As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que voce gostaria que tivesse sido diferente?



https://youtu.be/Cq6isDBiUTI

A dúvida é se do ponto onde hoje estou eu gostaria que algo tivesse sido diferente do que foi para ter me poupado de tribulações e sofrimentos. Acho que essa é uma dúvida que todos nós temos, e a primeira reação seria responder "Sim! Ah, quem me dera se tudo tivesse sido diferente...". Mas a pergunta leva a outra questão: E se tivesse sido diferente, como teriam sido seus desdobramentos? Teria eu conseguido lidar com eles?

 Eu caminhava pela calçada quando ouvi um homem dizer a outro: "Se todos pensassem como eu o mundo seria diferente". Tive vontade de voltar e dizer a ele: "Seria diferente, mas isso não significa que seria melhor". Isso também vale para as guinadas que tivemos em nossa história pessoal, quando tudo se desmoronou ou perdemos o rumo. "Se eu não tivesse feito isso ou aquilo; se não tivesse ido ali ou acolá; se não tivesse viajado para lá; se tivesse aceitado aquela proposta de emprego; se isso e se aquilo... minha vida teria sido diferente". Sim, diferente, mas não necessariamente melhor. Deixe-me explicar.

É bem verdade que devemos lamentar os erros que cometemos no passado quando reconhecemos que foram erros e pecados. Mas como não dá para voltar a fita do tempo, a ÚNICA opção que temos é confessarmos ao Senhor e, como diz a letra do sambista, "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". O apóstolo Paulo sabia bem o que era passar por problemas e tribulações, quando escreveu: "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações" (Rm 5:3).

Talvez aqui você deseje me lembrar de que as tribulações de que Paulo fala são as perseguições por causa de sua fé e por pregar o evangelho, como quando ele avisa aos anciãos de Éfeso: "E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações." (At 20:22-23).

Sim, mas algumas dessas perseguições eram simplesmente a consequência da vontade de Paulo e de suas decisões, nem sempre em total submissão ao Espírito Santo de Deus. Essa determinação ele iria demonstrar em Atos 20:16: "Porque Paulo já havia determinado não aportar em Éfeso, não querendo demorar-se na Ásia, porquanto se apressava com o intuito de passar o dia de Pentecostes em Jerusalém, caso lhe fosse possível.".

Em sua passagem por Tiro a revelação das consequências de sua decisão de ir a Jerusalém fica mais clara: "E, indo já à vista de Chipre, deixando-a à esquerda, navegamos para a Síria e chegamos a Tiro; porque o navio havia de ser descarregado ali. E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém." (At 21:3-4).

Mais tarde, em Cesareia ele seria avisado pelo Espírito Santo por intermédio do profeta Ágabo: "E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judeia um profeta, por nome Agabo;  e, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.  E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a JerusalémMas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. E, como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor." (At 21:10-14).

Se ler todo o contexto verá que havia em Paulo uma determinação de passar por Jerusalém em sua viagem a Roma. Quando de sua conversão o Senhor havia dito que ele seria "um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel." (At 9:15), e nenhum lugar havia de mais propício para testemunhar a reis do que em Roma, capital do Império Romano.

Todavia, existia mais de um caminho que levava a Roma sem passar por Jerusalém, mas o roteiro Paulo traçou por si mesmo: "Cumpridas estas coisas, Paulo resolveu, no seu espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e Acaia, considerando: Depois de haver estado ali, importa-me ver também Roma." (At 19:21).

Repare que ele resolveu isso no seu próprio espírito, isto é, como algo de sua vontade, mas isso não coincidia com o que o Espírito tinha preparado para ele: "Encontrando os discípulos, permanecemos lá (em Tiro) durante sete dias; e eles, movidos pelo Espírito, recomendavam a Paulo que não fosse a Jerusalém." (At 21:4). Foi depois disso que o Espírito Santo avisou Paulo, por meio de Ágabo, que ele teria tribulações por causa de sua decisão de passar por Jerusalém, que parecia ter um componente muito forte de sentimentos pessoais de amor por seu povo:

"Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: tenho grande tristeza e incessante dor no coração;  porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne." (Rm 9:1-3).

Assim levado por seu coração e boas intenções é que Paulo despreza os sinais que o Espírito Santo estava enviando e caminha resoluto em direção a Jerusalém. Mas se o Espírito Santo quisesse impedir Paulo de ir a Jerusalém, não teria ele feito isso? Certamente, e Paulo já havia experimentado o poder do Espírito Santo em fechar portas, como nesta passagem: "E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu." (At 16:6-7).

Mas agora temos aquilo que poderíamos chamar, não de vontade de Deus, mas de permissão de Deus, que no final irá colher um fruto positivo para a sua glória e nosso aprendizado, mesmo quando damos um passo errado.

Com tudo isso aprendo que boa parte das tribulações não são apenas consequência de nossa fé no Senhor Jesus, mas também de nossas decisões equivocadas. Às vezes nem são decisões pecaminosas, mas com boas intenções, como a de Paulo. Mas se estivéssemos mais atentos à voz do Senhor em comunhão com ele e com sua Palavra teríamos evitado um voo com dolorosas escalas e tomado o caminho mais reto que ele traçou.

Todavia, por bem ou por mal podemos ter certeza de que o Senhor nos guia, corrige e disciplina pelos caminhos que traça para nós ou permite que tracemos, para neste último caso aprendermos a lição do modo mais difícil. Paulo sabia disso:

"E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho; de maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares; e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor." (Fp 1:12-14).

Longe de querer justificar nossas falhas e teimosias, quero dizer que no frigir dos ovos Deus acabará tirando de tudo isso algo para sua própria glória e nosso proveito, com ou sem a dor de precisarmos reconhecer nossos erros e confessá-los. Duas passagens me vêm à mente, a primeira de quando José confronta seus irmãos que fizeram tanto mal a ele: "E José lhes disse: Não temais; porventura estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida." (Gn 50:19-20). A outra fala dos bons efeitos da aflição que Deus permite em nossa vida: "Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos." (Sl 119:71).

Frank Bilford Hole, que viveu entre 1874 e 1964, escreveu:

"As tribulações não são, em si mesmas, agradáveis, mas dolorosas. Todavia elas ajudam a iniciar toda uma sequência de coisas que são das mais excelentes e benditas — paciência, experiência, esperança, o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Para o crente as tribulações são um programa de ginástica espiritual que promove grandemente o desenvolvimento de sua constituição espiritual. Ao invés de serem contra nós, as tribulações são transformadas em uma fonte de proveito. Que triunfo da graça de Deus!

Você já encontrou algum cristão idoso e querido, com cuja calma, paciência e experiência você ficou impressionado; alguém cheio de esperança em Deus e irradiando um amor de qualidade divina? Então você irá certamente descobrir que tal pessoa tem passado por muita tribulação na companhia de Deus. Paulo reconhecia isto e por isso ele regozijava na tribulação. Se olharmos para as coisas sob esta luz - que é a verdadeira luz - iremos também nos regozijar na tribulação" - F. B. Hole

Em outras palavras, tribulações são os exercícios na academia do cristão. Vamos à academia para melhorar nosso condicionamento físico. Ali pagamos um preço, sofremos, sentimos dores, transpiramos e saímos de lá doloridos, porém confiantes de que aquele sofrimento irá valer para a saúde. O mesmo deve fazer o cristão ao se deparar com as tribulações. Deve saber que aquilo faz parte de seu condicionamento espiritual.

Voltando à questão que originou este tema, gosto de ver filmes de ficção que falam de viagem no tempo, e uma das teorias dos especialistas no assunto é que se a pessoa voltasse no tempo e mudasse qualquer coisa, por menor que fosse, toda sua história pessoal e da humanidade em geral seria alterada.

É mais ou menos como o "Efeito Borboleta", que diz que o bater das asas de uma borboleta no Brasil pode criar um tornado no Texas, significando que pequenas mudanças em um sistema interligado pode interferir nos resultados desse sistema. Se alguém sem querer pisasse na tal borboleta não haveria um tornado, as seguradoras não perderiam dinheiro, ao invés de demitir contratariam mais gente, um Fulano qualquer conseguiria emprego nela e acabaria morto em um acidente indo para o trabalho. Então vem a pergunta: Teria ele morrido se alguém não tivesse pisado na borboleta?

Então quando alguém me pergunta o que eu gostaria que tivesse sido diferente em minha história eu respondo: NADA! Digo isto, obviamente, como alguém que foi salvo por Cristo e agora está nas mãos dele, e não de uma borboleta qualquer. Se passei por muitas coisas foi por muitos fatores, desde decisões erradas que tomei até decisões erradas que outros tomaram. Mas mesmo nos momentos em que o desespero tomou conta de mim, quando algum tropeção, enfermidade ou tratamento de canal me fez sofrer, reconheço que tudo faz parte de uma história que me é familiar, que vivi e fui capaz de suportar.

A razão de preferir tudo do jeito que aconteceu é a certeza de que o Senhor tem cuidado de mim, e até as piores dificuldades ele permitiu que males viessem com um propósito de bem. Parafraseando Gênesis 50:19, "o mal (veio) contra mim; porém Deus o intentou para bem". A linha do tempo que forma a minha história eu conheço muito bem e sobrevivi a ela. Se mudasse qualquer detalhe tão insignificante quanto o bater das asas de uma borboleta, eu teria tido uma linha do tempo da qual não faço a menor ideia, portanto quem garante que eu suportaria as mudanças?

"Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta... Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará. Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas." (Ec 7:10; 11:4-6).

"E quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se envelheceram sobre vós as vossas vestes, e nem se envelheceu o vosso sapato no vosso pé." Dt 29:5

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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