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Basta crer para ser salvo?



Recebi seu horroroso texto escrito por um "teólogo" de uma falsa "igreja" com o título "Basta crer para ser salvo?". O autor consegue elencar toda sua ignorância bíblica em um artigo que é um monumento de rejeição e aversão à graça de Deus, desonrando assim o próprio Senhor que diz conhecer. Ele começa perguntando "Será que Deus estabeleceu condições para recebermos esse dom?", referindo-se à recepção de vida eterna. A resposta clara e bíblica é um sonoro "SIM", Deus estabeleceu uma condição apenas: Ser pecador. "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." (1 Tm 1:15).

Então ele continua usando a técnica satânica inaugurada pelo diabo no Jardim do Éden, que é fazer perguntas maliciosas e construídas de forma a colocar dúvidas na mente e minar o que o Senhor diz em sua Palavra. Ao citar Romanos 10:9, "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.", e Atos 16:31, "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.", ele joga a diabólica semente de dúvida no leitor: "Mas isso é tudo que temos de fazer? Deus exige somente crermos para nos dar a salvação? Seria isso verdade?".

Se ao ouvir isto você não escutou o silvo da serpente então está com o mesmo problema de Eva, quando escutou do inimigo: "É assim que Deus disse?" (Gn 3:1), é melhor calibrar seu entendimento. Às questões levantadas por esse herege as Escrituras respondem com um sonoro "SIM", basta crer em Cristo para ser salvo, e não são poucas as passagens genuínas que afirmam isso, e uma muito clara que me vem à mente é esta:

"Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado." (Rm 4:3-8).

Então o autor cita versículos como Hebreus 11:6, "sem fé é impossível agradar-lhe" e Efésios 2:8-9, "...pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. não vem das obras, para que ninguém se glorie", mas com uma intenção clara de causar distorção: ele usa destas passagens para dizer que não devemos nos gloriar de termos recebido a salvação, que na cabeça dele só pode acontecer para quem cumprir os requisitos que ele irá elencar na continuação de seu artigo.

O versículo mal utilizado que vem a seguir é Hebreus 5:9, onde diz que o Filho de Deus "...veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem". Então apenas obedientes são salvos? Sim, mas de que tipo de obediência está falando aqui? Da "obediência da fé", de Romanos 16:26 e da obediência que segue a salvação pela fé e por graça que foi descrita em Efésios 2:8-9, onde diz que os salvos são "... feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.".

Um salvo irá obedecer e praticar obras preparadas por Deus, mas isso DEPOIS de ter sido "de novo gerado, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre." (1 Pe 1:23). O autor segue trazendo algumas passagens fora de contexto para tentar provar sua tese de que a salvação só é dada aos que fazem boas obras. Será que ele não leu Romanos que diz que um incrédulo não consegue praticar qualquer obra que seja, mas é um inimigo de Deus que não tem o mínimo temor e que quando abre a boca espirra veneno de cobra?

Mesmo assim o autor começa usando Mateus 7:21: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."Ora, tendo entendido que a salvação recebida por graça e pela fé acontece depois de alguém ter sido gerado de novo pela Palavra e pelo Espírito, é natural que aquele que agora tem a Cristo como Senhor irá fazer a vontade do Pai e não lançar vãs palavras ao ar ainda em sua incredulidade. Um papagaio que aprenda a dizer "Senhor! Senhor!" pode ser salvo? Não, porque a natureza dele é de uma ave, não de um filho de Deus. 

A falta de entendimento de que a salvação ocorre em três etapas, que podem ou não ser simultâneas, resulta nessas aberrações Entenda que primeiro vem o novo nascimento, quando somos gerados de novo por semente incorruptível — a Palavra de Deus — aplicada pelo Espírito Santo em nós. É só a partir deste momento que passamos a sentir o peso de nossos pecados porque recebemos vida, enquanto antes estávamos "mortos em nossos delitos e pecados"

Ao sentir o peso dos pecados clamamos "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7:24), coisa que um insensível cadáver — que é como o pecador é visto por Deus em seu estado original — não seria capaz de sentir. Então vem o encontro com Cristo ao escutar o claro evangelho que inclui morte, ressurreição e juízo, como o que foi pregado por Pedro em Atos 10. Esse homem, nascido de novo, mas ainda em desespero por perceber que em sua carne "não habita bem algum" (Rm 7:18), clama "Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.", e logo conclui: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 7:25-8:1).

É neste ponto que ele é selado com o Espírito Santo, que não poderia ter vindo habitar antes de ele ter sido perdoado de TODOS os seus pecados, presentes, passados e futuros, já que na cruz Cristo levou sobre si seus pecados quando ele nem mesmo existia. "[Cristo], em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa." (Ef 1:13).

Em sua coleção de equívocos o autor do texto não poderia deixar de citar Mateus 19:16-17 sobre o caso do jovem rico que pergunta "Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?", e a resposta de Jesus: "Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos". Ora a questão primeira é esta: O que um judeu entendia por vida eterna? Certamente não era a mesma que Jesus veio revelar nos evangelhos e foi depois confirmada pelos apóstolos, não apenas como uma vida que não tem fim, mas uma vida que não tem começo nem fim porque é a própria vida de Deus no crente. O significado de "eterna" não é sua duração, mas sua origem no Deus eterno, é a natureza da vida, não sua longevidade.

Para um judeu, vida eterna significava não morrer, significava viver saudável e próspero para sempre numa terra que manava leite e mel, mas ainda assim numa terra, não no céu. A própria Lei exigia o cumprimento dela em todos os seus mandamentos a fim de se evitar a morte, prometendo assim vida perene ou perpétua neste mundo. Paulo explica: "Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá." (Gl 3:12).

Isso nada tinha a ver com a vida que o crente tem por fazer parte da nova criação, não a mesma vida que herdou de Adão, cujo desfecho ocorreu na cruz quando Jesus entregou sua vida e morreu de vontade própria. Sim, pois por ser perfeito Deus e perfeito Homem, ele jamais poderia pecar e, portanto, nunca poderia morrer a menos que entregasse sua própria vida, como efetivamente o fez.

"Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." (Jo 10:17-18). 

Portanto era de se esperar que, para um judeu, em especial um que não entendeu a deixa dada por Jesus ao chamá-lo de "Bom mestre" e obter como resposta "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus." (Mt 19:17), a resposta mais apropriada seria mesmo "Guarda os mandamentos". Como aquele jovem logo percebeu que não conseguiria guardá-los "retirou-se triste".

Quão diferente teria sido o desfecho daquele encontro se, ao invés de se arvorar em meticuloso cumpridor da Lei e dos Mandamentos como fez — "Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade" (Mt 19:20) — ele tivesse se reconhecido incapaz de viver segundo os padrões de Deus e, como a mulher pega em adultério, permanecido contrito diante do único que podia salvá-lo. O próprio apóstolo Paulo, apesar de ter sido um fariseu irrepreensível em todos os quesitos da Lei, trombou com um mandamento que viu ser incapaz de obedecer: "Não cobiçarás".

"Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás." (Rm 7:7). Ali aquele que viria a ser um apóstolo de Cristo entendeu que, se a Lei prometia vida perene na terra, coisa impossível de qualquer judeu cumprir em sua totalidade, ela não podia dar vida, sendo portanto um instrumento de acusação e morte.

"Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado. E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado." (Rm 7:7-14). 

Todavia, como o ditado diz que "desgraça pouca é bobagem", o autor do texto que me enviou consegue desgraçar ainda mais o entendimento das Escrituras ao trazer à tona Tiago 2:19 para querer provar que não basta crer porque até os demônios creem. Se você pudesse me enxergar agora veria eu bater com o punho fechado em minha testa e dizer "dãããã..." imitando um estulto e falto de entendimento. Será que foi de propósito que ele não enxergou que o versículo "também os demônios o creem, e estremecem" está se referindo a crer "que há um só Deus"? Ora, isso nada tem a ver com a fé salvífica, que é aquela colocada no Cordeiro de Deus e em sua obra, e não na simples assertiva de que há um só Deus? 

É claro que os demônios creem que há um só Deus e não milhares de deuses como querem os pagãos, e é claro que milhões de pessoas que passarão a eternidade no lago de fogo nunca duvidaram da existência de um único Deus. Mas elas não terão crido na salvação gratuita pela fé, do mesmo modo como o autor deste texto deixa muito claro que ele mesmo não crê. Ele faz muito bem o tipo que quer acrescentar seu sanduíche de mortadela ao banquete para o qual Deus está convidando o pecador. Condição para participar? Estar entre os que admitem ser espiritualmente "pobres, e aleijados, e mancos e cegos" (Lc 14:21).

Se você acha que o saco de bobagens que diz esse suposto "teólogo" chegou ao fim, espere até ver as duas outras coisas que ele diz serem condições para a salvação: "Batismo e imposição de mãos". Para batismo ele usa do mesmo erro professado por muitos cristãos católicos e protestantes, que seria o batismo o gerador de uma nova vida. Ele, como muitos que dizem ser cristãos, tira Deus do processo de dar vida ao morto em seus pecados, substituindo o Espírito Santo de Deus por algum homem imperfeito que ministre o batismo. Agora já não temos apenas um Salvador, mas dois: Jesus e o que batiza. Na concepção deste autor, se um deles faltar você estará perdido eternamente. Ainda bem que ele não estava lá quando o malfeitor crucificado clamou por salvação. Como batizar um homem pregado numa cruz?

Agora a melhor parte: "A imposição de mãos, POR UM VERDADEIRO MINISTRO DE JESUS CRISTO, vem logo após o batismo e nos permite receber o Espírito Santo de Deus e passar a pertencer verdadeiramente a ele". Ele cita Atos 8:17 e Romanos 8:9 sem perceber o contexto ali. É claro que um clérigo não iria querer deixar de ser clérigo e largar assim fácil seu status e colarinho engomado para que leigos pudessem agir como sacerdotes que são. Clérigos não abrem mão de seu sacerdócio imaginário, sempre se achando intermediários entre Deus e os homens. Todavia, o que foi dito a todos os salvos por Cristo é, que todos, sem excluir ninguém, são "sacerdócio santo" com igual acesso à presença de Deus.

"Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo." (1 Pe 2:5). 

"Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu." (Hb 10:19-23).

Deixe-me desenhar as diferenças entre os batismos que encontra no livro de Atos:

Em Atos 2 acontece primeiro a "inauguração" da Igreja, uma obra de Deus e não do homem, e em seguida vem Pedro trabalhando para, por meio da pregação e do batismo nas águas (iniciativas humanas), introduzir na casa de Deus e esfera do Reino dos céus aqueles que professassem crer, pois a introdução na casa de Deus e no Reino se dá pelo batismo.

Como em Atos 2 eram todos judeus, nas passagens que se seguiram, nas quais você encontra pessoas recebendo o Espírito Santo, Pedro estava usando das chaves que o Senhor lhe deu em Mateus 16. A primeira foi usada com judeus, as outras ele usaria mais tarde com gentios. É importante notar as diferenças na ordem dos eventos que aconteceram quando essas pessoas foram introduzidas, e a razão de cada evento ser nessa ordem:

JUDEUS - Atos 2:38: os judeus são introduzidos seguindo este processo:

1º - Arrependimento (os judeus eram primariamente culpados da rejeição e morte de seu Messias, portanto tinham muito de que se arrepender).
2º - Batismo nas águas
3º - Recebimento ou selo do Espírito Santo

SAMARITANOS - Atos 8:14-17: os samaritanos são introduzidos; eles eram gentios convertidos ao judaísmo levados para a terra prometida para substituir os judeus durante o exílio:

1º - Fé (crer)
2º - Batismo nas águas
3º - Recebimento do Espírito pela oração e imposição de mãos dos apóstolos.

GENTIOS - At 10:44-48: todos aqueles que não eram judeus ou samaritanos:

1º - Fé (crer)
2º - Recebimento do Espírito Santo
3º - Batismo nas águas

Finalmente podemos mencionar também uma classe especial ali que são os DISCÍPULOS DE JOÃO BATISTA - At 19:1-7, um subgrupo de judeus que eram os discípulos de João, que já haviam se apartado dos judeus e suas culpas:

1º - Fé (crer)
2º - Rebatismo nas águas (tinham sido antes batizados "em" João Batista como os israelitas tinham sido batizados "em" Moisés, pois quando você é batizado, você é batizado "a" alguém - compare as passagens 1 Co 1:15; 10:2; Gl 3:27).
3º - Recebimento do Espírito Santo pela imposição das mãos do apóstolo.

Veja que estes não são processos para a salvação, que vem apenas pela fé em Jesus, mas apenas a ordem em que as coisas aconteceram quando foram usadas as chaves para se abrir o Reino dos céus a judeus (e samaritanos) e gentios. Entenda também o livro de Atos como um período de transição entre o que era testemunho de Deus no mundo (judeus) e o que passou a ser (Igreja).

Ao contrário da superstição de alguns, a imposição de mãos não é alguma espécie de ritual de transmissão de bons fluídos e energia mágica feita por feiticeiras, mas simplesmente de comunhão ao receber aqueles irmãos para dentro da casa de Deus que é a esfera da profissão cristã.

Mas é claro que o herege autor do texto não iria querer que os salvos descansassem em sua salvação eterna, por isso acrescenta: "Jesus entregou ainda outra condição para receber o dom da salvação de Deus" — e aqui eu me pergunto que dádiva é essa com tantas condições amarradas ao contrato —, e ele cita: "Aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mt 24:13). 

Será que ele não leu a continuação e o contexto, que fala que tudo aquilo é o que irá acontecer ao remanescente de judeus durante a "grande tribulação"? Ah, mas é claro, os membros dessa religião se acham judeus, tanto é que guardam o Sábado para fazerem de conta que obedecem a Lei, e cada vez mais desconfio que estou diante de outra versão do "Adventismo do Sétimo Dia", já que no site da Igreja são apresentadas as mesmas restrições da Lei, inclusive a proibição de comer alimentos impuros. Mas voltando ao "quem perseverar até o fim será salvo", repare que mis adiante o capítulo diz: "E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria" (Mt 24:22). 

Exatamente, o assunto de Mateus 24 não é a salvação eterna, mas a salvação da vida; é ficar a salvo; é não morrer para poder entrar vivo no reino de Cristo que na sequência será inaugurado na terra. Nele não entrarão os santos das dispensações anteriores, que já estarão ressuscitados e transformados morando com Cristo nos céus, mas apenas um resíduo de salvos vivos na terra.

Então no subtítulo "A salvação é de graça, mas não é barata" o autor não deixa barato e propõe um escambo ou permuta, transformando a salvação em moeda de troca, que resumindo é "Deus me dá a salvação e eu lhe dou minha vida", como se o Dono de minha vida, adquirida com sangue precioso, já pertencesse a Cristo que agora tem total direitos sobre ela. O autor escreve: "Deus espera que entreguemos nossas vidas em troca", e eu fico imaginando que cena triste devem ser os aniversários na casa de alguém assim. Ele traz flores para a esposa e ela precisa correr comprar algo para dar em troca, como se fosse um evento de amigo secreto. Nada é de graça naquela casa.

Fico triste por saber que muita gente caminha para a perdição eterna ouvindo esse tipo de pregação que é uma total desonra para Aquele que se entregou por nós na cruz não pedindo nada em troca para nos salvar, mas apenas crer nele. Esse homem é o típico fariseu do qual Jesus falou: "Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. " (Mt 23:4, 13).

Fico imaginando o diálogo absurdo que aconteceria se o autor desse texto passasse pelo monte da Caveira naquele fatídico dia da crucificação e ouvisse a confissão do malfeitor arrependido, seguida do pedido mais importante de sua vida:

"E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino" (Lc 23:39-42).

Aí, antes mesmo que o Senhor dissesse "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso"imagino esse herege entrando na conversa e dizendo:

"Ei, amigo, não vai ser fácil não, ou melhor, no seu caso será impossível. Veja bem, você primeiro precisará ser batizado nas águas por um ministro ordenado e receber minha imposição de mãos para receber o Espírito Santo. Mas não farei isto se você não descer dessa cruz e ir reparar os danos que causou às suas vítimas, guardar toda a Lei, e dar provas de uma verdadeira conversão. Caso contrário você será apenas mais um que irá clamar 'Senhor! Senhor!' em vão. E sabe o que mais? É bom que assim que terminar de fazer tudo isso você morra logo, antes que pense em fazer alguma besteira, como comer um sanduíche de presunto, porque poderá perder a salvação se não perseverar até o fim. E se só de pensar já pecamos, posso adiantar que você está perdido de qualquer maneira".

Dá para acreditar isso?! Negar a graça de Deus com tamanha audácia e sem-vergonhice? Negar a graça que diz "crê em Jesus e serás salvo", que é o que diz a Palavra de Deus. Isso é estragar a maior e melhor mensagem vinda dos céus para pecador! Não acrescente essas coisas como se a salvação estivesse sendo vendida numa feira, ao lado do pastel com caldo de cana, como se ali tivesse uma banca com os dizeres: "VENDE-SE A SALVAÇÃO! ENTREGUE SUA VIDA E GANHE UMA SALVAÇÃO!". Isso é loucura! É não entender realmente que a graça é um favor imerecido que Deus tem para o pecador contrito que se chega a Jesus pela fé somente.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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