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O que você acha da "oração responsiva"?



https://youtu.be/0yHAmPnEKbY

Depois de sairmos de um sistema religioso demora algum tempo até nos limparmos dos costumes que tínhamos lá. Alguns demoram mais a sair porque grudam como praga em nossa mente e nas emoções do corpo. Por isso às vezes precisamos ser sacudidos pelas admoestações de nossos irmãos quando chamam nossa atenção para isso.

É como quando fazermos uma caminhada pelo mato e trazemos coisas grudadas nas meias e nas calças. Quando são apenas carrapichos, aquelas sementinhas com algum tipo de gancho ou anzol que serviram de inspiração para o inventor do "Velcro", é até fácil tirar. Mas uma vez pisei num arbusto de barba-de-bode e percebi que minhas pernas começaram a coçar. Quando levantei as pernas das calças minhas canelas pareciam "festa rave" de micuim, aqueles filhotes de carrapato-estrela.

Eu devo ter pisado no ninho deles e eram tantos que tive de raspar as canelas com uma faca para tirá-los. Mesmo assim por alguns dias continuei encontrando os bichinhos em diferentes partes do corpo, que coçavam e me distraíam de focar em alguma tarefa.

Existem costumes que trazemos das denominações que podem coçar nossa carne, distraindo nossa atenção, ou podem coçar muito nos outros e distrair a atenção de nossos irmãos. Falo da "oração responsiva", costume que herdamos do catolicismo (e não da Bíblia), como quando o sacerdote diz "O Senhor esteja convosco" e o público responde "Ele está no meio de nós", e aí segue uma lista pré-determinada de frases ditas pelo ministrante e ecoadas pela audiência.

O problema é que esse costume recebeu esteroides quando foi adotado pelo pentecostalismo, virando uma cacofonia de resmungos, gemidos, línguas ininteligíveis, améns, glórias e até gritos animalescos. Às vezes são resmungos baixinhos, mas altos o suficiente para distrair a pessoa ao seu lado, às vezes viram uma balbúrdia que encobre a voz de quem está orando tornando impossível a outros orarem com entendimento.

Em alguns lugares as pessoas ficam girando, rolando no chão e se estrebuchando como se tivessem engolido uma fazenda inteira de carrapichos misturados com "pó-de-mico". Uma famosa igreja pentecostal incluía gargalhadas descontroladas e outras manifestações histéricas em seu cardápio de bizarrices que chamavam de "culto a Deus". Teria isso algo a ver com a verdadeira adoração e culto a Deus? Nadinha.

"Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes; porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado." (1 Co 14:15-17).

O irmão que ora durante uma reunião é a voz da assembleia naquele momento, e acredito que a única base bíblica para algum tipo de resposta dos demais seja o "amém" no final da oração, denotando concordância com a oração com um todo, e não com repetidos "améns" como se oração fosse algo feito em suaves prestações de dez segundos cada. "Para que concordes, A UMA BOCA, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo." (Rm 15:6).

Se eu não concordar com a oração, então que não diga amém no final, mas é melhor esperar até o final para ver a conclusão daquilo que o irmão está dizendo, ou poderei não conseguir voltar a fita se estive dando "amém" a cada duas ou três palavras e descubro no final que sua conclusão foi totalmente contrária à sã doutrina.

Além disso existe a questão da distração nos irmãos ao meu redor, que estão tentando se concentrar e ouvir com clareza (o que alguém na minha idade nem sempre é possível) toda a oração para dizer seu amém. Portanto não seja você o micuim a causar distrações constantes nos irmãos ao seu lado.

Em Atos 1:14-15 lemos que "todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele... ora, compunha-se a assembleia de umas cento e vinte pessoas". Você sinceramente acha que tudo poderia ser considerado como sendo "feito com decência e ordem" (1 Co 14:40) se cento e vinte pessoas estivessem resmungando, falando e gritando ao mesmo tempo?

Às vezes precisamos recorrer ao Antigo Testamento para ver como os israelitas oravam e descobrir que tinham mais bom senso que muitos hoje que professam ser cristãos e nem esperam quem está orando terminar sua oração para dizer que concorda com ela no "Amém":

"Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra." (Ne 8:5-6).

O cristão deve entender que nosso culto a Deus é um culto racional, e não emocional ou embalado pelo corpo de carne e pelos sentidos que nele habitam. "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm 12:1).

Lembro-me de ter visitado um grupo de irmãos com minha família e em um determinado momento uma irmã se levantou e começou a orar. Enquanto eu tentava me recompor daquilo, pois não encontramos mulheres orando em público na doutrina dos apóstolos, o local virou um verdadeiro balaio de gatos com gritos de "Amém!", "Glória a Deus!", "Louvado seja!" e "Oh, Senhor Jesus!", que eu mal conseguia ouvir a oração. Meus filhos tinham os olhos arregalados, porque não tinha sido assim que aprenderam como se comportar em público.

Era como se estivéssemos no meio de um bando de pessoas que nunca receberam a repreensão que meu pai fazia em termos jocosos, ao dizer: "Quando um burro fala, os outros abaixam a orelha". O ensino ali era de que quando uma pessoa fala os outros devem prestar atenção, e não fazer como uma manada de burros que relincham todos juntos quando escutam um relinchar, pois é assim que burros fazem.

Quando congregados estamos no total controle de nossos sentidos, e em submissão ao Espírito Santo, que nunca irá nos dirigir de uma maneira que contradiga sua Palavra. Até mesmo os que falam (profetizam, ou seja, falam da parte de Deus), não fazem isso como se estivessem em um transe mediúnico e descontrolado. Nem me venha dizer que o Espírito Santo encheu você de tal maneira que nem sabia mais o que estava dizendo ou fazendo e não conseguiu se controlar. Isso é conversa. As coisas de Deus são feitas com ordem e ninguém deve atropelar o que está ministrando ou orando, pois isso não estaria dentro da ordem indicada na doutrina dos apóstolos.

"Porque todos podereis profetizar, UM APÓS OUTRO, para todos aprenderem e serem consolados. Os espíritos dos profetas ESTÃO SUJEITOS AOS PRÓPRIOS PROFETAS; porque Deus não é de confusão, e sim de paz." (1 Co 14:31-33).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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Esclarecimentos: O conteúdo deste blog traz respostas a perguntas de correspondentes, portanto as afirmações feitas aqui podem não se aplicar a outras pessoas e situações. Algumas respostas foram construídas a partir da reunião das dúvidas de mais de um correspondente. O objetivo é apenas mostrar o que a Bíblia diz a respeito das questões levantadas, e não sugerir qualquer ingerência de cristãos na política e na sociedade, no sentido de exigir que as pessoas sigam os preceitos bíblicos. O autor é favorável à livre expressão e, ainda que seu entendimento da Bíblia possa conflitar com a opinião de alguns, defende o respeito às pessoas de diferentes crenças e estilos de vida. Aqui são discutidas ideias e julgadas doutrinas, não pessoas. A opção "Comentários" foi desligada, não por causa das opiniões contrárias, mas de opiniões que pareciam favoráveis mas que tinham o objetivo ofender pessoas ou fazer propaganda de alguma igreja ou religião, induzindo os leitores ao erro.

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