As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Existe uma organizacao central?



https://youtu.be/6hLjjCb873w

Depois de ler meu texto "Como devemos nos congregar - Parte 1" você ficou com algumas dúvidas sobre a necessidade de congregar em comunhão com uma assembleia mais próxima que já estivesse se congregando em nome de Jesus.

O que gerou sua dúvida foi eu ter explicado ao destinatário daquele texto, que tinha saído de uma denominação com outros irmãos, que as reuniões que fizessem entre eles para leitura da Palavra seriam reuniões informais, pelo menos até que estivessem congregados em nome de Jesus como ensina em Mateus 18:20. O caminho correto para isso seria entrarem em comunhão com uma assembleia mais próxima que já estivesse congregada assim. Daí sua dúvida, se existiria uma "organização central" para autorizar isso. Não existe. Mas vamos ver o que diz a Palavra de Deus:

Mat 18:15-20 "Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles".

Perceba que aqui o Senhor conecta o reunir-se ao seu nome com sua autoridade dada à assembleia para julgar as coisas, ou "ligar e desligar" pessoas (não do corpo de Cristo ou da salvação, mas tão somente da comunhão). Isso é o que chamamos de governo praticado com a autoridade delegada pelo Senhor. O Senhor dá um exemplo de pecado entre irmãos que, se não puder ser resolvido entre eles, deve ser levado ao conhecimento de dois ou três irmãos e, se mesmo assim não for resolvido, deve ser levado à assembleia que tem poder de ligar ou desligar questões e pessoas (da comunhão à mesa do Senhor, não da salvação). Em 1 Coríntios 5 há um caso de desligamento da comunhão à mesa do Senhor de uma pessoa em pecado moral.

Portanto, respondendo sua dúvida, não existe uma organização central, mas também não existe independência entre as assembleias, porque é assim que vemos na Bíblia. No início todas as assembleias estavam ligadas entre si, e quando alguém começava a congregar isso era feito em perfeita comunhão com os irmãos que já estavam congregados em nome de Jesus em outros lugares. Porém hoje, a pergunta que devemos fazer quando despertados para o fato de que Deus não autorizou dividir os crentes por denominações, ou mesmo por grupos sem denominação, deve ser: "Onde devo congregar? Onde o Senhor colocou o seu nome? Onde ele é reconhecido no meio de dois ou três congregados?"

Ao sair de uma denominação você olha ao redor e vê milhares de grupos cristãos, muitos deles com doutrinas e práticas completamente fora da Palavra, outros com doutrinas e práticas exatamente iguais ao que você encontra na Palavra de Deus. Para encontrar o verdadeiro terreno de reunião você precisará depender da direção do Espírito Santo, não de seguir a homens ou seu próprio coração.

Quando o Senhor disse aos discípulos para prepararem a ceia, eles perguntaram: "Onde queres que a preparemos?" (Lucas 22). Eles teriam de seguir um homem carregando um cântaro até encontrarem um cenáculo mobilado. Dos muitos lugares em Jerusalém onde haviam pessoas celebrando a Páscoa naquela noite, só havia um lugar onde o Senhor iria se apresentar pessoalmente no meio dos fiéis: o lugar que ele havia apontado. Que lugar é esse? O Senhor mesmo terá de mostrar a você, não eu.

Mas existem princípios bíblicos que podem nos ajudar a enxergar isso. Primeiro, Deus colocou o seu nome em apenas um lugar em Israel, e esse lugar foi Jerusalém.

Deu 12:11-14 "Então haverá um lugar que escolherá o SENHOR vosso Deus para ali fazer habitar o seu nome; ali trareis tudo o que vos ordeno; os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e toda a escolha dos vossos votos que fizerdes ao SENHOR. E vos alegrareis perante o SENHOR vosso Deus, vós, e vossos filhos, e vossas filhas, e os vossos servos, e as vossas servas, e o levita que está dentro das vossas portas; pois convosco não tem parte nem herança. Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires; Mas no lugar que o SENHOR escolher numa das tuas tribos ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que te ordeno".

Deus daria por encerrada a dispensação em que tratou com Israel e começaria algo novo com a Igreja, e para esta não haveria um lugar físico, como um templo em uma cidade, mas continuaria valendo que seria o lugar onde o Senhor colocasse o seu nome, "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles".

Veja o que o Senhor disse à mulher samaritana: Joã 4:21-24 "Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade".

Então já temos que Deus tem um lugar, que esse lugar é identificado pelo nome de Jesus, que nesse lugar é exercida a autoridade do Senhor para julgar (ligar e desligar), e que a adoração aí é em espírito e em verdade. Israel adorava em verdade porque sua adoração estava dentro dos preceitos ditados pelo Antigo Testamento, mas não em espírito, pois sequer reconheceram o Messias. Um sistema religioso cristão pode adorar em espírito, porque reúne salvos ali que reconhecem o Salvador, mas não está adorando em verdade se sua adoração não estiver de acordo com a doutrina dos apóstolos para a Igreja encontrada nas epístolas.

Agora o que isso tem a ver com a necessidade de se procurar uma assembleia mais próxima para comunhão quando um grupo de cristãos se desliga de um sistema e quer congregar somente ao nome do Senhor? A razão é que não existe na Palavra de Deus a ideia de independência entre assembleias. Qualquer pessoa que deseje a comunhão precisará buscar aqueles que já estão em comunhão à mesa do Senhor para guardar a unidade na prática.
  • Em Atos 9:26-29 Paulo quis se juntar aos irmãos, mas estes temiam que ele não fosse realmente convertido. Foi preciso Barnabé apresentá-lo. 
  • Atos 16 mostra que quando Paulo chegou a Derbe encontrou Timóteo, que tinha bom testemunho entre os irmãos das assembleias de Listra e Icônio. 
  • Em Atos 18:27 os irmãos da assembleia que estava em Éfeso escreveram aos da assembleia em Acaia para que recebessem Apolo. 
  • Em Romanos 16 o próprio Paulo recomenda à assembleia em Roma a irmã Febe que congregava na assembleia em Cencréia.
Percebe como estava tudo interconectado e que não existia independência entre as assembleias? Nunca era o caso de alguém simplesmente chegar, sentar e participar da comunhão à mesa na ceia do Senhor com base apenas em seu próprio testemunho de que havia se convertido. E veja que naquela época o simples fato de se declarar cristão já transformava a pessoa em alvo dos leões, ou seja, dificilmente alguém iria querer se declarar cristão se realmente não o fosse. E hoje, quando ser cristão virou algo banal e todo mundo diz ser? O cuidado deve ser ainda maior.

Ao deixar uma denominação ou até mesmo um grupo sem denominação, você precisará verificar em que terreno está pisando, pois encontrará uma centena ou mais de grupos declarando estar reunido somente em nome de Jesus. Como identificar o que é real ou não? Falei aqui de alguns princípios: o nome de Jesus, sua autoridade reconhecida, o apego à doutrina dos apóstolos para a Igreja, em especial as epístolas paulinas, já que a verdade do "um só corpo" foi revelada diretamente a Paulo. Resta investigar a genealogia, um princípio que encontramos no Antigo Testamento e tem a ver com o fato dos cristãos encomendarem alguém de uma assembleia a outra em Atos.

Esd 2:62 Estes procuraram o seu registro entre os que estavam arrolados nas genealogias, mas não se acharam nelas; assim, por imundos, foram excluídos do sacerdócio.

Nee 7:64-65 Estes buscaram o seu registro nos livros genealógicos, porém não se achou; então, como imundos, foram excluídos do sacerdócio. E o governador lhes disse que não comessem das coisas sagradas, até que se apresentasse o sacerdote com Urim e Tumim.

Numa época de ruína (Esdras e Neemias) os judeus precisavam ter o cuidado de verificar na genealogia quem era ou não real para participar das coisas santas. O mesmo cuidado deve ser tomado hoje, tanto por uma assembleia no recebimento de alguém à comunhão, como da própria pessoa que está em busca do lugar onde o Senhor colocou o seu nome.

Começando pela identificação de onde NÃO É este lugar, podemos enumerar algumas características (depois de verificada a sanidade da doutrina que esse grupo professa). Não é o lugar se:

- Possuir um líder, uma sede ou um corpo central que determina o que as diferentes assembleias devem ler, crer ou fazer.
- Congregar sobre uma base de independência, ou seja, não existe uma interdependência de assembleias, cartas de apresentação e encaminhamento de pessoas à comunhão ou o reconhecimento de que uma decisão tomada com a autoridade do Senhor numa localidade deve ser reconhecida em todas as localidades.
- O pecado não for julgado e qualquer um que chega pode participar da comunhão, sem passar pelo "ligar e desligar" que o Senhor autorizou a assembleia local a fazer.

Mesmo assim ainda restarão alguns grupos praticamente idênticos. Qual será então? É aí que você deve apelar para a "genealogia" e saber a história de cada um, pois hoje há muitos grupos reunidos sem denominação que são fruto de pecado cometido no passado. Alguém que foi colocado fora de comunhão por pecado pode ter sido recebido em outra localidade que desconsiderou a decisão da assembleia que julgou o pecado em nome de Jesus. Muitos grupos foram gerados assim, de insubordinação, e são hoje divisões que atravessaram gerações, até seus descendentes atuais desconhecerem o fato gerador, ou seja, a rebelião à autoridade do Senhor.

Quanto à questão de vocês procurarem uma assembleia "mais próxima" (dentro dos critérios que já demonstrei) é tanto uma questão de facilidade de acesso como também com base em um princípio dado por Deus no Antigo Testamento para Israel, de que as questões entre o povo de Deus deviam ser resolvidas pelos anciãos da cidade mais próxima (Josué 20 e outras passagens). Li em algum lugar que as cidades de refúgio eram distribuídas de tal forma que um homicida involuntário conseguisse chegar à cidade mais próxima sem transgredir o mandamento da jornada do sábado.

Só para deixar claro, não existe na Palavra a ideia de um governo central, e nem de assembleias independentes, mas a autoridade do Senhor é dada a uma assembleia e deve ser reconhecida por todas. Alguém que deseje congregar somente ao nome do Senhor desconsiderando que já existem assembleias congregadas assim estará adotando um espírito independente, o que não é correto pela Palavra de Deus pelas razões que já apresentei. O que fazer então? Ore e examine na Palavra para ver se as coisas são de fato assim. E o Senhor lhe mostrará o "homem com um cântaro" e o "cenáculo mobilado". É aí que você deverá encontrar o Senhor no meio dos seus.

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