As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que a Biblia manda esmagar criancas nas pedras?



https://youtu.be/KJ5_GCof6GM

Você se surpreendeu de encontrar uma passagem como esta na Bíblia: "Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras." (Sl 137:8-9). É preciso entender o contexto em que este Salmo foi escrito, depois da volta de um resto do povo que tinha ficado no exílio na Babilônia.

O Salmo começa com um lamento da lembrança triste que traziam do exílio e da saudade que tinham de Jerusalém, a cidade onde Deus havia colocado o seu nome:"Junto dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas.  Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?" (Sl 137:1-4).

Até aqui o Salmo é até poético e melancólico, mas então ele faz uma auto-maldição caso venha a se esquecer de sua pátria amada: "Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria." (Sl 137:5-6).

Era comum os judeus amaldiçoarem a si mesmos como forma de assumirem uma responsabilidade de algo importante, mas não houve uma maldição auto imposta pior do que a que eles lançaram sobre si ao entregarem a Jesus para ser crucificado, quando Pilatos lavou as mãos considerando-se inocente do que estava fazendo. O povo clamou: "O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos." (Mt 27:25). Não precisa conhecer muito da triste diáspora dos judeus para saber que essa maldição tem tido efeito nos últimos dois mil anos. Dificilmente você encontrará um povo mais odiado na terra.

Então o salmista passa a amaldiçoar seus inimigos, como é normal para um povo guerreiro e sedento de vingança: "Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces. Ah! filha de Babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós. Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras." (Sl 137:7-9).

Quem lê o Antigo Testamento acha estranho Deus não ser nem um pouco politicamente correto ao ponto de incluir passagens como esta. A verdade é que Deus não tem nenhum compromisso com o politicamente correto dos homens, mas tem compromisso com a Verdade e consigo mesmo. Afinal, ele é Deus.

Depois que o homem caiu em pecado, Deus pegou um mundo arruinado com uma população que já nasce com raiva dele e prefere adorar o pau e a pedra, e precisou lidar com isso. Ao invés de exterminar todo mundo (como já tinha feito uma vez) Deus escolheu uma amostragem da raça humana para cercá-la de benesses e responsabilidades. Estou falando de Israel.

Se alguém acha que a Igreja é um Israel 2.0 deveria pensar melhor no que acredita, porque certamente passagens como a que você leu nada têm a ver com o espírito cristão. Mas elas estão bem de acordo com um povo que precisava sobreviver na terra, já que a terra era toda a esperança que possuíam. A esperança do cristão não é a terra, mas o céu.

Já viu uma pessoa que adora sua casa, seu carro, sua empresa e vive em função disso? Ou um marginal disposto a matar e morrer para roubar ou garantir seu ponto de tráfico? Pois é, essa pessoa provavelmente nunca teve a Cristo e por isso se agarra ao que tem aqui, já que não tem nada acolá.

Israel era assim e por isso precisava ser um povo guerreiro e vingador, como ainda é nos dias de hoje.
Ou você acha que os judeus dizimaram as forças aéreas de três países e venceram uma guerra em seis dias jogando segundo as regras?

Eles foram tão ladinos que infiltraram até um espião no ministério da guerra da Síria,  qual convenceu o comando sírio que as muitas casamatas de canhões que protegiam as colinas de Golan eram muito quentes para os soldados. O espião infiltrado deu a ideia de plantarem árvores em volta delas, e em 1967, na Guerra dos Seis Dias, elas já tinham crescido o suficiente para Israel não gastar munição atirando em qualquer lugar. Numa terra desértica como aquela bastava mirar onde tivesse um pequeno bosque e era tiro certo.

Portanto, para um povo que precisa garantir sua sobrevivência e permanência na terra a qualquer custo faz sentido eliminar, não só os seus inimigos, mas também os filhos de seus inimigos, pois eles são herdeiros da inimizade e embriões de soldados que continuariam sua missão de exterminar Israel. Deus sancionava isso no Antigo Testamento, pois vemos ocasiões em que ele ordenava que Israel invadisse cidades e não deixasse ninguém vivo, fosse homem, mulher ou criança.

Considerando que Deus é quem ele é, então não é de causar surpresa isso. Quem você acha que dá a vida e tira a vida de todo ser humano? "O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela." (1 Sm 2:6). Jó entendeu isso apesar da grande dor de perder seus filhos: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!" (Jó 1:21).

Se Deus tem autoridade e poder para dar vida a quem quiser, ele também a tem para tirá-la quando quiser, seja por morte natural aos cem anos de idade, por uma enfermidade na infância, ou pela espada que ele dá aos que reveste de autoridade. E no Antigo Testamento Deus usava de sua autoridade delegada a Israel para exterminar os inimigos de Deus e de seu povo, mas chegou um momento quando seu povo ficou tão rebelde que Deus passou a usar dos povos inimigos como instrumento, não apenas para castigar os povos inimigos, como a seu próprio povo. Foi assim que Deus usou a Assíria:

"Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos. Envia-la-ei contra uma nação hipócrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas." (Is 10:5-6).

Hoje Deus outorga sua autoridade ao poder civil, que traz a espada e tem poder de vida e morte sobre os cidadãos de um país. Portanto é bom que os céticos e zombadores de plantão saibam que Deus não está para brincadeira. "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.... Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado." (Gl 6:7; Mt 12:36-37).

A boa notícia é que Deus oferece um escape para aqueles que se sujeitam a ele, pois foi para isso que castigou seu próprio Filho na cruz, para não precisar castigar os que creem nele. "Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53:5).

Muito cruel para o seu gosto? É porque você não enxerga como Deus enxerga o que existe no coração do homem. Se a sua mente projetasse num telão na praça de sua cidade todos os seus pensamentos, desejos e sentimentos de vingança, você teria coragem de sair de cada no dia seguinte? Sabe aquele cara da manchete de jornal, que metralha os alunos numa escola ou fiéis numa igreja, ou mata toda a família, ou elimina a garota que não quis namorar com ele? Pois é, como diz a música, "esse cara sou eu", mas é também você e somos todos nós. Pecadores, perdidos e cruéis.

Pense na humanidade como um viveiro de psicopatas latentes apenas esperando a oportunidade para praticar sua crueldade sem remorso. Isso fica evidente nas guerras, quando pessoas que eram dóceis na sociedade — ou como se diz no nordeste, "anjos de candura e coração de rapadura" — se transformam em verdadeiros crápulas. Basta receberem uma farda e licença para matar e abrem as comportas de toda a malignidade existente no coração. Aquilo que um parlamentar definiu certa vez, ao falar de outro que instigava sua raiva contida, como "instintos mais primitivos".

Mas se ainda assim achar que estou exagerando, então leia este currículo de como eu e você somos aos olhos de Deus em nosso estado natural de descendentes de Adão:

"Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus;  todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios,  a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos." (Rm Rm 3:10-18).

É por isso que a "experiência" de Deus de tentar colocar um povo terreno nos eixos chegou ao seu ápice quando esse mesmo povo condenou à morte o Filho de Deus. Então Deus deu por encerrada a linhagem de Adão, como uma montadora que deixa de investir num modelo para tirá-lo de linha e destiná-lo ao sucateamento, e criou uma nova linhagem, um novo homem, em Cristo ressuscitado.

Veja a ordem da obra que Deus fez: Primeiro, ao entregar Jesus à morte, colocou um fim na raça adâmica "portanto todos morreram". A partir daí passou a gerar uma nova raça daqueles que vivem para Aquele que morreu e ressuscitou, e é por isso que a linhagem que era segundo a carne — o velho homem — já não tem mais lugar nessa nova Criação.

"Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: um morreu por todos, portanto todos morreram. Ele morreu por todos, para que os que vivem, não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e foi ressuscitado. Por isso nós daqui em diante não conhecemos a ninguém segundo a carne; ainda que temos conhecido a Cristo segundo a carne, agora contudo não o conhecemos mais deste modo. Se alguém está em Cristo, é uma nova criação; passou o que era velho, eis que se fez novo." (2 Co 5:14-17).

É claro que você irá discordar de muito do que eu disse aqui, principalmente se for uma pessoa religiosa que sempre procurou se pautar por padrões éticos e de amor ao próximo. Se assim for você está entre os que acreditam que, ainda que não estejam cem por cento, possuem algo que pode ser melhorado ou, como dizem os espiritualistas, "você é um diamante bruto a ser lapidado". Neste caso fica valendo para você a resposta irônica que Jesus deu aos religiosos fariseus que se consideravam justos:

"Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores." (Mc 217).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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