As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como alguem pode acreditar numa Trindade?



https://youtu.be/2nQYzrnAZPk

Acreditar que Deus seja uma Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — é também a única maneira de entender como Deus pode ser amor e capaz de amar, como vou explicar mais adiante. A palavra Trindade realmente não aparece na Bíblia, mas a Trindade está na Bíblia do começo ao fim, e a evidência mais forte que você tem é esta: "Deus é amor" (1 Jo 4:8). Deus não é amar, amor não é Deus, mas "Deus é amor".

Enquanto muitas religiões falam de um deus que ama, só no cristianismo você encontra o Deus que não apenas é capaz de amar, mas é amor em sua essência. Acredito que uma das melhores "provas" da Trindade tenha a ver com a natureza de Deus, que é Amor, e com sua capacidade de amar e ser amado. O cristianismo é a única religião que possui um Deus que ama de verdade. Talvez você retruque dizendo que o deus dos espíritas também ama, o deus dos muçulmanos também ama, o deus dos hindus também ama. Mas como um deus unitário iria exercitar o verbo "amar" na na solidão da eternidade, quando não havia mais ninguém para amar ou por quem ser amado? O Deus da Bíblia possui, portanto, uma qualidade intrínseca: Ele não apenas ama, mas é amor. No Deus verdadeiro o amor faz parte de sua própria essência. E como Ele pode amar? Por ser uma Trindade.

Deus são três Pessoas em um Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta Trindade aparece logo no primeiro versículo da Bíblia, quando o nome de Deus é plural: “No princípio Elohim criou os céus e a Terra” (Gn 1:1). A palavra Elohim (deuses) é plural de Elohá (deus). Os idiomas antigos desafiam a Teoria da Evolução, pois ao invés de as línguas evoluírem elas involuíram. Idiomas antigos são mais completos e complexos, capazes de indicar coisas, situações e sentimentos impossíveis aos idiomas modernos. Mesmo entre os modernos, alguns têm palavras que faltam a outros, como é o caso da palavra "saudade", que não existe na maioria dos idiomas.

Elohim, esse Deus em três Pessoas, volta a aparecer em Gênesis 1:26 usando o verbo "fazer" e o pronome no plural — "façamos", "nossa". "E disse Elohim: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança". Os judeus não conheciam o Deus triúno, e jamais aceitariam a ideia da Trindade. Mesmo assim leram durante milênios o livro de Gênesis e nunca perceberam que o Espírito Santo deixou gravado bem ali que Deus é plural. Curiosamente, o fato de Elohim ser uma palavra plural significando "deuses" cria até um problema de concordância, pois o correto seria dizer que "Elohim criaram os céus e a terra", mas o Espírito Santo preservou o verbo no singular para indicar assim que, mesmo sendo três Pessoas, Deus é um.

A revelação de Deus como Trindade é um privilégio dado a cristãos, algo que os judeus nunca tiveram ou imaginavam ser possível ter. É como o privilégio de chamar a Deus de Pai, que os cristãos têm e os judeus não. Jesus, após ressuscitar, ordenou a Maria Madalena: "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (Jo 20:17). Por isso Jesus surpreendia os judeus quando se dirigia ao Pai, o que deixava claro ser ele o Filho de Deus. Em seu julgamento diante de Pilatos, "responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus." (Jo 19:7).

A revelação da Trindade aparece com todas as letras na descrição do batismo de Jesus por João Batista: "E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." (Mt 3:16-17).

Uma maneira bem rudimentar de você entender a Trindade é pensar naquele disco de cores que os estudantes costumam apresentar nas feiras de ciência para demonstrar a decomposição da luz. Eles colocam um disco de papelão com as três cores primárias — vermelho, amarelo e azul — e quando o disco é girado com velocidade as cores desaparecem e o disco fica branco. Assim é também com as três Pessoas da Trindade que são, em essência, um só Deus.

O Evangelho de João é rico em passagens que mostram diferentes aspectos do relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Coloco aqui uma lista dos significados dos versículos que aparecem antes de cada frase:

João 1:18 O Filho está no seio do Pai
João 3:16 Deus deu o Seu Filho unigênito
João 3:17 Deus enviou o Seu Filho ao mundo
João 5:20 Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz
João 10:15 Assim como o Pai conhece o Filho, também o Filho conhece o Pai
João 10:30 O Pai e o Filho são um
João 10:38 O Pai está no Filho e o Filho no Pai.
João 14:16 O Filho roga ao Pai e o Pai atende dando o Espírito Santo.
João 14:26 O Pai enviaria o Espírito Santo em nome do Filho.
João 14:31 O Filho ama o Pai e faz aquilo que Ele manda.
João 15:26 O Filho enviaria o Espírito Santo da parte do Pai para testificar do Filho
João 16:7 O Filho enviaria o Espírito Santo.
João 16:13 O Espírito Santo não falaria de Si mesmo.
João 16:14 O Espírito Santo glorificaria o Filho.
João 16:15 Tudo o que o Pai tem é também do Filho.
João 17:1 O Pai glorifica o Filho, para que o Filho também glorifique o Pai.
João 17:2 O Pai deu ao Filho "poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos" o Pai lhe der.
João 17:4 O Filho glorificou o Pai consumando a obra que o Pai deu ao Filho para fazer.
João 17:24 O Pai amou o filho "antes da fundação do mundo".
João 17:26 Jesus diz ao Pai: "E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja."

Pense na eternidade, quando não havia nada e nem ninguém, mas só Deus. Agora imagine esse círculo de amor e relacionamento envolvendo essas três Pessoas distintas, Pai, Filho e Espírito Santo, que se comunicavam e interagiam desde sempre. Dentre os propósitos de Deus estava o de salvar o homem que ainda seria criado, e temos pista disso em versículos como Tito 1:2, que diz: "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos". A pergunta agora é: A quem Deus poderia ter prometido algo "antes dos tempos dos séculos" se não existia ninguém mais a quem prometer? Trindade é a resposta. A Bíblia diz que por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra.

Mas o amor do Deus que é amor não se restringiu ao círculo de relacionamento da Trindade nos tempos eternos. Deus queria amar mais, infinitamente mais, pois o amor sobejava. Então decidiu criar o homem para amá-lo, porém o homem rejeitou esse amor. Não quis o amor de Deus porque todo amor exige relacionamento e o ser humano buscou a independência e autossuficiência. Não pode existir amor em independência. Foi assim que o pecado entrou na Criação e jogou o homem no mais baixo nível de todos os seres criados. Animais não são capazes de cometer níveis de crueldade que você só encontra em seres humanos. Para tirar o homem desse poço de ruína e destruição, que iria exigir um juízo e uma pena eterna, Deus amou o mundo com o maior amor: o amor sacrificial: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." (Jo 15:13).

Esse amor sacrificial não foi uma iniciativa apenas do Pai, mas envolveu também o Filho e o Espírito Santo. O Pai enviou o Filho para morrer. O Filho entregou-se a si mesmo para morrer. E em Hebreus 9:14 lemos que “Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus”.

Cristo morreu, não por amigos, mas por inimigos. Para transformar inimigos em mais que amigos, em filhos e irmãos. Por isso, a Maria Madalena Jesus disse depois de ressuscitado: "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (Jo 20:17). O amor de Deus é tamanho que a nós, antes inimigos, nos transforma em filhos para conhecermos o que é amor e podermos amar com um amor que jamais teria vindo de nós. "Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro." (1 Jo 4:12, 19).

Na Bíblia temos três evangelhos que mostram a progressão da rejeição do homem contra Deus na Pessoa do seu Filho, e o quarto evangelho começa com sua rejeição e nos leva ao conhecimento do Deus-Filho. "Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1:10-14).

Vimos que o Pai ama o Filho, e o Filho ama o Pai, e esse amor vem de antes dos tempos eternos. Mas onde entra o Espírito Santo nesse círculo de amor? Preste atenção neste versículo: "Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito. E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus." (1 Jo 4:12-15).

Acompanhando aquilo que era intrínseco à sua própria natureza, Deus mostrou unidade na pluralidade ao criar o homem como um ser triúno: espírito, alma e corpo. O espírito é aquilo que nos diferencia dos animais, que só possuem corpo e alma. E Deus mais uma vez mostrou unidade na pluralidade quando Cristo rogou pela Igreja, aquela que também havia sido concebida nos seus desígnios antes da fundação do mundo para ser a Noiva do Filho de Deus: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim." (Jo 17:20-23).

Um deus solitário não poderia ser amor, além de estar incapacitado de amar ou ser amado. O amor exige pluralidade para amar e ser amado. Para existir amor é preciso que exista um relacionamento, e por toda a eternidade Pai, Filho e Espírito Santo mantiveram um relacionamento de amor. A Trindade responde ao mais antigo e permanente desejo do coração humano de amar e ser amado. Portanto se você acha difícil crer em um Deus que são três Pessoas distintas, eu digo a você que mais difícil seria explicar que poderia existir um deus unitário — como Alá ou qualquer outro — que fosse capaz de amar, vivendo ele na solidão da eternidade antes de todas as coisas terem sido criadas.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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