As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Seria o livre arbitrio uma ilusao?



https://youtu.be/SBRb1NPmUL4

Você comenta que se Deus tem o controle de todas as coisas, o livre arbítrio humano não passaria de uma ilusão. Sim, você tem razão, a ideia de um livre arbítrio para o homem caído não passa de uma ilusão, mas não necessariamente por causa da onisciência de Deus, mas sim do pecado do homem. Eu posso ter livre arbítrio para escolher se vou tomar sorvete de coco ou de chocolate, mas acaberei escolhendo chocolate porque é meu favorito.

Ou seja, livre arbítrio para escolher e fazer a própria vontade o ser humano até tem, mas só até aí, pois com o pecado o ser humano ganhou o conhecimento do bem e do mal, porém sem poder para fazer o bem ou evitar o mal. Quem diz isso é o Espírito Santo de Deus, por meio do apóstolo Paulo: "Todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer" (Rm 3:12).

Entenda que "bem" nessa passagem refere-se àquilo que é bom aos olhos de Deus, não do homem. Pois no que diz respeito às obras do homem caído o mesmo capítulo de Romanos continua dizendo: "A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz." (Rm 3:13-17).  Se você considerar que Deus coloca nossas justiças no mesmo nível de um absorvente higiênico usado, vai perceber que não existe nem reciclagem para nossas boas obras. "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia" (Is 64:6). No original a expressão "trapo da imundícia" é "pano de menstruação".

Se fazer o bem fosse escolher sorvete de coco eu nunca faria o bem porque escolho o que considero melhor para mim, não para o dono da sorveteria. Um religioso acredita fazer o bem, mas se ele não é convertido a Cristo está apenas fazendo de conta, porque no final está mesmo escolhendo fazer aquilo que acha melhor para si mesmo. Pense nas pessoas caridosas que fazem boas obras visando eliminar o próprio carma ou pecado e você irá entender o que estou dizendo. Para elas o sofrimento alheio é um grande negócio, se a boa ação de amenizá-lo valer milhas na viagem para o Paraíso. Erradicar a miséria e o sofrimento seria péssimo, porque aí o religioso só poderia se livrar do próprio carma sofrendo horrivelmente.

Então que lugar ocupa as boas obras nos planos de Deus para o homem? Afinal, a Bíblia é cheia de exortações para praticarmos o bem, e como isso pode acontecer se somos incapazes de tal empreitada? As boas obras só são possíveis a uma pessoa nascida de novo, não ao velho ímpio perdido em seus pecados. Se o seu filho estava lá fora brincando no barro, você não pede ajuda para ele arrumar a mesa sem antes certificar-se de que ele lavou bem as mãos. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." (Ef 2:8-10).

Por tudo isso o livre arbítrio é uma ilusão ensinada até nas igrejas, que muitas vezes estão contaminadas com filosofia humana. Ao homem foi dado escolher quando ainda estava no Jardim do Éden e ele queimou ali seu cartucho ficando sem munição para arbitrar o que quer que seja. Com sua desobediência ganhou o conhecimento do bem e do mal, porém não a capacidade para fazer o bem e nem evitar o mal. Então você dirá que o homem pode sim fazer o bem, e a Bíblia responde que não, porque para você ter discernimento de que aquilo será o bem precisará ter a nova vida que somente Deus pode dar.

Como deu a Cornélio antes de escutar o claro evangelho da boca de Pedro. Em Atos 10 diz que Cornélio era um homem "piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus" (At 10:2), e suas esmolas e orações eram aceitas por Deus. Como pode ter sido assim? Parece ser uma contradição com o que é dito em Romanos 3 onde Paulo escreve com todas as letras: "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só" (Rm 3:10-12).

Pode até parecer uma contradição, porque em Romanos 3 Paulo está falando do homem natural ainda vivendo em sua natureza herdada de Adão, como descreve em Efésios 2:2-3, andando "...segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos POR NATUREZA filhos da ira, como os outros também."

Ao ter contato com a Palavra de Deus, como Cornélio tinha por ser prosélito, um gentio convertido ao judaísmo, Palavra esta chamada de "água" no capítulo 3 de João, um dia essa Palavra tinha sido aplicada pelo Espírito Santo (o "vento" de João 3) a Cornélio para ele ter nascido de novo. Por meio da "água" da Palavra e do "Espírito", Deus havia deixado Cornélio pronto para ouvir o claro evangelho de que Cristo morreu e ressuscitou e voltará, conforme Pedro pregou a Cornélio em Atos 10:38-44, ele creu e foi selado com o Espírito Santo. Repare que é somente quando o evangelho da graça é pregado e recebido em sua clareza que o Espírito Santo sela aquele que crê:

"A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos); esta palavra, vós bem sabeis, veio por toda a Judeia, começando pela Galileia, depois do batismo que João pregou; como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. E nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judeia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro. A este ressuscitou Deus ao terceiro dia, e fez que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós, que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dentre os mortos. E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos.  este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome. E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios." (At 10:36-45).

Infelizmente muitos na cristandade não compreendem, nem a total ruína do ser humano, achando existir nele alguma partícula de sanidade e bondade que o leve a escolher fazer o bem ou crer em Jesus, e nem o novo nascimento, muitas vezes interpretado como sendo o batismo ou alguma outra coisa que dependa do homem fazer. Quando Jesus disse "Necessário vos é nascer de novo", ele não estava dando uma ordem do tipo "se esforce para nascer", porque se fosse assim a própria expressão nascer já teria sido utilizada de maneira equivocada.

Afinal, qual de nós decidiu nascer ou fez qualquer esforço na hora do parto? Você consegue imaginar o médico gritando para a futura mamãe de pernas abertas: "Vamos lá, Zezinho, força garoto! Você consegue! Coloque o pezinho na parede do útero e empurre! Se quiser jogo uma corda aí dentro, você segura nela e eu puxo!". Em nosso nascimento fomos a parte mais passiva de todos os envolvidos. Nossos pais decidiram ter um filho, nossa mãe passou nove meses cuidando de nossa gestação, e todo esforço, dor e sangue derramado vieram dela, não de nós.

Assim é na salvação, uma obra obra inteiramente de Deus que começou nos tempos eternos, passou pelo novo nascimento e se consumou com o selo do Espírito Santo, sem qualquer participação do homem a não ser na responsabilidade de rejeitar os apelos do Espírito Santo. Afinal, assim como não sabemos de onde vem o vento e para onde vai, conforme o exemplo dado pelo Senhor em João 3, também não temos capacidade de entender como é que Deus pode dar vida a um morto em delitos e pecados, tornando-o capacitado a tomar uma decisão de crer em Cristo. Essa é a vida que recebemos no novo nascimento, antes ainda de recebermos a vida eterna que Jesus prometeu àquele que cresse nele, que é o que Cornélio e seus amigos e parentes fizeram e receberam, quando creram e foram selados pelo Espírito Santo.

"O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito." (Jo 3:8).

Repare que na passagem abaixo passou-se uma eternidade até que chegasse o momento em que uma ação vinda de nós — o crer em Cristo — acontecesse. Deus nos elegeu, predestinou, providenciou a redenção (sim, ele providenciou antes de existir o homem), descobriu o mistério da sua vontade (não fomos nós os espertos que descobrimos de nós mesmos), nos incluiu em sua herança, "segundo o conselho da sua vontade", ou seja, porque ele quis, até chegarmos ao ponto em que ouvimos, cremos e ele nos selou com o Espírito Santo garantindo assim nossa salvação eterna e irreversível.

"Bendito O DEUS E PAI de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual NOS ABENÇOOU com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também NOS ELEGEU nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E NOS PREDESTINOU para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem TEMOS A REDENÇÃO pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; DESCOBRINDO-NOS O MISTÉRIO DA SUA VONTADE, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele, digo, em quem também FOMOS FEITOS HERANÇA, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo O CONSELHO DA SUA VONTADE; com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo; em quem também vós estais, depois que OUVISTES a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também CRIDO, FOSTES SELADOS com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória." (Ef 1:3-14).

http://www.respondi.com.br/2005/06/existe-livre-arbtrio.html
http://www.respondi.com.br/2009/05/se-nao-tenho-o-livre-arbitrio-como.html
http://www.respondi.com.br/2008/06/depois-de-salvo-eu-perco-meu-livre.html
http://files.3minutos.net/ministerio/Salmo-139-Valfredo-Pereira-Lineu-Binotti.mp3

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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