As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Quem pode ser chamado de "bispo"?



https://youtu.be/O5UoelUuGf0

É importante discernirmos a evolução da apostasia que tem tomado conta do testemunho cristão. Em nenhum lugar do livro sagrado encontramos algum bispo (no singular) liderando ou exercendo domínio sobre uma congregação ou igreja.

No livro de Atos 20:28 Paulo chama os bispos sem nem mesmo fazer referência a terem sido escolhidos pela igreja daquela localidade (de Éfeso). Ele diz que foram escolhidos pelo Espírito Santo (At 20:28). Paulo diz isso antes de entregá-los a Deus e à Palavra (vers. 32) quando viessem tempos de lobos (incrédulos) tentando destruir o rebanho e de crentes (sectários) tentando arrastar discípulos após si. Este é o germe da divisão: compartimentarão dos crentes em torno de um ou mais homens.

É importante notar que os bispos (e em nenhum lugar na Bíblia encontramos "bispas") eram cargos de responsabilidade (sempre mais de um, sempre no plural) e pastores eram dons. Um não tinha que ser necessariamente revestido do outro. Os bispos (sempre no plural, como em Filipenses 1:1) estavam sujeitos a certas condições para poderem exercer seu oficio (não dom), como serem casados com uma só mulher, etc. Os bispos (sempre no plural) tinham sua atuação local. Mesmo tendo sido chamados a Mileto (At 20:17), eles eram bispos ou anciãos de Éfeso.

O pastor é um dom (como evangelista e doutor) dado à igreja. Um pastor não está limitado a uma igreja local. Seu ministério é correr atrás e visitar as ovelhas para curar, consolar, etc e não exatamente ficar atrás de um púlpito como a versão moderna do termo usado nas religiões tenta nos fazer acreditar.

Já o evangelista tem seu campo no mundo, entre os incrédulos, para buscar almas para Cristo, consciente que seu trabalho é entre os que ainda não crêem, proporcionando a "água" da Palavra nescessária ao renascer, ou nascer de novo ou do alto, de uma alma. O doutor (ou "mestre") tem seu campo na igreja como um todo para ensinar. Os anciãos ou bispos nem precisavam pregar. Eram zeladores do rebanho local. Pelo menos é o que encontro na Palavra de Deus. O que não estiver lá é invenção humana.
A atuação dos dons dados à Igreja como um todo fica muito clara em Atos 11:19s
  1. O Evangelista leva o Evangelho aos incrédulos: "E havia entre eles alguns varões... os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos anunciando o Senhor Jesus... e grande numero creu e se converteu ao Senhor" vers. 20,21
  2. O Pastor reúne as ovelhas e as anima: "Barnabé... quando chegou... exortou a todos a que permanecessem no Senhor com propósito de coração" vers. 23.
  3. O Doutor ou Mestre traz o ensino: "E partiu Barnabé... a buscar Saulo... e sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente" vers. 26.
Aqui vemos um dom reconhecendo sua limitação e buscando outro que o complete. Juntos eles ensinam e exortam os novos convertidos.

Além desses dons e ofícios, ainda existiam, apóstolos e profetas, utilizados para o alicerce da casa, do qual Cristo era a pedra angular. Na época os cristãos não tinham a Palavra de Deus como a temos hoje. A revelação era direta, como vemos Ágabo ou os Apóstolos fazendo. Como ninguém poderia naquela época convidar os irmãos a abrirem o Novo Testamento em tal livro, capítulo e versículo, porque isso ainda não existia, Deus usava esses dons -- apóstolos e profetas -- para trazer a Palavra diretamente de Deus. No sentido em que os encontramos no Novo Testamento eles já não existem. (sobre profetas, leia mais aqui).
À medida que a apostasia (desvio da Palavra de Deus) cresce, vamos vendo um número cada vez maior de "bispos" que se elegem a si mesmo como tais, fundam "igrejas" e organizações sobre as quais exercem poder absoluto. Isso acontece hoje no chamado meio evangélico assim como aconteceu no passado no catolicismo, que hoje segue o chamado "bispo de Roma", ou papa. No santo livro o bispo não aparece de modo algum na forma como é visto hoje na grande casa em que se transformou a cristandade, onde há vasos de honra e vasos de desonra.

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