As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Romanos 8:1 foi adulterado?



http://youtu.be/DAyp02cPBOo

Sim, o versículo em Romanos 8:1 aparece adulterado em algumas versões da Bíblia. Nos melhores manuscritos a passagem não contém o que coloco aqui entre colchetes: "Portanto agora nenhuma condenação [há] para os [que estão] em Cristo Jesus, [que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito]". Aparentemente a segunda parte é uma glosa acrescentada por algum copista, a qual acabou inserida nos manuscritos derivados.

Se o capítulo 7 inteiro fala do "eu", isto é, da tentativa de um homem que agora tem vida encontrando o conflito entre esta vida e a carne, o capítulo 8 deixa de falar do eu e é provavelmente o capítulo que mais vezes menciona do Espírito Santo. A tentativa de viver segundo a Lei no capítulo 7 encontrou outra lei, a dos membros da carne, que impossibilitava qualquer sucesso do homem natural em andar segundo a Lei de Deus.

O capítulo 7 termina com um brado desesperado: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (vers. 24) e em seguida dá a resposta: "Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor" (vers. 25), iniciando o capítulo 8 com a declaração cabal de libertação, tanto da condenação do juízo de Deus que cairá contra o pecador, como da condenação própria que este homem (provavelmente Paulo falando de sua experiência) trazia em sua consciência no capítulo 7 por não conseguir viver segundo a Lei.

O Espírito Santo é mostrado no capítulo 8 como o poder para o cristão viver agora sua nova vida em Cristo, mesmo estando por um tempo em um invólucro de carne e aguardando ser transformado (no arrebatamento da igreja) ou ressuscitado (na mesma ocasião). Um bom exemplo para entender este capítulo é pensar na Lei da Gravidade. Ela exerce sua força sobre qualquer corpo terrestre, mas é anulada quando este corpo possui asas. Se você jogar um rato para o alto ele cairá, mas se jogar um pássaro ele sairá voando. Ambos estão sujeitos à Lei da Gravidade, mas as asas do pássaro anulam essa lei. Existe nele uma lei mais forte que o faz voar.

O versículo 2 diz que essa "Lei do Espírito de vida" (corrija sua Bíblia se estiver com "espírito" em minúsculo porque aqui fala do Espírito Santo) "me livrou da lei do pecado e da morte". Isto é a completa libertação. O versículo 11 diz que esse mesmo Espírito "vivificará os vossos corpos mortais", dando ao crente a capacidade de viver em novidade de vida ainda em seu corpo arruinado pelo pecado.

O versículo 13 diz que "se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis", mostrando que não é a melhoria do corpo que é buscada, mas o considerá-lo morto para aquilo que usualmente gostaria de fazer. Mais uma vez corrija sua Bíblia caso a versão traga "espírito" com minúscula, pois aí está falando do Espírito Santo. A rigor, o texto todo foi escrito em maiúsculas, pois no grego antigo era assim que se escrevia, mas para esclarecer o entendimento é bom fazer esta anotação.

No versículo 14 aprendemos que agora não estamos perdidos indo de um lado para o outro, mas temos uma direção. E de onde vem tal direção? "Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus". O versículo 16 mostra que é o Espírito Santo quem "testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus", para não existir dúvida quanto ao que éramos antes de crermos, ou seja, filhos da ira, guiados pela vontade da carne e dos pensamentos (Ef 2), e em que nos tornamos após crermos em Cristo: filhos de Deus.

Finalmente o versículo 26 nos mostra o Espírito nos guiando em oração. Libertação (vers. 2), capacidade (11), vitória sobre o pecado (13), direção (14), testemunho de filiação (16) e suporte na oração (26) - tudo isso só temos por causa do Espírito Santo que habita em nós e porque "agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". Nada disso vem pelo esforço próprio, mas por graça e pela habitação do Espírito em nós.

Mas como chegamos a isso, se a Lei não pode fazer isso por nós e muito menos nossa capacidade própria? O versículo 3 mostra que era impossível à Lei nos ajudar de qualquer maneira, pois ela "estava enferma pela carne". É como se você tivesse um carro cuja direção emperrada só permitisse virar à esquerda em um rua onde todas as placas indicavam ser proibido virar à esquerda. Cristo assumiu um corpo de carne, porém apenas em "semelhança da carne do pecado", e isto é importante entender.

Deus precisava condenar o pecado na carne, mas seria impossível fazer isso caso essa carne fosse de um pecador, porque aí ele seria condenado por si mesmo e sem salvação. Afinal, é o que irá acontecer no final com os perdidos: todos serão condenados. Então Deus enviou o Seu Filho "em semelhança da carne do pecado", para poder, "pelo pecado" condenar "o pecado na carne".

Observe que Cristo não veio "em carne do pecado" mas "em semelhança da carne do pecado". Seria impossível o Filho de Deus, que é Deus, vir em "carne do pecado", e daí a razão de ele ter nascido de uma virgem e não ser um descendente direto de Adão mas, em sua humanidade, ter sido gerado pelo Espírito Santo. Jesus não pecou, não conheceu pecado e não tinha pecado.

1 Pd 2:22 "O qual não cometeu pecado"

1 Co 5:21 "Aquele que não conheceu pecado"

1 Jo 3:5 "Nele não há pecado"

Assim, ao tomar sobre si os nossos pecados e morrer, Jesus "condenou o pecado na carne". A carne morreu ali na cruz e aqueles que creem em Cristo viram sua velha natureza, a carne, morrer com ele ali. Deus não perdoa nossa carne ou velha natureza; Deus perdoa os nossos pecados quando cremos em Jesus. Quanto à carne ou velha natureza, Deus já a condenou. Não existe perdão para um descendente de Adão, a cabeça da velha Criação. O que é nascido de Deus é agora uma nova criação, da qual Cristo ressuscitado é o primeiro exemplar, ou "primícias da nova criação".

1Co_15:20 Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.

Espero que agora você entenda por que é impossível que o velho homem se regenere ou melhore. Em Cristo Deus condenou a carne na cruz, eliminando de vez qualquer esperança de melhoria. Se você ainda está em Adão, a condenação paira sobre sua cabeça. Se você já está em Cristo, "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". Manter a glosa condicional acrescentada ao versículo 1, que diz "que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito" é colocar uma condição para um livramento que só recebemos por graça, e não pelo andar.

A maioria das religiões insiste na melhoria do homem e no esforço próprio para seguir a Lei de Moisés ou alguma outra lei de preceitos e mandamentos, mantendo seus fiéis empacados no capítulo 7, sem nunca permitir que experimentem a libertação do capítulo 8 de Romanos. Algumas aparentemente "vendem" uma libertação, mas baseada na soberba e hipocrisia de estarem cumprindo a Lei ou andando na novidade de vida do capítulo 8, porém pelo esforço próprio. Infelizmente é o caso da maioria dos cristãos hoje, que vivem atribulados em suas consciências por estarem tentando voar sem confiarem nas asas que Deus lhes deu. São como passarinhos saltando que ainda não perceberam que têm asas.

por Mario Persona

Mario Persona é consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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