As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Quem sao os bodes e ovelhas de Mateus 25?



https://youtu.be/LdzzQgeQhwM

A passagem que leu em Mateus 25:31-46 nos fala da vinda de Cristo para julgar as nações e reinar. Isso ocorre depois do arrebatamento da Igreja (descrito em 1 Tessalonicenses 4) e da grande tribulação (descrita em Mateus 24).

Mat 25:31:-32 "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes.

Se você considerar também outra passagem que fala do mesmo evento, verá que é correto pensar que Jesus descerá acompanhado também dos santos que foram arrebatados antes:

1Ts 3:13 Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos.

Repare em alguns detalhes importantes aqui: Jesus vem com todos os seus anjos e santos para um julgamento das nações (ou gentios), identificadas aqui como "bodes" e "ovelhas". Se você observar o Antigo Testamento verá que o julgamento de nações era algo comum, e Deus fazia isso levando em conta como elas tratavam o seu povo terreno, Israel. O Julgamento das Nações é um julgamento coletivo de grupos de pessoas vivas, dentre as quais algumas continuarão vivas para desfrutarem do reino milenial de Cristo e outras serão mortas para aguardarem o julgamento individual do Grande Trono Branco no final de Apocalipse.

Portanto é preciso não confundir este julgamento de Mateus 25 com o Tribunal de Cristo, que é um julgamento, não das pessoas, mas de suas obras dos crentes, do qual julgamento todos saem salvos (é como um juri de obras de arte, por exemplo). As passagens que falam do Tribunal de Cristo, do qual só participam os salvos, estão aqui: Rom_14:10; 1Co_3:11-15; 2Co_5:9-10.

O Julgamento das Nações de Mateus 25 também não pode ser confundido com o Grande Trono Branco, ou juízo final, de Apocalipse 20:11-15. Estes "bodes" de Mateus 25 serão mortos e ficarão aguardando o juízo final para serem lançados no lago de fogo.

Talvez a passagem em Joel possa ser identificada com este momento aqui: Joe 3:2 "Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra".

É importante notar que as nações (gentios) serão julgadas de acordo com a maneira como trataram o remanescente fiel de Israel, aqueles judeus convertidos durante a tribulação, muitos dos quais terão sido martirizados. Se prestar atenção verá que existem aqui três classes, e não apenas duas: "bodes", "ovelhas" e "pequeninos irmãos".

Os "bodes" serão as nações que não deram guarida aos "pequeninos irmãos", os judeus convertidos nesse período que estarão sendo perseguidos pelo anticristo. As "ovelhas" serão as nações que protegeram e alimentaram esses judeus errantes. Estas recebem do Rei a promessa: "Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo".

É importante entender que não se trata aqui da salvação eterna, já que esta não é obtida por meio de boas obras. A promessa é de participarem vivos do reino de Cristo na terra, o qual durará mil anos. Durante esses mil anos aqueles que pecarem serão julgados todas as manhãs e serão mortos, para depois serem julgados no Grande Trono Branco. Entenda-se que o reino de Cristo na terra será formado por pessoas que não necessariamente nasceram de novo, mas que apenas professam submissão ao Rei, algo muito parecido com o que acontece hoje na cristandade. É preciso lembrar que no final dos mil anos Satanás será solto (ele ficará preso nesse período) e irá arrebanhar milhões de seguidores para lutarem contra Cristo, o que mostra que nem todos terão entrado no milênio realmente convertidos, e nem todos os que nascerem nesse período serão de Deus.

O Senhor se identifica com estes judeus de tal modo que os chama de "meus pequeninos irmãos". Serão esses "pequeninos irmãos" os que se recusarão a negar o nome do Senhor e a ter a marca sobre suas mãos e testas. A identificação do Senhor com seus "pequeninos irmãos" faz lembrar a identificação dele com a igreja no livro de Atos, quando ele pergunta a Paulo "Por que me persegues?", quando Paulo perseguia os cristãos, e não o Cristo, que Paulo considerava já morto.

Outro detalhe que aprendemos da passagem é que Deus não preparou o fogo eterno para os homens, mas "para o diabo e seus anjos" Mt 25:41. Os homens que forem parar no lago de fogo estarão em um lugar que não era destinado a eles, mas para onde eles insistiram em ir.

Mais um detalhe importante é o da introdução dos gentios no reino milenar de Cristo: Mat 25:34 "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita [as ovelhas]: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado DESDE a fundação do mundo". O reino prometido a Israel e aos gentios que protegerem os "pequeninos irmãos" é um reino preparado "desde a fundação do mundo".

Trata-se de algo diferente daquilo que foi prometido à igreja em Efésios 1:4-23: "nos elegeu nele ANTES da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor... a igreja, Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos". Durante o reino milenial de Cristo aqui neste mundo existirá uma distinção clara entre judeus e gentios, algo que não existe na atual época da igreja. Esta, apesar de ser formada por judeus e gentios convertidos a Cristo, é identificada como algo à parte de judeus e gentios.

1Co_10:32 Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos JUDEUS, nem aos GREGOS [GENTIOS], nem à IGREJA DE DEUS.

A grande dificuldade que as pessoas têm para entenderem a profecia está em não conseguirem distinguir com clareza que Deus tem dois povos, Israel e Igreja, e saber que a Igreja não aparece nenhuma vez na profecia no Antigo Testamento, mas é um parêntese no desenrolar dos planos de Deus. A Igreja, que foi formada apenas em Atos 2 e deixará este mundo no arrebatamento de 1 Tessalonicenses 4, permaneceu um mistério durante milênios, tendo sido revelada inicialmente apenas ao apóstolo Paulo, conforme ele explica:

Efs 3:4-10  Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas; A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus,

Col 1:24-26  Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus; O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos

A falta de compreensão e distinção entre Igreja e Israel causou aberrações como as Cruzadas, quando os cristãos acreditaram que deveriam tomar posse na Jerusalém terrena e expandir o evangelho no mundo usando a força. Esta mesma visão continua entre os adeptos da Teologia do Domínio e seus desdobramentos, como a Teologia da Prosperidade, que não enxerga a diferença entre as promessas terrenas feitas a Israel e as promessas celestiais feitas à Igreja. 

No mesmo engano incorrem aqueles que aguardam pela vinda do anticristo e pela realização de eventos que só ocorrerão após o arrebatamento da Igreja, como a pregação do evangelho do reino em todo o mundo e os juízos descritos em Apocalipse para caírem sobre o planeta. Assim como acontece com o abotoar de uma camisa, se você errar o primeiro botão, todos os outros serão abotoados errados, quando não se tem entendimento das diferentes dispensações ou maneiras de Deus tratar com o homem, tudo mais ficará fora de seu lugar. 

Mas às vezes o entendimento imperfeito de que Deus irá abençoar Israel no final também leva a atitudes erradas por parte dos cristãos, que passam a acreditar que a volta prometida de Israel à sua terra já tenha acontecido e passam então a estimular judeus a voltarem para Jerusalém, ao invés de pregar o evangelho a eles. Esses se esquecem de que os judeus voltaram a Israel ainda em seu estado de incredulidade e rebelião contra Deus, o qual permitiu isso porque é ali mesmo que dois terços deles serão mortos pelos exércitos do anticristo. A terra de Israel que ora existe será dizimada antes de Deus realmente plantar ali o seu povo, porém o remanescente fiel que irá se converter ao seu Rei após o arrebatamento da Igreja.

por Mario Persona

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