As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Qual roupa usar nas reunioes?



https://youtu.be/QDK23HWagjM

Existe um princípio no Antigo Testamento que mostra que homem deve se vestir como homem e mulher como mulher. Embora seja um mandamento, chamei aqui de "princípio" porque a passagem não especifica o que seja roupa de homem e o que seja roupa de mulher. Deu 22:5 "Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao SENHOR teu Deus".

Considerando que se eu hoje saísse às ruas de uma cidade brasileira vestido como um homem do Antigo Testamento (vestido longo) seria considerado trajando roupa feminina, entendo que a passagem está falando de se travestir, ou seja, do homem ou da mulher que quer parecer do sexo oposto. Creio que a questão ali estaria mais na intenção do que na roupa.

Nas diferentes culturas existem diferentes maneiras de se vestir como homem ou como mulher. Por exemplo, você poderia encontrar homens na Índia, Escócia ou em países da África indo vestidos de saias, túnicas ou camisolões que aqui poderiam ser confundidos como roupa feminina. Os homens da foto abaixo estão mais de acordo com o modo de vestir do Antigo e Novo Testamentos do que um homem ocidental vestido de terno e gravata.


Se você vir pessoas do sexo masculino caminhando de mãos dadas ou se beijando em alguns países da África e Oriente Médio, não vá se escandalizar. Ali isto é perfeitamente normal, e se você visse o ex-presidente Bush beijando o príncipe saudita Abdullah e saindo passear com ele de mãos dadas poderia ter uma impressão errada, mas o costume é perfeito normal em alguns países. Nos países árabes é algo comum e não causa qualquer constrangimento, porém um homem beijar uma mulher em público nesses países é crime com pena de prisão.



Algumas gentilezas que oferecemos no Ocidente, como fazer um convidado entrar primeiro em uma sala, são consideradas ofensivas no Oriente Médio, onde a pessoa mais importante de um grupo é o último a entrar. Esta foi a razão da quase "luta livre" entre Arafat e o primeiro ministro de Israel, Ehud Barak, ao entrarem na casa para uma reunião com o presidente Clinton. Arafat queria ser o último a entrar, para mostrar ao mundo árabe que ele era o mais importante da reunião, mas Barak insistia que ele entrasse em sua frente, obviamente querendo passar a impressão contrária (você encontra o vídeo no Youtube)



Os costumes mudam muito de país para país.  Cruzar as pernas apontando a sola do sapato para um anfitrião nos países árabes é ofensivo, e se você for visitar alguém no Japão não se esqueça de tirar os sapatos antes de entrar. Na Bolívia em algumas assembleias nas montanhas as irmãs cobrem a cabeça, mas não com véus ou lenços como fazem aqui, e sim com chapéus. Lá o chapéu coco é uma tradição típica dos povos indígenas. E evite cruzar as pernas em uma reunião na Romênia porque isso é considerado uma desonra a Deus.

No mundo ocidental a questão da roupa masculina-feminina ficou um pouco confusa nos últimos tempos, já que tornou-se comum mulheres usarem calças compridas na vida diária, embora os homens não usem saias como é comum em alguns países. Se a passagem do Antigo Testamento fosse seguida à risca, as mulheres não deveriam usar calças compridas em situação nenhuma, e não apenas nas reuniões da assembleia.

Não existe na doutrina dos apóstolos um impedimento para uma mulher ir às reuniões de calça comprida, mesmo porque muitas irmãs usam calças compridas em outras ocasiões. Mas ainda existe em nossa cultura resquícios de que roupa feminina é saia ou vestido, e não calças compridas. Os banheiros públicos estão aí para indicar isso e sabemos imediatamente qual é qual só pelo desenho da placa: os ícones do homem e da mulher são diferenciados pelo tipo de roupa que vestem, calças ou saia. (Para uma criança que ainda não entendeu a diferença entre os gêneros os símbolos podem apenas indicar que uma porta é para pessoas comuns e a outra é para super-heróis vestindo capa).



Em 2000 a Suprema Corte brasileira passou a permitir visitantes do sexo feminino assistirem as audiências usando calças compridas, mas hoje até mesmo as juízas são vistas trajando-se assim. Mas para homens há ainda restrições, como usar bermudas ou camisetas. Recentemente vi uma notícia de um flanelinha no Recife que aluga calças compridas para homens em frente ao fórum, onde é proibido entrar de bermudas.

Creio que a roupa que usamos ou deixamos de usar pode ser também uma questão de respeito para com os que poderiam se escandalizar se fizerem diferente. Outro dia um irmão que congrega numa denominação perguntou o que eu achava, pois o pastor fez uma advertência a ele por estar frequentando os cultos de bermudas. Dei razão ao pastor e disse a ele que estava errando em insistir nas bermudas, com base em Rom 14:13-32:

"Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes o seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão... Bom é não comer carne, nem beber vinho, NEM FAZER QUALQUER OUTRA COISA em que teu irmão tropece... Não vos torneis causa de tropeço nem a judeus, nem a gregos, nem a igreja de Deus"

Biblicamente não existe uma roupa certa ou errada para ir às reuniões, contanto que você se vista com decência dentro dos padrões culturais de onde habita. Por exemplo, em algumas assembleias mais tradicionais do Canadá, onde há muitos irmãos idosos, eu causaria desconforto se fosse de tênis, camiseta e jeans, então se vou a um lugar assim procuro me adaptar para não escandalizar. Na Inglaterra (e também na América do Norte) há irmãos que não vão à ceia do Senhor sem terno e gravata.

No Brasil eu passo perfeitamente despercebido da maioria, mesmo que vá com uma camiseta com uma estampa de fotos, frases ou marcas. Mas uma vez uma irmã norte-americana que nos visitava reparou na camiseta de um jovem na reunião, que trazia uma frase em inglês que significava uma baixaria. O jovem havia comprado a camiseta porque achou bonita, sem saber o significado da frase que levava no peito.

Portanto, como pode ver, a questão não é tanto de saia ou de calça, mas de respeito ao Senhor e de uns para com os outros. Em 1992 eu estava na Escócia, e antes de chegarmos à casa de uma irmã em Edimburgh, o irmão norte-americano com quem eu viajava pediu que eu guardasse a câmera, pois aquela irmã se escandalizaria caso eu quisesse tirar uma foto, como já tinha feito em outras casas que visitamos. Muitos irmãos no início do século consideravam fotografias coisas contrárias ao mandamento de não se fazer imagens e pode ser que você ainda encontre algum mais idoso que ainda pense assim.

Quando você esteve numa reunião aqui percebeu que as irmãs estavam todas de saia ou vestido. Você poderia chamar de "tradição" a questão das mulheres estarem vestidas assim na reunião, e realmente pode ser colocado dessa maneira. Uma tradição não é exatamente uma coisa ruim se ela não negar a Palavra de Deus. As tradições denunciadas na Palavra são aquelas que invalidam a própria Palavra, como a dos fariseus ou a "vã maneira de viver de vossos pais".

Mat_15:6 E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.

Veja que interessante que, por um lado, Paulo fala das tradições judaicas que guardava na sua incredulidade, que pelo contexto deviam incluir a rejeição dos cristãos, e que ele cumpria direitinho ao persegui-los. Por outro lado menciona tradições que os Tessalonicenses faziam bem em guardar:

Gál_1:14 E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

2Ts_2:15 Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.

Em outra ocasião o apóstolo alerta para o perigo de alguns que queriam enredar os discípulos em tradições dos homens, mas depois nós o vemos alertando os Tessalonicenses que aqueles que não andavam segundo a tradição recebida dos apóstolos estaria andando desordenadamente:

Col_2:8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;

2Ts_3:6-7 Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós.

Neste caso de Tessalonicenses o contexto indica que o correto seria que cada o irmão trabalhasse de forma honesta para garantir o seu próprio sustento, enquanto na passagem de Colossenses o ponto é a filosofia dos homens.

Eu entendo que essas "tradições" que o apóstolo manda guardar provavelmente fazem parte da doutrina dos apóstolos, e não sejam necessariamente meros costumes. Existe um problema quando transformamos costumes em doutrina dos apóstolos, pois teríamos dificuldade em discernir qual "costume" pode e qual não pode.

Quando vamos a um lugar e detectamos tradições ou costumes que em nada contrariam a Palavra de Deus, devemos simplesmente acatar isso em amor e respeito pelos irmãos que agem assim. Eu, por exemplo, sou péssimo nisso, porque sempre gosto de testar os limites. Mas o melhor mesmo é sempre aguardar uma resposta do Senhor para entendermos melhor as coisas.

Dou um exemplo: eu nunca tive muito claro para mim por que não poderíamos colocar uma câmera nas reuniões de assembleia e conectá-la à Internet para que irmãos de localidades onde não exista uma assembleia reunida pudessem participar, ao menos para ouvir o ministério.

No meu pensamento eu achava que, se gravamos as reuniões em áudio, por que não também em vídeo? Isso foi até eu receber a cópia do email de um irmão de Fortaleza respondendo a uma irmã interessada em congregar e que perguntou a mesma coisa. Ele escreveu:

"Ao fazer uso de vídeos e teleconferências correríamos o risco de, ao nos reunirmos para adorar ao Senhor, passarmos a ter em mente que estaríamos apresentando algo a alguém. Então, deixaríamos de ter Cristo como centro e passaríamos a ter a apresentação do vídeo aos outros como o foco central da reunião de adoração".

Ficou mais claro para mim, pois as reuniões da assembleia têm um caráter solene que não pode ser repetido em fotos ou vídeos. O Senhor prometeu estar no meio físico, e não virtual, de dois ou três reunidos em Seu nome, e fazer a imagem daquilo extrapolar o espaço do "cenáculo mobilado" (Lc 22:12) não deve ter sido a intenção do Senhor, quando quis ter um encontro de intimidade com os Seus.

No entanto eu já não vejo problema quando se trata de pregar o evangelho ou mesmo apresentar um estudo da Palavra, porque aí é uma atividade individual de um para muitos, e o ministrante não está ocupado com a presença do Senhor no meio, como é o caso na reunião da assembleia, mas sim com a mensagem que pretende transmitir. Quando estamos congregados em nome do Senhor é o Espírito quem nos congrega para Cristo. Não há um homem à frente dirigindo as reuniões. Estamos ali para adorar a Deus (ceia do Senhor), para orar a Deus (reunião de oração) ou para aprender de Deus (reunião de ministério da Palavra).

Quando algum irmão prega o evangelho, é ele quem decide qual hino cantar, faz a oração, escolhe a passagem etc. e seu foco é atingir as mentes e corações dos incrédulos que foram convidados para o evento. O caráter é totalmente diferente, daí eu não ter problemas em fazer, por exemplo, o "Evangelho em 3 minutos".

É preciso aprender a conviver com a tradição de irmãs usarem saias e vestidos nas reuniões em certos lugares, como também com outras tradições ou costumes, sempre que percebermos que isso é relevante ou que pode escandalizar procedermos de modo diferente. Veja que há tradições ou costumes que seguimos e nem sequer nos damos conta. Que um exemplo? Nos idiomas originais da Bíblia não havia maiúsculas e minúsculas, só maiúsculas. Hoje adotamos a convenção de escrever "Deus" ou "DEUS" mas nunca "deus", a não ser para falar de divindades pagãs. Usamos pronomes pessoais começando com maiúsculas quando se referem ao Senhor (olha a maiúscula aí), quando escrevemos frases como "Senhor, a Tua vontade... o Teu amor etc.". No entanto, no texto bíblico impresso em nossas Bíblias isso não é feito, como você vê em "que deu o seu Filho... todo aquele que nele crê...", onde não se usa "Seu" ou "nEle" como às vezes fazemos ao redigir um texto breve ou apenas um versículo em um calendário, por exemplo. Os editores de Bíblias obviamente não usam os pronomes começando por maiúsculas por uma questão estética. O texto ficaria muito carregado e confuso.

Mais costumes? No português a maioria dos cristãos adota a forma antiga ou portuguesa na hora de orar, como "eu Vos peço... o Teu amor", talvez até por influência portuguesa  (santistas, catarinenses e gaúchos fazem assim até na conversa coloquial, nem sempre acertando na concordância). No caso dos evangélicos, creio ter sido uma herança recebida do protestantismo inglês. O problema é que, se em inglês é mais solene se dirigir a Deus na forma arcaica, como "Thou art Lord" ("Tu és Senhor"), em português não seria a mesma coisa. Por incrível que possa parecer, em nossa língua o pronome "Você" é mais solene em sua origem do que "Tu", já que em português o pronome pessoal "tu" era há mais de cem anos a forma popular, enquanto "você" vinha de "vossa mercê", a forma de tratamento usada para pessoas nobres, portanto, mais solene, nobre e educada.

Concluindo, quando pensar em que roupa usar nas reuniões, é bom levar em conta se estará ou não escandalizando os irmãos segundo os costumes locais, mas o mais importante será entender que você estará ali reunida ao Senhor, na presença dele e em um caráter mais solene do que aquele em que compareceria na presença de um rei. Qual roupa usar se formos a uma reunião com o presidente de um país? Certamente não iremos vestidos de forma vulgar, ou de bermudas, shorts ou chinelos, e nem de camiseta regata. Alguém poderia dizer que o mais apropriado seria o homem ir de paletó e gravata e a mulher de saia, mas até nisso devemos ser sábios, pois existem paletós que caem bem em um artista num palco de Las Vegas, mas jamais seriam usados fora dali, e saias que não seriam consideradas vulgares em uma balada, mas poderiam escandalizar aqueles que não frequentam lugares assim.

Visite estes links para mais sobre o mesmo assunto:

http://www.respondi.com.br/2005/05/como-um-cristo-deve-se-vestir.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/pecado-usar-anis-pulseiras-e-colares.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/bblia-probe-mulher-de-cortar-o-cabelo.html

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