As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Voce nao acredita na "Lei da Semeadura"?

Você discordou do que eu disse acerca de a Igreja não ser Israel e, portanto, não poder querer tomar para si as bênçãos e promessas terrenas feitas àquele povo, dentre elas as promessas de riqueza e prosperidade. Você chamou de "Lei da Semeadura" a passagem de 2 Coríntios 9 como se ali fosse uma garantia de que todo cristão obediente ficaria necessariamente rico, e os desobedientes pobres. Talvez você tenha se esquecido de que o homem mais caridoso e obediente que já pisou neste mundo era pobre e os únicos bens materiais que deixou foram suas vestes.


"Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis." (2 Co 8:9). Paulo escreveu isso no mesmo contexto da caridade que é o do capítulo 9. Então eu não chamaria o capítulo 9 de "Lei da Semeadura" no sentido em que você chamou, que parece ser um jargão muito usado pelos pregadores de prosperidade, pois colocou sua ênfase no enriquecimento de quem semeia. Eu prefiro chamar de "Lei da Caridade", pois este foi o real sentimento de Cristo ao vir ao mundo pobre e sair pobre, para que fôssemos enriquecidos de todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Vamos à alguns pontos da passagem que você citou:

"Portanto, tive por coisa necessária exortar estes irmãos, para que primeiro fossem ter convosco, e preparassem de antemão a vossa bênção, já antes anunciada, para que esteja pronta como bênção, e não como avareza. E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se deem graças a Deus.  Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus. Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos." (2 Co 9:5-13).

O assunto da passagem não é enriquecimento, mas o que hoje chamamos de "Just-in-Time" nas empresas. Já viu aquela canaleta de hambúrgueres do McDonald's, que é abastecida de cima para baixo na medida em que existe demanda? Se não existir demanda, isto é, se sanduíches não saírem pela extremidade inferior da canaleta para serem entregues aos clientes, o cozinheiro irá parar de abastecer o sistema. Em grandes empresas isso é feito para a produção nunca parar, com os fornecedores conhecendo, via sistemas de informação, quando devem suprir a fábrica com insumos.

Aos generosos da passagem, que estavam semeando com fartura para o suprimento das necessidades dos irmãos mais pobres, podiam não só contar com o reabastecimento por cima daquilo que distribuíam aqui em baixo, mas também com um galardão de justiça que permaneceria para sempre. É disto que a passagem fala, e não do enriquecimento pregado pelos mercadores da fé na TV. William McDonald comenta:

Aqui temos a promessa de que se alguém realmente deseja ser generoso, Deus providenciará para que tenha oportunidade para isso. A expressão "abundar em toda graça" (2 Co 9:8) é usada aqui como sinônimo de recursos. Deus é capaz de nos suprir com recursos de modo que não tenhamos apenas o suficiente para nós, mas para sermos capazes de compartilhar o que temos com outros e assim superabundar em toda boa obra.

Ao citar o Salmo 112:9, "Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre", mostra um homem que tem sido generoso em sua semeadura, ou mais particularmente em seus atos de bondade. Essa bondade específica era dando aos pobres. Estaria ele perdendo ao fazer isso? Não! Sua justiça permanece para sempre. Isto significa que se distribuirmos bondade como o seador espalha sua semente, estaremos depositando tesouros no céu para nós. Os resultados de nossa bondade permanecerão para sempre.

O exemplo do semeador continua no versículo 10. O mesmo Deus que supre as sementes para o semeador e o pão para o alimento é zeloso em assegurar que aqueles que mostram bondade para com outros venham a colher determinadas recompensas, algumas delas mencionadas aqui. Primeiro, Deus multipliará as sementes de sua sementeira. Isto é, ele dará oportunidades cada vez maiores e para resultados igualmente maiores por sua demonstração de bondade para com o povo de Deus. Além disso, Deus irá aumentar os frutos de sua justiça. Os coríntios eram justos ao darem para os santos em Jerusalém. Como resultado de sua bondade eles receberiam fruto na forma de uma recompensa eterna. À medida em que Deus aumentava sua capacidade de dar, e eles aumentavam sua generosidade, as recompensas aumentariam na mesma proporção. - William McDonald

Resumindo: Deus não promete enriquecer o cristão nesta dispensação do modo como prometia enriquecer o israelita, cujas bênçãos eram terrenas. À igreja foram asseguradas "todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1:3), e não na terra. Quando Deus provê para um crente em Cristo ele está na verdade provendo para o necessitado através de um mordomo, que é o cristão. Este deverá ser zeloso no modo como repassa o que recebe a fim de ser considerado um mordomo fiel para com seu Senhor. A matemática de Deus é mais ou menos assim: Você tem um pão, recebe dois de Deus e compartilha um com o necessitado. Perdeu aquele pão? Não, ele estará esperando por você na forma de tesouro nos céus, não na terra. Aqui, porém, você ficará satisfeito por ter um pão para hoje, e dos dois que receber amanhã já saberá que apenas um é seu.

"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mt 6:19-21).

Interessante como este assunto leva nossos pensamentos ao mordomo infiel da parábola, que foi elogiado por seu senhor, não por agir de maneira errada para com o patrão, mas por ser prudente ao procurar garantir seu futuro nos tabernáculos eternos.

"E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz. E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos." (Lc 16:8-9).

A segunda parte da passagem tem a ver com sua maneira desonesta de agir usando dos recursos de seu senhor de modo não autorizado para benefício próprio. Ele não era fiel e nem estava fazendo a caridade de que fala 2 Coríntios 9, porque aqueles devedores não eram pobres necessitados, mas pessoas que haviam deixado de pagar seu senhor. Aqui entra a questão da fidelidade, e se o Senhor aumenta nossa sementeira visando sermos liberais para com os pobres, e não for isso o que fazemos, ele deixará de prover.

"Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito.Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?" (Lc 16:10-12).

A citação que Paulo fez do Salmo 112:9 tinha a ênfase no ato de espalhar e dar aos pobres para que a justiça do que assim faz permaneça para sempre. Mas é evidente que a passagem, como tudo mais no Antigo Testamento, se refere aos israelitas no reino milenar de Cristo quando não haverá mais necessitados na terra e todos serão liberais em repartir o que têm.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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