As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Voce participa de debates?

Já fui convidado algumas vezes para debates em programas de rádio e TV e também para entrevistas em sites, jornais e revistas. Sempre respondo deixando claro que só participo dessas mídias quando o assunto é meu trabalho profissional de consultor e palestrante e para falar de temas de negócios. Nunca participo para falar de temas ligados ao evangelho porque é terreno pantanoso.

Geralmente esses programas e publicações possuem uma agenda, que é a de promover alguma religião, conquistar simpatizantes ou vender espaço para publicidade. Além disso, a confusão que reina hoje na chamada cristandade é tão grande que eu correria o risco de ficar meia hora debatendo com alguém que rejeita as verdades cardeais da fé cristã e até mesmo a divindade de Cristo, apesar de trazer sobre si algum título eclesiástico cristão.

Recebo verdadeiros xingamentos de leitores e espectadores por eu não permitir comentários em meus textos e vídeos nos quais falo da Palavra de Deus. A própria maneira desrespeitosa desses que me xingam já demonstra que estavam ávidos por um palco para derramarem suas ideias profanas. Mas não é apenas por isso que fecho a área de comentários, mas sigo também o que estão fazendo os principais sites do mundo para evitar ações por danos morais. Quando ocorre um crime de calúnia nos comentários o dono do canal pode ser envolvido como corresponsável.

Muitos dos que me procuram para debater algo mesmo em correspondência privada, mas simplesmente pelo prazer do debate, costumam se apresentar candidamente como quem está desejando apenas aprender o que penso. Mas tão logo apresento "a razão de minha fé" com base nas Escrituras é provável que ele parta para o ataque. Então expressões como "ignorante", "imaturo", "mente fechada", "dono da verdade", "idiota", "falso profeta" etc. passam a fazer parte de seu acervo de adjetivos, até chegar ao "covarde", que é quando você diz que prefere retirar-se do debate porque aquilo não vai levar a coisa alguma.

A Bíblia nos exorta a estarmos sempre preparados para defender aquilo que cremos: "Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo." (1 Pe 3:15-16).

Mas é preciso ter sabedoria em distinguir se aquilo que se nos apresenta como uma oportunidade de expressarmos nossa fé será ou não de proveito para salvos e perdidos. Hoje a coisa fica um pouco mais complicada, porque vivemos em um ocidente cristianizado onde a maior parte das pessoas sequer crê no Deus da Bíblia ou nela como sendo a Palavra de Deus. Qualquer argumento do tipo "a Palavra de Deus diz..." não tem qualquer efeito sobre ouvintes que estão mais prontos a seguir suas próprias ideias, ou o que diz sua religião ou líder religioso, do que a Bíblia.

Acredito que os debates públicos entre cristãos professos tenha se popularizado por volta do terceiro século, quando o cristianismo foi oficializado como religião no Império Romano. Sem a ameaça da perseguição, que obviamente impedia cristãos de debaterem em público, e com o surgimento de heresias que denegriam a Pessoa e obra de Cristo, os chamados "pais da Igreja" se viram envolvidos em debates públicos. Fazendo isso eles acabavam atropelando a ordem dada pelo apóstolo inspirado em Tito 3:9-11, de não debater com hereges, mas apenas admoestá-los uma ou duas vezes e depois evitá-los.

"Não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs. Ao homem herege, depois de uma e outra admoestaçao, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado." (Tt 3:9-11).

Ao contrário do que pensam muitas religiões cristãs católicas e protestantes, não são os "pais da Igreja" o exemplo e doutrina que temos de seguir, mas o que ensinam as escrituras inspiradas dadas aos apóstolos e profetas do Novo Testamento. Paulo participava de debates com judeus nas sinagogas e lugares públicos, mas era com o objetivo de evangelizar. O mesmo faziam outros discípulos, como Apolo, que colocou sua eloquência e facilidade de comunicação a serviço do Senhor depois de ter sido devidamente instruído por Priscila e Áquila:

"E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. Querendo ele (Apolo) passar para a Acaia, os irmãos animaram-no, e escreveram aos discípulos que o recebessem. Tendo ele chegado, auxiliou muito aqueles que pela graça haviam crido; pois com grande poder refutava publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo." (At 18:24-28).

Mesmo assim podemos aprender do modo como Paulo lidava com isso quando os ouvintes endureciam o coração e passavam a blasfemar. Aí ele tinha um comportamento seletivo seguindo a ordem de Jesus de não lançar suas pérolas aos porcos, como mostra esta passagem:

"E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus. Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano. E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos." (At 19:8-10)

Nem sempre um debate é construtivo, pois existem aqueles irmãos que Paulo chama de "enfermos" ou "débeis na fé", que podem ser sensíveis demais para suportar uma discussão e acabarem desanimando. "Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas... tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão... Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros." (Rm 14)

A Timóteo ele orienta a evitar debates, que chama de "contendas de palavras". "Recomenda estas coisas. Dá testemunho solene a todos perante Deus, para que evitem contendas de palavras que para nada aproveitam, exceto para a subversão dos ouvintes." (2 Tm 2:14).

João em sua epístola nos ensina a lidar com os que negam a divindade de Cristo, que é o assunto do que ele chama de "doutrina", ou seja, que não aceita que Jesus tenha vindo em carne, uma expressão que é muito mais ampla do que o fato de ter nascido. Jesus vir em carne implica sua pré existência como Filho Eterno de Deus, o Criador de todas as coisas que em um determinado momento entrou na história do mundo na forma humana.

"Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo... Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más." (2 Jo 1:7, 9-10).

Neste ponto você deve estar querendo que eu responda de forma breve se deve ou não participar de um debate público com outros cristãos. Considerando a profusão de erros e heresias existente hoje na cristandade, eu não aconselharia. Uma coisa é você refutar publicamente esses erros em textos, áudios e vídeos, outra é debater, pois no debate ambos têm igual direito de apresentar suas razões.

Vale aqui o ditado popular, "São precisos dois para se dançar o tango", ou seja, sem você para debater publicamente, o herege não terá a chance de destilar seu veneno para uma audiência que talvez não iria ouvir um "disco solo" do herege, mas que compareceu ao debate por apreciar o que você prega ou ensina. Então que não seja você a proporcionar ao herege o holofote que ele está procurando ou, como alguém disse, "viajar ao seu lado só para usar sua janelinha".

A Bíblia nos exorta: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem." (Ef 4:29). Então seja sábio e não dê chance ao outro de sair da boca dele palavras torpes que não irão promover edificação ou graça aos ouvintes.

Uma outa questão que você fez bem em lembrar é a atitude de alguns que participam desses debates como se estivessem em um ringue buscando um prêmio por suas ideias. Então não se privam de humilhar os outros para poderem aparecer como vencedor. No entanto, nas coisas de Deus ninguém é convencido por inteligência humana, mas pelo Espírito e poder de Deus. Paulo deixou muito claro o modo como ele se apresentou aos gregos de Corinto quando levou a eles a mensagem do Evangelho:

"E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." (1 Co 2:1-5).

Veja também: http://www.respondi.com.br/2016/12/por-que-voce-nao-permite-comentarios.html

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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