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Se nao dizimar, para que batizar?



https://youtu.be/3HHdMXaWZBs

Você escreveu perguntando se estaria correto o argumento usado pelo pastor de sua igreja para a necessidade de se entregar o dízimo. Segundo ele, "Assim como o Novo Testamento não prega o dízimo, também não orienta sobre o batismo, e no entanto, todas as igrejas o praticam. Por que então não dizimar?".

O pastor está equivocado, porque vemos sim os primeiros discípulos batizando e sendo batizados no capítulo 2 do livro de Atos, e muitas coisas aprendemos no mesmo livro da maneira como os primeiros cristãos se comportavam. Nas cartas você não encontra instruções para o batismo pois foi uma das últimas instruções que o Senhor deu antes de partir da terra. Se os discípulos não tivessem praticado essa ordenança no início da Igreja, nunca a teriam praticado, pois se passou pouco tempo entre o Senhor dizer isso a eles e a Igreja ser formada em Atos 2.

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mt 28:18-20).

Portanto em Atos 2 os discípulos obedeceram àquela última ordenança do Senhor batizando os primeiros discípulos que pela fé tinham sido acrescentados ao corpo de Cristo, a recém formada Igreja. Já nas cartas não haveria necessidade de falar nisso, pois elas foram escritas a pessoas já congregadas, portanto já batizadas.

O batismo faz parte dos rudimentos da doutrina de Cristo, e já era praticado de diferentes maneiras entre os judeus, como era o caso do batismo de João Batista, que ainda não era um batismo cristão. Portanto se você quiser aprender sobre o batismo cristão deverá começar com a ordenança de Jesus no final dos evangelhos e com a prática dos discípulos no início da Igreja.

Assim como muitos cristãos erroneamente acham que o batismo de João seria um batismo cristão, também acreditam que a pessoa precisa ser batizada por uma instituição religiosa denominacional, geralmente chamada de "igreja". Todavia, o batismo não é responsabilidade da igreja ou assembleia, mas do crente individualmente, daquele que batiza.

Jesus deu a ordenança do batismo antes de existir a igreja e o que vemos em Atos confirma isso, como quando Filipe batizou o eunuco. Não foi a igreja que enviou Filipe a batizar; ele foi por direção do Espírito Santo pregar o evangelho ao eunuco e o batizou sem pedir autorização de ninguém e também sem ter de submeter o eunuco a alguma espécie de curso preparatório para o batismo.

Em 1 Coríntios Paulo fala de ter batizado alguns, e em Atos vemos Pedro e outros batizando. Eram sempre indivíduos agindo, o que batizava e o que era batizado, às vezes sendo batizadas famílias inteiras, sem nenhuma instituição ou organização religiosa misturada a isso.

As ações da igreja são para com os salvos e que foram recebidos à comunhão à mesa do Senhor, não para os que são de fora. Uma pessoa ainda não batizada pode estar salva, mas está fora da esfera da casa de Deus. Mas mesmo uma pessoa batizada e vista como estando nessa esfera de responsabilidade da casa de Deus pode não ter verdadeiramente crido em Cristo.

Só para esclarecer, o corpo de Cristo, que é a Igreja, é o conjunto de todos os verdadeiros salvos por Cristo. Ninguém consegue se fazer membro do corpo de Cristo, ninguém consegue introduzir uma pessoa nele, e ninguém tem poder para excluir alguém do corpo de Cristo. É uma viagem sem volta porque a pessoa que crê é selada pelo Espírito Santo, que é seu penhor ou garantia, e acrescentada pelo próprio Senhor Jesus ao seu corpo que é a Igreja:

"Cristo, em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória." (Ef 1:13-14). "Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2:47).

Já no que diz respeito à "casa de Deus" (1 Tm 3:15), é pelo batismo que a pessoa é introduzida nessa esfera de privilégios e responsabilidade, mesmo que não tenha sido genuinamente salva por Cristo. Do corpo de Cristo só fazem parte os que são seus membros, que foram lavados pelo seu sangue e acrescentados pelo próprio Senhor à Igreja.

Da casa de Deus, porém, fazem parte os que foram batizados, e é por isso que em Atos 8 você pode ler a história de Simão, o mago, um falso crente que foi batizado e passou a fazer parte da casa de Deus, que obviamente é bem maior e tem muito mais gente que o corpo de Cristo. Por isso em 2 Timóteo 2 ela é chamada de "grande casa" onde há de tudo um pouco.

Quanto ao dízimo, obviamente ele era uma ordenança dada a Israel e nada tem a ver com a Igreja. Ele era entregue no Templo de Jerusalém aos sacerdotes para a manutenção destes, dos levitas e do próprio templo, além de servir também de auxílio aos necessitados. A "casa do tesouro" que você encontra em Malaquias e é muito usada por pastores como argumento para pedir o dízimo era uma câmara do Templo de Jerusalém. Hoje você não tem nada disso: casa do tesouro, Templo, sacerdotes e levitas. Vai entregar o dízimo onde e a quem?

Mas se você frequenta uma denominação religiosa que exige o dízimo terá que cumprir esse requisito, não como uma ordenança de Deus, mas como a condição que é imposta ali para você participar daquela sociedade. Seria errado participar de um clube sem pagar mensalidade, portanto é errado querer congregar em uma denominação sem cumprir as regras ali estabelecida. Estou dizendo "errado" não no sentido de desobediência à Palavra, mas socialmente errado, se podemos chamar assim.

Seria o mesmo que eu querer frequentar algum evento que exige consumo mínimo de alguma bebida ou salgado. Até mesmo restaurantes são assim. Eu não posso entrar em um restaurante, ocupar uma mesa com o pretexto de que estou ali para ouvir a música ao vivo ou usar o WiFi. Eles me obrigarão a consumir algo, e assim são as denominações. Elas precisam pagar suas contas e para isso contam com seu dízimo. Se você não concorda então nem deveria estar lá.

Portanto, o primeiro erro é querer insistir ficar numa denominação e não seguir as regras. Se você começa a abotoar a camisa com o primeiro botão errado, todos os outros acabarão no lugar errado. Então não adianta você querer resolver a questão do dízimo se continuar numa denominação, cuja estrutura exige uma receita considerável para sustentar pastores e obreiros, construir templos, e ainda enviar uma porcentagem da arrecadação para a sede. Talvez você não saiba, mas a maioria das igrejas denominacionais funcionam num sistema semelhante ao das franquias, como McDonald's, Pizza Hut, Domino's etc.

Quero dizer com tudo isso que o seu problema maior não é o dízimo, e nem faz sentido tentar convencer o pastor e os irmãos que congregam ali de que o dízimo não seja necessário. O que você precisa é entender que Deus não estabeleceu nenhuma denominação ou sistema religioso. O Senhor Jesus simplesmente convidou dois ou três a estarem congregados ao seu nome e sob sua autoridade, mas para isso você não precisa montar uma estrutura de franquias como a de muitas denominações por aí, e nem depender de uma receita considerável de recursos para manter toda a estrutura.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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