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Quem seriam as "testemunhas" de Hebreus 12:1?



https://youtu.be/Q7fKh9kNc4U

Você escreveu que para Hebreus 12:1 há três interpretações sobre esse versículo, com relação a tal nuvem de testemunhas, que seriam: Os heróis da fé, uma potestade de demônios ou as pessoas que nos cercam. Então você pergunta qual dessas interpretações seria a mais correta.

"E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados. Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta" (Hb 11:29-40, 12:1)

Ora, basta ler o contexto que inclui o capítulo 11 e fazer a pergunta: "Que nuvem é essa de testemunhas?" A resposta é a que ele acabou de descrever em um capítulo inteiro (Hebreus 11) de pessoas que foram fiéis na vida aqui e viveram com suas atenções voltadas para aqueles sem os quais eles não poderiam ser aperfeiçoados: Os alcançados pela graça na atual era da Igreja. Como eu disse, a nuvem ou multidão é a do capítulo imediatamente anterior. É claro que a Igreja está na terra também como testemunho a homens e anjos, mas não é o caso deste versículo.

Aqui temos essa gente toda de fé do capítulo 11 como testemunhas PARA NÓS, ou seja, quando olhamos para eles, que seguiram a carreira da fé com tamanha valentia e desprendimento, quanto mais nós devemos seguir a carreira da fé servindo-nos eles de exemplo, encorajados pelo TESTEMUNHO deles, que mesmo não tendo acesso às certezas que agora temos pela revelação completa das Escrituras, se deixaram consumir até ao martírio tendo em vista que Deus tinha algo melhor do que a vida nesta terra.

Repetindo: Não somos nós que estamos testemunhando para mortos, são os mortos pela fé que testemunham para nós. No versículo 1 troque "nuvem de testemunhas" por "nuvem de exemplos" que você irá entender. Repare que no capítulo 13 existe também uma exortação no sentido de vivermos separados como eles viveram e muitos cristãos viveram ao longo destes dois milênios, sendo martirizados por sua fé e também por terem se apartado do arraial religioso onde a idolatria penetrou.

"E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura. Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome." (Hb 13:12-15).

Veja este comentário de Hamilton Smith:

Nossos pés estão no caminho que se estende entre o mundo presente, para o qual viramos as costas, e o mundo vindouro, para o qual nossos rostos estão voltados. Este caminho é visto como “a carreira" ou "corrida”. Não é “uma carreira” que temos de nos propor; mas “a carreira que está diante de nós”. Muitos parecem pensar que, apesar de haver apenas uma maneira de ser salvo, existem muitas maneiras de viajar por este mundo; e que cada cristão tem a liberdade de escolher o caminho que preferir. A Escritura mostra que Deus tem sua maneira de salvar as pessoas do mundo e de conduzi-las através do mundo. Nossa grande preocupação deve ser discernir o caminho que Deus traçou para o Seu povo, e então correr “a carreira que nos foi proposta”. É evidente, conforme lemos a Epístola aos Hebreus, que a carreira ou caminho de Deus para Seu povo está inteiramente fora do arraial ou acampamento judaico. É igualmente evidente que a cristandade voltou a uma ordem de arraial de coisas e, portanto, a direção no capítulo final, que é para seguir fora do arraial, ainda tem sua aplicação. Mas, como acontecia então, e agora também, sair do mundo religioso da época acarreta reprovação, e pode ser sofrimento, e naturalmente evitamos a reprovação e o sofrimento. Além disso, existem obstáculos para seguir este caminho. O apóstolo diz: "deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta" Aqui estão duas coisas que muitas vezes nos impedem de seguir de todo o coração o caminho que Deus traçou - “embaraços” e “pecados”. Embaraços não são coisas moralmente erradas. Qualquer coisa que impeça a alma de aceitar o caminho de Deus, ou de correr com paciência no caminho, é um embaraço. Talvez a maneira mais rápida de cada um descobrir o que é um obstáculo ao nosso progresso espiritual seja começar a correr. Um corredor nos jogos se despoja de todas as roupas desnecessárias. Coisas que não teriam peso na vida comum se tornariam um peso na pista de corrida. Além disso, somos exortados a deixar de lado “todo embaraço”. Estamos prontos o suficiente para deixar de lado alguns embaraços e ainda reter outros. O outro grande obstáculo é o pecado. Não é disso que às vezes falamos como um pecado persistente, como uma tradução um tanto defeituosa pode nos levar a pensar. Não deve ser “o pecado”, mas simplesmente “pecado”, que é a ausência do princípio de uma lei reguladora, ou fazer nossa própria vontade.* Nada impedirá tanto em seguir o caminho externo da reprovação quanto a obstinação não julgada. O caminho de Deus deve ser aquele em que não há lugar para a vontade do homem. A existência desses obstáculos exigirá energia e resistência, se quiserem ser superados. O apóstolo, portanto, diz: "Corramos ... com perseverança". Correr supõe energia espiritual e, combinado com isso, precisamos de resistência. É fácil começar com energia; é difícil suportar dia a dia na presença de dificuldades e desânimo. A fim de superarmos esses obstáculos e aplicarmos a energia necessária para correr com perseverança a corrida que nos foi proposta, o Espírito de Deus traz diante de nós neste capítulo os diferentes meios que Deus usa para esse fim. Em primeiro lugar, temos como nosso encorajamento uma nuvem de testemunhas do caminho da fé. Se temos inimigos a nos opor, provas a enfrentar e dificuldades a superar, lembremo-nos de que outros já percorreram este caminho da fé; outros caminharam à luz das glórias vindouras; outros tiveram que enfrentar provações ainda maiores — zombarias cruéis, algemas, prisões, perseguição e morte — e pela fé venceram. Somos, portanto, rodeados por uma nuvem de testemunhas da fé que pode superar qualquer tipo de prova no mundo presente e correr com perseverança a corrida que leva a outro mundo. Portanto, o primeiro pecado foi e continua sendo fazer a própria vontade. Isso serve tanto para Lúcifer como para Adão. — Hamilton Smith *Nota do Tradutor: As palavras "rebeldia" ou "lawlessness" caem melhor para "pecado", mesmo porque existe uma diferença entre a natureza e o fruto. Em sua natureza, o pecado é a ausência do princípio de sujeição, ou seja, pura rebeldia. Antes que houvesse a transgressão de Adão operou nele o pecado, ou seja, o domínio de sua própria vontade.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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