As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como saber se vem do Espirito Santo?



https://youtu.be/qfyIK4vHGbQ

No mundo confuso das religiões cristãs hoje é natural que você esteja com essa dúvida: Como saber se uma manifestação é do Espírito Santo, quando estamos congregados? Creio que a resposta esteja aqui: (1 Co 12:7) “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. Quando nos deparamos com alguma manifestação aparentemente espiritual a primeira pergunta a ser feita é: Que utilidade tem isso? Será que está sendo útil para a edificação, exortação ou consolação dos irmãos?

Uma pessoa que começa a urrar, pular, rolar ou engatinhar pelo chão, ou girar como um pião, não tem utilidade alguma, apesar de parecer uma manifestação espiritual. Alguém gritando palavras irreconhecíveis pode assustar muita gente, mas não passa de uma grande inutilidade. Tudo isso pode muito bem ser descrito com as palavras ditas pelo apóstolo Paulo: (1 Co 9:26) “Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar (ou dando socos no ar)”. 

Além disso, depois de dizer que “a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil, o apóstolo continua descrevendo algumas dessas manifestações e suas utilidades. É importante entender que neste capítulo em muitas partes onde aparece a palavra “dom” ou “dons” a tradução mais correta seria “manifestação” ou “manifestações”, que é como aparece no original. Propriamente falando, os “dons” são aqueles descritos em Efésios 4, e são permanentes nas pessoas que os recebem do próprio Senhor. Já as manifestações do Espírito parecem ser transitórias e visam atender a uma necessidade específica em um determinado momento.

Palavra da sabedoria (1 Co 12:8a) — A capacidade de falar com uma sabedoria que está acima da própria capacidade daquele que fala. Foi o caso de Filipe, que causou um efeito tremendo sobre os que o ouviam em Atos 6:10.

(At 6:10) “E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava”.
(1 Co 12:8b) “e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;”.

Palavra da ciência ou conhecimento (1 Co 12:8b) — Trazer à tona coisas desconhecidas ou conhecidas por poucos. Talvez aqui esteja também a capacidade espiritual de revelar o sentido das coisas que foram reveladas, mas não compreendidas, como em associar o Antigo com o Novo Testamento ao mostrar a sombra e a realidade.

(Mt 13:51-52) “E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. E ele disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

Fé (1 Co 12:9a) — Paulo associa a fé em 1 Co 13:2 à capacidade de remover montanhas, ou seja, uma pessoa que recebe a fé (não é fé no sentido da salvação aqui, mas da realização de uma tarefa específica e maravilhosa) tem essa capacidade. Quando lemos biografias de cristãos que oravam e as coisas aconteciam de maneira inacreditável, provavelmente eram pessoas com esse dom. É importante entender isso, porque às vezes ficamos frustrados porque nada obtemos pela fé e esses pareciam ter um poder maior do que o nosso. É aí que entra as manifestações que o Espírito distribui a cada um segundo ele quer e para um objetivo, o qual é determinado por Deus e não por nós. Não se trata de ter fé para comprar carro de luxo.

Dons (manifestações) de curar (1 Co 12:9b) — O interessante aqui é que está no plural, o que parece indicar que fossem manifestações para tarefas específicas. Temos exemplos do apóstolo Paulo. Em uma ocasião ele aparece curando enfermos e em outra precisa deixar um irmão doente para trás ou sugerir a Timóteo que tome água com vinho para sua enfermidade no estômago. Isso parece indicar que as manifestações de curar são dadas com objetivos bem definidos. Não se trata de uma capacidade que dá à pessoa o poder de curar quem bem entender, como se fosse um curandeiro. Não podemos comparar esses dons ou manifestações de curar com o que o Senhor Jesus fez aqui. Ele não tinha dons ou manifestações, como estes distribuídos pelo Espírito Santo; ele era o próprio Deus exercendo seu poder e em Efésios vemos que é ele quem dá dons aos homens.

Operação de maravilhas (1 Co 12:10a) — Coisas inexplicáveis, como levantar mortos, escapar sem ser visto, ser picado por serpente e não morrer, etc. Temos vários exemplos em Atos.

Profecia (1 Co 12:10b) — Aqui eu creio tratar-se de revelação mesmo, da verdade comunicada diretamente por Deus, e não apenas de proferir algo da parte de Deus com base na Palavra escrita, que é como usualmente fazemos hoje. Podia ser algo sobre o futuro (como João, ao escrever o Apocalipse) ou simplesmente o pensamento que Deus queria comunicar. Os profetas formaram o fundamento da igreja (Ef 2:20) e agora somos edificados sobre esse fundamento que eles deixaram. Uma vez que temos a Palavra de Deus completa, não há necessidade de se esperar por uma nova revelação. Correr atrás de supostas novas revelações é demonstrar insatisfação com o que já recebemos de Deus.

Discernir os espíritos (1 Co 12:10c) — precisamos de irmãos que apontem quando alguém fala pelo Espírito ou está sendo influenciado por Satanás. Paulo usou esse dom quando desmascarou a jovem que o seguia dizendo coisas que para um ouvinte comum pareciam estar promovendo o trabalho do evangelho, conforme vemos em Atos 16:17. Mas repare que a jovem ficou muitos dias seguindo Paulo e ele não fez nada, o que pode demonstrar que ainda não lhe tinha sido dada esta manifestação do Espírito para ele agir. Hoje muita gente carece desse discernimento para evitar engolir qualquer bobagem que traga o selo evangélico ou cristão. O fato de algo aparentar ser espiritual não significa que venha de Deus. Lembre-se de que Satanás é um anjo.
(1 Co 12:10d) “e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas”.

Variedade de línguas e interpretação (1 Co 12:10d) — Parecem ser manifestações que caminham juntas, pois a Palavra em 1 Co 14 proíbe o falar em línguas se não existir quem interprete. Falar em línguas não é ficar balbuciando alguns “uriama lamás” e sim falar um idioma estrangeiro sem nunca ter tido uma aula disso. O mesmo acontece com a interpretação. Esse dom ou manifestação teve o seu papel no início da Igreja, que era o de convencer os judeus que aquela era uma obra de Deus. Não vejo utilidade algo assim hoje e nunca vi numa reunião de cristãos alguém que falasse de forma sobrenatural outros idiomas cumprindo as ordens dadas em 1 Co 14: Falar dois ou três no máximo, um depois do outro, ter quem interprete e as mulheres permanecerem caladas. Fora isso, ainda cabe a pergunta: está sendo útil para convencer judeus?

(1 Co 14:21) “Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo [judeus]; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor”.

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