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O sexo só pode ser para procriação?


https://youtu.be/lysDSs46Lfo

Você perguntou se o sexo no casamento só poderia ser praticado para procriação, e se for este o caso, por que Deus teria nos criado com instintos sexuais. A resposta é que Deus deu o prazer sexual ao homem na criação original, caso contrário Adão e Eva nunca teriam tido vontade de procriar e a civilização teria terminado ali. É graças a um estímulo tão forte quanto o desejo sexual que os seres vivos se dispõem a ter relações sexuais.

Quando você volta ao princípio descobre que Deus não apenas deu aos seres humanos a prática sexual, mas que isso estava incluído na opinião do Criador, quando, ao contemplar sua obra e tudo que fazia parte dela — inclusive o instinto sexual —, declarou "que era muito bom... E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam." (Gn 1:31; 2:25).

Porém, como tudo mais na Criação, o desejo sexual também foi corrompido pelo pecado original e acabou desregulado como um fio de alta tensão que se rompe do poste e sai ricocheteando pela rua levando destruição e morte. Outros instintos primordiais também ficaram desregulados, apesar de terem sido dados como desejos perfeitamente lícitos dentro dos parâmetros que Deus colocou para eles, como é o caso do desejo de comer, dormir etc.

No que diz respeito aos instintos sexuais, a Palavra de Deus deixa claro que seu prazer é perfeitamente permitido dentro de uma relação matrimonial entre marido e esposa, homem e mulher. Provérbios 5:18-19 explica: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente.". A expressão "os seus seios te saciem todo o tempo" deixa evidente que o prazer sexual não se restringe à procriação, pois os seios aqui são citados aqui apenas para o prazer.

Embora o Antigo Testamento mostrasse a santidade do sexo no casamento, o Novo Testamento daria um passo além. Se na sociedade patriarcal que encontramos entre os hebreus o marido é quem tinha poder sobre o corpo da esposa, uma passagem da carta de Paulo pode surpreender ao mostrar, com a inspiração do Espírito Santo, que esse poder é mútuo. Depois de deixar claro que um casamento aberto não está nos planos de Deus e é considerado adultério, ao dizer que "cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido", Paulo escreve:

"O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência. E isto vos digo como concessão e não por mandamento." (1 Co 7:2-6).

Antes de minha conversão eu devorava livros esotéricos e espiritualistas, e a autobiografia de Gandhi, com quase quinhentas páginas, realmente me impressionou por sua decisão de se tornar celibatário. Ao comentar isso com alguém a pessoa retrucou: "Mas a esposa dele também queria ser celibatária?". Eu não tinha pensado nisso. É fácil nos esquecermos dessa relação mútua que é o matrimônio, que exige mutualidade também nas decisões que afetam a ambos. O inverso disso é cada um fazer sua própria vontade, buscar os próprios interesses, desconsiderando a vontade e interesses do outro.

A Palavra de Deus coloca o Senhor Jesus como o perfeito exemplo de quem considerou o benefício de outros até mesmo em sua decisão mais extrema de ir à morte, e nem sempre percebemos que a descrição de sua vinda ao mundo para morrer vem precedida da exortação para não atentarmos para aquilo que é de benefício apenas nosso, mas também para o que é dos outros: "Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.." (Fp 2:4-5).

A própria "Ode ao Amor" do capítulo 13 de 1 Coríntios diz que o amor "não busca os seus interesses", e se conseguirmos harmonizar esta com a passagem de 1 Coríntios 7 veremos o quanto o Senhor deseja que exista esse respeito mútuo no matrimônio. Provérbios 18:1 lembra que "Busca seu próprio desejo aquele que se separa; ele insurge-se contra a verdadeira sabedoria.". Mas essa harmonia não pode acontecer quando se exclui o Senhor dessa instituição dada por Deus, e permanecem apenas marido e mulher. "O cordão de três dobras não se quebra tão depressa." (Ec 4:12). Mas o cordão de apenas duas dobras — marido e mulher — pode se quebrar facilmente.

Prevendo que o amor e o instinto sexual com os quais o Senhor havia dotado o primeiro homem não faria sentido sem uma alma gêmea, ele disse: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele." (Gn 2:18). Isso fica ainda mais significativo quando vemos que até mesmo o Filho de Deus veio ao mundo para salvar e formar uma esposa para si. Este tem sido o trabalho do Espírito Santo desde a formação da Igreja, completar aquela que irá permanece ao lado do Senhor eternamente como a esposa do Cordeiro.

Efs 5:25  "Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível... [e aqui Paulo repete as palavras ditas pelo Senhor em Genesis 2:24 e Mateus 19:5]... Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.  Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido. (Ef 5:25-33).

Mas não seja tão rápido em pensar que um homem ou uma mulher não possam se sentir completos sem uma vida sexual ativa, pois depois de falar em 1 Coríntios 7 das responsabilidades mútuas do casal na vida sexual, e isso como uma concessão, e não um mandamento, Paulo continua dizendo: "Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento. Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se." (1 Co 7:6-9).

Ele diz isso aos solteiros e viúvos, que poderão decidir livremente se devem ou não se entregar ao celibato e, em caso afirmativo, que isso seja para ter mais tempo de servir ao Senhor e não para viver uma vida egoística de satisfação própria. Porque aos casados ele dá uma instrução bem clara e inequívoca: "Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher." (1 Co 7:10-11).

Em Malaquias 2:16 o Senhor já havia expressado seu ódio ao divórcio, "aborreço o divórcio", mas o contexto deixa claro que ele falava daquele que chega a este ponto por ser "infiel para com a mulher da sua mocidade" (Ml 1:15). E o que é o infiel senão aquele que decide fazer sua própria vontade sem considerar a vontade daquele ou daquela a quem está unido em matrimônio?

Resumindo, o que tudo isso quis dizer é que o casamento é bom, o sexo é bom, a vida de solteiro é boa e a opção pelo celibato também é boa. Qualquer uma dessas opções é boa aos olhos de Deus quando se está sob a direção dele e as decisões não sejam unilaterais, como parece ter sido a de Gandhi ou de qualquer um que busca fazer sua própria vontade. Enquanto isso o mundo, a cultura e a mídia farão com que você se sinta miserável se decidir por uma das duas últimas opções para a glória de Deus.
 
Ao contrário de grande parte dos animais, que procuram o sexo oposto quando a fêmea está no cio, o ser humano tem uma disposição constante de fazer sexo, dentro e fora do período de fertilidade. Porém aos seres humanos foi dada inteligência e, em especial aos crentes, a capacidade de autocontrole, para não viverem como vivem os bandos de cães de rua perseguindo a cadela no cio.

Vi um documentário na Netflix sobre o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional, um dos homens mais poderosos do mundo e referência para muitos governos, que mostra quando ele foi preso em Nova Iorque depois de supostamente ter tentado estuprar a camareira do hotel onde estava hospedado. Ele acabou livre, mas aquilo levantou a capa de sua vida pregressa e trouxe à tona outros casos e até uma rede de prostituição da qual ele foi considerado cafetão, embora inocentado no final.

Depois de tudo que passou, numa entrevista à CNN o reporter pergunta se ele fez algo de errado e ele diz que sim: Não previu que as pessoas não estão preparadas para aceitar que um homem público tenha esse tipo de vida. Ou seja, ele considerava normal viver como um animal dando vazão aos seus próprios instintos e quem estava errado era o público por estranhar sua vida devassa. Ora, o homem era considerado um dos gênios das finanças e quase foi eleito presidente da França se não tivesse sido preso. Assim é o ser humano, descontrolado nos seus instintos mais primordiais quando não é guiado por Deus.

Sobre o prazer no sexo dentro do casamento, a Bíblia fala de Isaque e Rebeca "brincando" como marido e mulher, portanto em algum tipo de atividade íntima que não devia ser necessariamente um ato de procriação, mas de prazer mútuo.

"Ora, depois que ele se demorara ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca, sua mulher. Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: E minha irmã?" Gn 26:8, 9.

Para Abimeleque desconfiar que Isaque e Rebeca eram marido e mulher, essa "brincadeira" devia ter caráter sexual. Com tudo isso concluo que pode existir entre o casal um relacionamento de cunho sexual, porém sem função de procriação. O que o cristão deve entender que esse cabo de alta tensão que Deus colocou em seus instintos foi rompido pelo pecado e agora pode ricochetear lançando faíscas para todo lado, destruindo vidas e criando um batalhão de crianças inocentes que sofrerão a vida toda por causa da irresponsabilidade de seus pais.

Na Bíblia temos o exemplo de um jovem crente fiel a Deus, excitado pelas investidas de uma mulher casada, o que poderia levá-lo ao pecado e à ruína caso cedesse aos apelos da adúltera. Assim como outros instintos primordiais que dificilmente conseguimos controlar, como a fome, a sede e a necessidade de respirar, neste caso existia uma saída, não de lutar contra o instinto de sua carne ou tentar dominá-lo, mas de fugir. E foi o que ele fez.

"E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pós os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo.  Porém ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem; ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? E aconteceu que, falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvidos, para deitar-se com ela, e estar com ela, sucedeu num certo dia que ele veio à casa para fazer seu serviço; e nenhum dos da casa estava ali; e ela lhe pegou pela sua roupa, dizendo: Deita-te comigo. E ele deixou a sua roupa na mão dela, e fugiu, e saiu para fora." (Gn 39:7-12). 

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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