As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Se o Filho e' co-igual com o Pai, por que esta' 'a direita do Pai?



https://youtu.be/yfXZ_16KBok

Você escreveu perguntando: "Se o Filho é co-igual com o Pai, ou seja, se ele é tão Deus quanto o Pai, por que o Filho está sentado à mão direita do Pai?". Antes de tentar responder sua dúvida pesquisei para ver onde na Bíblia aparece a expressão "sentado à destra" ou "à mão direita". Encontrei várias passagens, mas duas tinham um diferencial, a primeira por não falar de Jesus sentado, mas "em pé à mão direita de Deus" (At 7:55-56) e a outra em que Jesus diz "Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.me assentei com meu Pai no seu trono" (Ap 3:21).

Curiosamente em nenhuma das passagens que pesquisei aparece a expressão "sentado à direita do Pai", como você colocou, ao menos que alguma me tenha escapado. A que fala do Pai é a que acabei de citar, que fala de dois tronos, o de Jesus e o do Pai, que não menciona "à direita", mas apenas que Jesus está sentado com o Pai no seu trono.

Da passagem em Atos onde Jesus aparece "em pé à mão direita de Deus" entendo que essa posição esteja relacionada ao contexto. No capítulo inteiro Estêvão está contando a história de Israel, de como Deus sempre foi paciente e misericordioso, e o povo rebelde e obstinado. A história termina com a descrição do maior crime já cometido pelos homens, o homicídio do Justo Messias enviado a Israel. Jesus em pé era como se estivesse dizendo que ainda havia uma chance de aquela nação se arrepender.

Algo que precisa ser entendido é que a Bíblia usa linguagem simbólica quando fala das coisas no céu. O capítulo 9 de Hebreus descreve o culto judaico, com seus utensílios, cerimônias e sangue de animais sacrificados como "figuras das coisas que estão no céu" (Hb 9:23). Uma figura é uma representação bastante limitada da realidade, como no caso de uma fotografia de papel que usamos para representar um ser humano de carne e ossos.

Se acharmos que poderiam existir no céu tronos físicos, como os que existem nos palácios dos reis, isso levantaria questões do tipo: Qual o tamanho desse trono? De que material é feito? Onde foi fabricado? É estofado ou não? Por aí já dá para perceber que Deus empresta coisas terrestres para representar realidades celestiais, como emprestamos tela e tinta para representar o rosto de alguém. Até mesmo na terra nem sempre falamos de trono como sendo um objeto, mas sim uma posição de autoridade e governo.

Geralmente quem levanta essa questão sobre Jesus ocupar uma posição aparentemente inferior à direita de Deus foi contaminado com o ensino de religiões heréticas que combatem a Trindade. Pai e Filho são duas Pessoas da divindade, além de existir também a Pessoa do Espírito Santo. Jesus afirmou categoricamente em João 10:30: "Eu e o Pai somos um". Portanto se você conseguir dividir um por dois então faria sentido duvidar da unidade da divindade formada por três Pessoas distintas.

Antes que você diga ser possível dividir 1 por 2 e obter 0,5, vamos aprender com o livro "O fantástico mundo dos números: A matemática do zero ao infinito", de Ian Stewart. No capítulo "A Unidade Indivisível" ele diz: "O menor número inteiro positivo é 1. Ele é a unidade indivisível da aritmética: o único número positivo que não pode ser obtido pela soma de dois números positivos menores... O número 1 expressa uma importante ideia matemática: a da unicidade.".

Tendo estabelecido este fato, vamos à sua dúvida que é também a de muitos por não entenderem coisas como posição e destra ou mão direita. Se lemos em Hebreus 1:3 que Jesus é "o resplendor da sua glória [a glória de Deus], e a expressa imagem da sua pessoa [a fiel representação da Pessoa de Deus]", resta saber que parte da divindade estaria ausente no Filho de Deus. A resposta é nenhuma.

Para você entender isso tente fazer o raciocínio inverso: Se o Filho é quem ele declara ser, todavia é também um Homem de carne e ossos hoje no céu, teria Jesus algo que o Pai não tem? Sim, Jesus tem um corpo tangível de carne e ossos, que nunca teve antes de vir ao mundo em carne. Deveríamos por isso deduzir que o Filho é mais que o Pai? Não, porque estamos falando de características distintas de duas Pessoas que possuem uma mesma e única natureza divina.

Neste ponto eu gosto de usar o exemplo do Brasil com seu Presidente e Vice. O primeiro é capitão, o segundo é general. Na posição em que se encontram na esfera governamental o general recebe ordens do capitão, mas se a atuação deles fosse na esfera militar seria o contrário. No entanto ambos compartilham da mesma natureza humana, sendo distinguidos por características e posições diferentes no seu modo de atuar. Por isso quando alguém cita a passagem onde Jesus diz "meu Pai é maior do que eu" (Jo 14:28) eu digo: "Sim, e o general é maior que o capitão, mas no governo o general está subordinado ao capitão.".

Partindo daí, já podemos entender que a expressão "à mão direita do Pai" ou "à destra do Pai" nada tem a ver com os aspectos físicos da expressão, pois sendo o Pai incorpóreo ele não possui uma mão direita ou esquerda física no mesmo sentido de um corpo humano. A expressão deve ser entendida como símbolo de proximidade, poder e autoridade divinas. O Filho, sendo Deus, é um com o Pai e desfruta dessa igualdade executiva na esfera que lhe cabe. Costumamos usar a expressão braço direito para alguém com o mesmo poder e autoridade de outro.

Foi ao expressar isso que Jesus embaralhou a cabeça dos fariseus, que não souberam o que responder. A passagem está em Mateus 22:41-42: "E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi.". Os fariseus responderam corretamente que o Messias seria um descendente do Rei Davi. Mas aí Jesus mencionou o Salmo 110:1 — "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés." —, questionando os fariseus:

"Como é, então, que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: 'Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.' Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?" (Mt 22:43-45).

No original o Salmo está assim: "Disse Jeová ao meu Adonai", e "adonai" na Bíblia em hebraico pode tanto significar "senhor" no sentido de autoridade superior, como também é usado para a divindade. Mas a continuação da conversa deixa muito claro que o Messias, o Senhor ou Adonai de Davi, era também o mesmo Jeová, pois apesar de ser filho ou descendente de Davi, existia antes dele e tinha autoridade sobre o Rei Davi. Caso contrário, como poderia ser filho de Davi e Senhor de Davi ao mesmo tempo? Só se o Senhor de Davi fosse o Filho Eterno de Deus vindo em carne. Só assim poderia ser descendente de Davi em sua humanidade.

O desfecho da conversa de Jesus com os fariseus vale também para qualquer pessoa hoje que queira contestar a perfeita divindade do Filho, Deus e Homem, e sua igualdade de propósitos com o Pai. "E ninguém podia responder-lhe uma palavra, nem, desde aquele dia, ousou mais alguém interrogá-lo." (Mt 22:46).

Ao falar do "Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória", Paulo fala da "sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro." (Ef 1:17-21).

Para mim fica claro aqui que "à sua direita" é uma posição de compartilhamento do mesmo poder e autoridade que o Pai tem sobre todas as coisas. Não é a poltrona de um co-piloto, mas a de alguém que desfruta da mesma honra, poder e autoridade para pilotar. O Filho é tão onipotente quanto o Pai. Isso é o que significa o Filho ter se assentado à destra da Majestade nas alturas. E tem mais!

Todos sabemos que além de ser onipotente Deus é onisciente e onipresente. Jesus já mostrou um lampejo de sua onipresença enquanto conversava com Nicodemos aqui na terra, ao dizer: "Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu." (Jo 3:13). Como poderia esse Ser estar ao mesmo tempo no céu e na terra conversando com Nicodemos, se não fosse Deus onipresente?

Numa outra ocasião ele disse algo aos discípulos que revelava sua onipresença independente do tempo: "E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu." (Lc 10:17-18). Se ele estava se referindo ao diabo estar posicionalmente perdendo seu poder com a vinda do Filho ao mundo para "maniatar o valente" e "roubar os bens do valente", então enxergava uma esfera que ia além da visível aos olhos humanos. Se ele falava profeticamente, então via no presente uma cena que só se dará no futuro e é descrita em Apocalipse 12, quando o diabo será expulso do céu.

Portanto, o que podemos dizer é que "à mão direita de Deus" se refere ao Messias, o Senhor Jesus Cristo ocupando uma posição de igual honra, poder e autoridade com Deus, lembrando que "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." (Jo 1:1-3). Só mesmo quem é capaz de adulterar as Escrituras para trocar "o Verbo era Deus" por "o Verbo era um deus" irá ignorar essa verdade.

O fato de Cristo estar sentado tem a ver com sua obra de redenção ter sido completada, e daí nos lembramos da posição momentânea que ele ocupou quando foi visto ainda em pé por Estêvão em seu apedrejamento, enquanto dava à nação de Israel mais uma chance de arrependimento. Tendo a redenção sido consumada, e Cristo se sentado à destra da Majestade nas alturas, dali ele se levantará quando chegar "a plenitude dos gentios" (Rm 11:25) que colocará um fim ao período da Igreja na terra e ele for ao encontro dos arrebatados nas nuvens.

Poucos anos depois ele voltará, mas então até colocar os pés no chão deste mundo para julgar as nações e estabelecer seu reino de mil anos, no final do qual todos os inimigos de Cristo terão já sido colocados sob o estrado de seus pés. Começa a eternidade quando o tempo termina e são criados "um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe." (Ap 21:1). 

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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