As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que celebrar a ceia para lembrar a morte de Jesus se ele já ressuscitou?



https://youtu.be/xTugIWBWmzk

Você escreveu dizendo que não faz sentido celebrar a ceia do Senhor agora que ele já ressuscitou. Para quê nos lembrarmos de um Jesus morto se ele está vivo? A ceia do Senhor possui vários aspectos. Um deles é o da comunhão de propósitos que têm os que foram salvos por Cristo, que agora comungam do fato de fazerem parte de um único corpo do qual Cristo é a cabeça. Este aspecto em si não tem nada de morte e o símbolo dele é um único pão inteiro, e não em pedaços ou transformado em hóstias ou bolachas.

"Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão." (1 Co 10:16-17).

Observe que aqui a menção da ceia do Senhor começa falando primeiro do cálice de vinho, que representa o sangue por meio do qual uma pessoa é tornada idônea para participar do um só corpo, representado pelo pão. Esse privilégio não é conquistado com esforço, mas pelo valor que o sangue tem aos olhos de Deus. "Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado." (1 Jo 1:7).

Portanto você observa que nesta passagem o sangue é mencionado primeiro, e só depois o pão, pois é nesta ordem que recebemos a purificação de nossos pecados e temos consciência de pertencer à Igreja, que é o corpo de Cristo. Porém quando Paulo dá as instruções para a celebração da ceia, a ordem é invertida: primeiro vem o pão partido e depois o vinho; primeiro o símbolo do corpo morto e depois do sangue derramado. O pão separado do vinho significa morte.

"Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha." (1 Co 11:23-26).

Sua dúvida da razão de celebrarmos uma ceia para anunciar a morte de Jesus quando ele está vivo e ressurreto perde totalmente o sentido quando nos lembramos que ao instruir os discípulos a celebrarem a ceia ele estava vivo. Depois, quando revelou a ceia a Paulo (que não recebeu essas instruções dos outros apóstolos, mas diretamente do Senhor) ele também já tinha ressuscitado.

A cena muda agora para o céu em Apocalipse 5:6, e o que João vê ali? Um Cordeiro como havendo sido morto. "E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto". Ele não um Cordeiro morto, mas um "como havendo sido morto", como se a morte fosse uma constante diante de seus olhos. É por isso também que Jesus não tem cicatrizes fechadas, mas "marcas" ou cortes frescos nas mãos, pés e lado. São as marcas de uma morte que, embora ocorrida uma vez, estará sempre fresca diante dos olhos de todos.

Existe um pregador no Youtube que usa desse argumento de que a ceia não deve mais ser celebrada porque Jesus ressuscitou, mas tal argumento é no mínimo simplista e no máximo blasfemo. Se Jesus ordenou que celebrássemos a ceia, quando teriam os discípulos feito isso considerando que nada é dito de a terem celebrado até depois de sua ressurreição e quando a Igreja havia sido formada? Sim, pois se antes ele estava vivo ao instituir a ordenança, e depois ele estava vivo por ter ressuscitado. Que ordenança teria sido aquela que teria sido impossível de ser obedecida no breve período de três dias em que seu corpo esteve no sepulcro?

No entanto, a primeira providência dos discípulos assim que a Igreja foi formada em Atos 2 foi de praticar aquilo que distingue a Igreja de Israel: comunhão e ministério da doutrina dos apóstolos, partir o pão (e isto é a ceia e não alguma ação de caridade como querem alguns) e oração. "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações." (At 2:42).

Antes que você se apresse a argumentar que esse "partir do pão" não seria a ceia, e sim uma refeição comum e compartilhada, repare que dessa refeição comum o texto vai falar mais adiante, não perca de vista o fato de que ainda frequentavam o Templo de Jerusalém porque a doutrina da Igreja ainda não havia sido dada por intermédio de Paulo:

"E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (At 2:46-47). 

Fique atenta com essas doutrinas modernas de alguns que negam as escrituras. Alguns deles combatem as denominações com tamanha veemência que você acabará achando que o resto do que dizem seja verdade, quando não é. Um desses que ensinam que a ceia não deve ser celebrada também ensina que a Trindade não existe. Ou seja, a má doutrina da ceia é apenas a ponta do iceberg de um pensamento ainda mais maligno de alguém que não é capaz de honrar o que a Bíblia ensina sobre a divindade.

Sinto dizer que você deve ter sido seduzida por algum desses pregadores do Youtube que combatem denominações para conquistar os decepcionados com elas, ao mesmo tempo que corrompem o ensino dos fundamentos das escrituras que muitas das denominações tradicionais ainda preservam. O fato de entender que o denominacionalismo não tem base bíblica não significa jogar fora a criança com a água do banho por achar que tudo o mais que ensinam também não teria fundamento.

Quando o Senhor olha para as diferentes fases do testemunho visível da Igreja, que costumamos chamar de cristandade em contraste com cristianismo, ele vê os diferentes movimentos cristãos inseridos nessas fases, ou seja, os reconhece como responsáveis por levarem o nome de Cristo no mundo. Se estudar o texto dos capítulos 2 e 3 de Apocalipse verá indícios claros do catolicismo romano na carta ao anjo da igreja que está em Tiatira e do protestantismo naquela que é dirigida ao anjo de Sardes.

Hoje estamos na mais horrível e decadente fase, a de Laodiceia, ainda que aos olhos humanos ela apareça grande, rica e pujante. Mas certamente causa náuseas ao Senhor que quer vomitá-la de sua boca, o que efetivamente fará quando der por encerrado o tempo do testemunho cristão na terra para em seguida destruir Babilônia, a Meretriz. A mulher que João vê na revelação é aquela que deveria ter dado o testemunho de uma virgem pura preparada para o Noivo que é Cristo, mas que se prostituiu com os reis da terra e virou uma meretriz.

Até os últimos dias dessa casca oca em que se tornará a cristandade ela trará aninhada em seus galhos as mesmas aves malignas — verdadeiros agentes de Satanás — que foram vistas na Parábola do Semeador, na Parábola da Semente de Mostarda, e finalmente, em Apocalipse. Veja a sequência de passagens:

"E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. Atendei vós, pois, à parábola do semeador. A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho... Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos... Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória. Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria." (Mt 13:4, 18-19, 31-32; Ap 18:1-3).

https://www.respondi.com.br/2019/05/nao-devemos-mais-celebrar-ceia-do-senhor_17.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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