As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

Pesquisar este blog

Carregando...

Posso ser cortado depois de crer?



https://youtu.be/T5NNQCIGVMg

Você escreveu que em Romanos 11:22 Paulo fala que podemos ser cortados. É importante ler todo o contexto e ver que ele está tratando do contraste entre Israel e gentios como testemunho na terra. Israel foi "cortado" dos privilégios que tinha (ao menos por algum tempo) e os gentios não devem achar que isso não possa acontecer também com eles.

Veja que o assunto é o testemunho coletivo, não a salvação individual. Em um certo sentido, o arrebatamento da Igreja, apesar de representar uma bênção para cada crente individualmente, é também um "corte" no sentido que o testemunho como um todo falhou. Basta vermos o estado da última igreja (Laodicéia) em Apocalipse para entendermos isso. Depois de falar de Laodicéia o apóstolo João ouve um chamado "sobe até aqui" (cap. 4)

A outra passagem que citou é o exemplo que o Senhor dá das varas em João 15, mas o assunto ali é dar fruto, não salvação eterna. Primeiramente a aplicação deve ser para Israel, já que ele disse isso inicialmente aos seus discípulos que eram judeus, viviam antes da formação da Igreja e estavam inseridos no contexto de Israel, com seu templo, sacrifícios, ordenanças etc. Este é um aspecto importante quando lemos qualquer um dos quatro evangelhos e o primeiro capítulo de Atos.

Voltando ao exemplo das varas, logicamente não damos fruto a não ser quando estamos "ligados" à fonte da seiva, que é Cristo. O próprio "fogo" de que fala a passagem não é um juízo de Deus, mas circunstancial: "tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas". Isso mostra que não têm utilidade e são recolhidas (por terceiros) para serem queimadas. Um cristão sem comunhão com Cristo é uma vida desperdiçada.

1 Coríntios também fala em fogo e mesmo assim refere-se a pessoas salvas: 1Co 3:15 "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo". Nos dois casos o que está sendo tratado são as obras ou o fruto do crente, não sua salvação. Caso contrário na figura das varas acabaríamos concluindo que a salvação é por esforço humano (permanecer em Cristo) e não por obra de Deus.

Você diz que não acredita que pessoas que aceitaram a Jesus e agora vivem totalmente no pecado sejam salvas, pois a Bíblia fala que nem adúlteros, nem efeminados herdarão o reino de Deus. É correta a idéia de achar que alguém não pode estar salvo porque suas obras negam a realidade de sua fé. A carta de Tiago fala disso pois está tratando das evidências da fé, e não do coração. A única forma de nós, seres humanos, sabermos se alguém é salvo ou não é observando seu andar. Mas mesmo assim isso não nos dá certeza absoluta. Você encontra muitos ateus ou pessoas que adoram demônios vivendo vidas exemplares. Como saber?

Não dá para saber, pois não somos Deus, o único capaz de sondar os corações. O único coração que consigo sondar, e ainda assim de forma completamente imperfeita, é o meu próprio coração, e pode ter certeza de que não gosto nem um pouco do que vejo lá.

Você diria que um homem que adulterou e mandou matar o marido da adúltera para encobrir seu pecado seria salvo? E alguém que tivesse negado Jesus para salvar a pele? Davi e Pedro foram assim, portanto nunca é prudente tirarmos conclusões precipitadas sobre a salvação de outras pessoas. Além do mais, quando entendemos realmente o quanto somos pecadores e a profundidade do mal interior que existe em nosso coração, não olhamos mais com um sentimento superioridade para aqueles que exteriorizam isso em suas práticas.

O Senhor ensinou que não é apenas o adultério exterior que conta, mas também o dos pensamentos. E a violência contra o próximo que é colocada em prática nada mais é do que a violência que maquinamos em nossos corações. Quem pode dizer que não peca? E, se pecamos, como podemos considerar que nosso pecado em oculto é menos grave do que o pecado de outro que é feito às claras?

Mat 5:21-28 "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo... e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno... Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela".

Se você for feito do mesmo material que eu, então irá concordar que pecamos o tempo todo, mesmo que ninguém veja qualquer evidência e exteriormente sejamos sepulcros perfeitamente caiados. Pode ter certeza de uma coisa: se não for por graça, ninguém é salvo. E se não for por graça, ninguém será capaz de permanecer salvo. Dependemos da graça e da misericórdia de Deus para nos salvar e para nos manter até que Cristo venha nos buscar.

Rom 3:9-10 "Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem sequer um".

Entenda que esse "não há um justo, nem sequer um" continua valendo para nós em nosso estado natural, mesmo depois de salvos, pois, de nós mesmos, não temos justiça que garanta nossa idoneidade diante de Deus. Dependemos de Cristo para Deus poder olhar para nós com outros olhos e nos considerar justos e idôneos, não pelo que somos ou fazemos, mas por aquilo que Cristo é e fez para Deus. Somos perdoados por Deus (nossa dívida é saldada) e justificados (ganhamos a reputação de justos) também por Deus.

Em suma, se tivéssemos apenas um vislumbre de como Deus vê o pecado, aí sim desistiríamos de qualquer tentativa de nos salvarmos a nós mesmos ou de nos mantermos salvos por nossos próprios esforços. Se dissermos que não pecamos, enquanto acusamos outros de serem mais pecadores do que nós, estamos incorrendo no pecado da mentira. O versículo a seguir não foi escrito para incrédulos, mas para crentes:

1 Jo 1:8 "Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós".

Quanto ao que você disse, de pessoas que aceitaram a Jesus e agora vivem totalmente no pecado, sempre cabe perguntar: Aceitaram mesmo ou apenas levantaram a mão em um culto evangélico ou se filiaram a uma religião?

Sugiro a leitura deste texto:

http://www.stories.org.br/textos/nunca.html

Mais acessadas da semana