:

Apo 1:12-18 "E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi... um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pós sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.... "

Apo 19:11-16 Ele... "chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo... e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus... E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.

por Mario Persona

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