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Paulo usava amuletos para curar?



https://youtu.be/IqoRD_jlC5M

Sua dúvida está no texto de Atos 19:11-12: "E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam".

O texto não diz que Paulo usava lenços e aventais para curar; diz que as pessoas faziam aquilo, o que não significa que estivessem agindo corretamente. É preciso entender que aquele era o princípio da Igreja, portanto Deus manifestava o Seu poder abundantemente, como sempre fez ao longo da história ao inaugurar uma nova dispensação ou maneira de tratar com o homem. (Leia mais sobre dispensações aqui).

Você encontra a grandiosidade da Criação inaugurando o estado de inocência do homem. Aquela dispensação, que começou com bênção, terminou com desobediência e juízo - a queda e expulsão do Éden - e todas as outras começariam e terminariam assim: bênção demonstrando poder, graça e misericórdia divina, e então desobediência e juízo, para mostrar a incapacidade do homem em atender as santas demandas de Deus.

O fato de Lucas, autor do livro de Atos, mencionar o que as pessoas faziam com os lenços e aventais tirados de Paulo, não significa que aquilo fosse uma ordenança ou doutrina que os cristãos deviam seguir. Um caso parecido é mencionado em 1Co 15:29: "Se não há ressurreição, que farão aqueles que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por eles?"

Como não existe qualquer doutrina ou ensino no sentido de batizar "pelos mortos", tudo indica que o apóstolo Paulo esteja apenas mencionando algo que algumas pessoas estariam fazendo. Não devia trata-se de se batizar "por procuração", como acreditam alguns, ou seja, no lugar daqueles que morreram sem serem batizados.

Parece que está mais no sentido de ocupar a posição daqueles que tombaram pela perseguição, que é o assunto deste trecho da epístola. Considerando que o batismo coloca a pessoa numa nova posição diante do mundo como um cristão professo, poderíamos pensar que o batizado estaria "vestindo a camisa" de cristão no lugar dos que sucumbiram à perseguição, como um soldado que é recrutado para ocupar a posição de outro tombado em ação.

Mas voltando à sua dúvida específica, que é o episódio narrado em Atos, entenda que o livro de Atos é um livro de acontecimentos, não de doutrina para a Igreja. Em Atos você encontra cristãos (como Ananias e Safira) e até mesmo os apóstolos agindo de forma errada. Por outro lado, as epístolas ou cartas são a doutrina dos apóstolos dada à Igreja. É nelas que vamos encontrar como devemos proceder como Igreja.

Talvez você indague: "Mas não é tudo a mesma Palavra de Deus?". Sim, mas devemos ter discernimento quando lemos a Bíblia. Em Jó, por exemplo, você encontra muitas palavras bonitas que não são o pensamento de Deus, mas dos 3 amigos de Jó. O fato de algo estar na Bíblia não significa que seja a vontade de Deus. Pode ser a opinião do homem que Deus quis inserir no contexto para mostrar algum contraste.

Por exemplo, Em Atos 21:4 o Espírito Santo ordena que Paulo não vá a Jerusalém, mas ele vai mesmo assim: "E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém".

Embora também podemos interpretar que, por ter vindo a admoestação por meio dos irmãos, Paulo não tenha entendido que aquilo vinha do Espírito Santo de Deus. Mesmo assim sua atitude não deve ser um exemplo a ser seguido, mesmo que no fim Deus tenha usado dessa desobediência para cumprir os seus propósitos. Isso não diminuiu a responsabilidade do apóstolo por não ter dado ouvidos ao Espírito Santo.

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Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional www.mariopersona.com.br. Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.
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