As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como voce conduz as reuniões?



https://youtu.be/pw4inBy3Yic

Ao perguntar como é que eu conduzo as reuniões onde congrego, dá a impressão que vocês estão vendo a coisa toda com óculos eclesiásticos, ou seja, ainda trazem a ideia de um homem conduzindo as reuniões. Na verdade eu não conduzo nada (mal consigo conduzir meu carro). Se quiserem entender como devem ser as reuniões em nome do Senhor Jesus somente, é melhor passarem uma borracha no que aprenderam nos sistemas denominacionais (e não-denominacionais) que adotam uma estrutura clerical.

Quando nos reunimos a direção é deixada para o Espírito Santo, e Ele irá usar quem Ele desejar. Um irmão poderá sugerir um hino, outro trazer uma ação de graças em nome de toda a assembleia, outro ler uma passagem da Bíblia, outro trazer uma palavra de edificação, consolação ou exortação etc. Tudo isso é feito com decência e ordem, e enquanto um irmão fala, os outros julgam para ver se aquilo está de acordo com a são doutrina. O "roteiro" da reunião você encontra em 1 Coríntios 14, principalmente do versículo 26 em diante.

Eu também não lido com membros ou comportamentos, como você colocou em sua dúvida. A assembleia como um todo é que tem essa responsabilidade, e os irmãos mais experientes obviamente colocam em prática esse cuidado. Então se um irmão que está ministrando traz algo que não está de acordo com a Palavra de Deus é provável que ele seja interrompido e convidado a calar-se, no caso de algo muito grave, ou simplesmente será corrigido após a reunião, no caso de um deslize de menor gravidade ou de uma afirmação dúbia.

Quando um irmão ou irmã em Cristo tem o desejo de estar em comunhão à mesa do Senhor para participar da ceia do Senhor, essa pessoa apresenta o seu desejo a um irmão que o comunica aos irmãos responsáveis, que irão visitar essa pessoa, conversar com ela, conhecer mais de sua fé e principalmente saber se ela não está em pecado moral, doutrinal ou eclesiástico (associada a alguma seita). Então, quando existir paz entre os irmãos a respeito disso, é feito o anúncio à toda a assembleia e, se não existir nenhum impedimento, essa pessoa passa a participar da ceia do Senhor na semana seguinte.

Quando alguém que está em comunhão à mesa do Senhor cai em pecado, dependendo da gravidade do pecado essa pessoa pode ser colocada em disciplina cabível para cada caso. Por exemplo, alguém que ministra a Palavra nas reuniões pode ser convidado a ficar em silêncio, caso esteja causando problemas com o que ministra, ou até mesmo ser excluído da comunhão à mesa dependendo da gravidade da situação. O mesmo acontece com pecado moral. Alguém que é colocado fora da comunhão poderá receber um acompanhamento de irmãos visando sua restauração, o que se dá quando a pessoa dá provas de um arrependimento sincero.

Quando um novo convertido começa a se reunir, ele naturalmente irá ganhar conhecimento nas reuniões ou pelo convívio com irmãos fora delas. Geralmente há irmãos que têm um dom mais de pastoreio, que visitam essa pessoa ajudando-a a compreender melhor as coisas do Senhor. As irmãs também fazem um ótimo trabalho neste sentido, como a própria Palavra de Deus mostra em Atos 18:24-26:

"E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo... Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João... Priscila e Áqüila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus". 

Também em Tito 2:3-5

"As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem; Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada". 


Você perguntou o que ocorre quando alguém tem problemas no casamento e precisa de ajuda. Geralmente o casal reconhecerá um irmão mais experiente e pedirá ajuda a ele. Se os problemas envolverem pecado, como adultério, obviamente esse irmão terá de levar o caso aos outros irmãos e isso será tratado numa das reuniões de irmãos que ocorrem periodicamente. Essas reuniões não têm um caráter público, mas são reservadas para tratar de questões e problemas como é o caso de um pecado que contamine a assembleia. Apenas a decisão final é levada à assembleia, e não os detalhes de cada caso.

Mas quando o assunto é apenas uma orientação na Palavra sobre dificuldades no relacionamento, isso acaba ficando entre o casal e o irmão que eles procuraram, a menos que esse irmão se sinta incapaz de ajudar e sugira ao casal alguém mais habilitado e experiente.

Com respeito a namoro (a outra dúvida de vocês), os jovens são ensinados a somente terem um relacionamento sério se tiverem em mente o casamento. Na Bíblia não encontramos namoro, mas encontramos noivado, ou seja, uma decisão já final a respeito de um relacionamento. Porém isso não é uma doutrina, mas um costume que encontramos principalmente no Antigo Testamento e pode nos ajudar na direção a tomar. O que temos bem claro na doutrina dada à igreja nas epístolas, é que o ato sexual só deve ocorrer entre pessoas casadas, portanto se algum jovem estiver em pecado moral ele será colocado em disciplina fora da mesa do Senhor. Sobre noivado, veja mais aqui http://www.stories.org.br/textos/psn.html

A outra dúvida de vocês é o que fazer caso um irmão descubra que outro está agindo errado, se deve trazer isso à luz ou manter-se calado. Tudo depende do que seja a coisa errada. Se o irmão é diabético e está comendo doce, então é uma questão entre ele e quem soube disso. Se for algo entre eles, também deve ser resolvido entre eles, como ensina Mateus 18:
Mat 18:15 Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão;

Porém pode ser que o assunto esteja mais complicado e seja preciso o auxílio de outros irmãos:

Mat 18:16 Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.

Esgotados todos os recursos de resolver isso, então a disputa é levada à assembleia, que deverá tomar as providências cabíveis:

Mat 18:17-20 E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Esse "ligar" e "desligar" tem um caráter governamental apenas, e é feito com a autoridade que o Senhor delegou à assembleia. A decisão que é tomada pela assembleia é respeitada no céu ("ligado no céu") e nas outras assembleias, e tem a ver com decisões administrativas, nunca com a salvação. Ninguém tem o poder de dar ou tirar a salvação de alguém. Deus tem o poder de dar a salvação, porém como os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, isso é algo eterno.

Já quando a questão é de pecado grave, que envolve a contaminação da assembleia, então é obrigação de quem soube do pecado contar aos irmãos responsáveis e estes tomarão as providências cabíveis, conforme nos ensina 1 Coríntios 5. O que não pode existir é pecado grave varrido para debaixo do tapete. Há, porém, faltas menores (tipo "o Zezinho colou na prova") que às vezes trazem mais constrangimento e dano se forem expostas, do que se forem tratadas apenas entre alguns poucos irmãos, mas não estou falando aqui de pecados claramente denunciados pela Palavra de Deus como graves.

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