As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Podemos entender a encarnação de Jesus?



https://youtu.be/ts1muycmEqE

Você escreveu comentando que "o Filho de Deus nasceu lá na eternidade anterior das regiões celestiais antes da criação. Assim como Deus retirou uma costela do homem e fez a mulher para que uma família possa surgir, de igual forma, sendo o homem imagem e semelhança de Deus, assim ocorreu lá. Não existe filho sem um pai e uma mãe.". Disse também que "O ocorrido com Maria é lição, onde Deus nos ensina como o Filho de Deus nasceu lá na eternidade anterior das regiões celestiais antes da criação.". Depois acrescentou, com informações tiradas da Wikipedia, que "as fêmeas apresentam em suas células somáticas um número par de cromossomos do tipo XX e produzem apenas um tipo de gameta, com cromossomo X, enquanto os machos presentam em suas células somáticas um número par de cromossomos do tipo XY e produzem dois diferentes gametas, X e Y.".

Fiquei confuso e talvez eu não tenha capacidade para entender o que quis dizer, mas seja lá o que for acredito que você esteja misturando as coisas. Não interpretamos a Palavra de Deus por meio de conhecimento de biologia. O Filho eterno de Deus sempre foi Filho na eternidade, ele não precisava de mãe para ser Filho de Deus. Apenas para a sua encarnação e em sua humanidade que Deus escolheu uma mulher, cumprindo assim a promessa de Gênesis de que da semente da mulher viria um que esmagaria a cabeça da serpente. Mas tudo isso falava do Filho encarnado, não dele no seu estado eterno. Os versículos a seguir ajudarão a entender que Jesus já era Filho do Pai antes de vir ao mundo, e assim se referia ao Pai, pois já foi enviado ao mundo como Filho, e não se tornou filho ao chegar aqui.

"Deus enviou o seu Filho ao mundo... Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai... Àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?... Pai, (...) me amaste antes da fundação do mundo... Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho... Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo... Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados... e vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo... E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo... Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo... sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus". (Jo 3:17; 10:36; 16:28; 17:24; Gl 4:4; 1 Jo 4:10, 14; :5:20; Hb 7:1-3).

A encarnação de Jesus nada tem a ver com processos naturais de gestação envolvendo elementos normalmente usados pela ciência para descrever a formação de um embrião no útero materno. Foi uma obra exclusivamente de Deus e Maria foi apenas o receptáculo desse Ser que foi gerado em seu ventre quando o Espírito Santo de Deus a cobriu com sua sombra. O Ser santo gerado ali era totalmente separado de tudo e qualquer coisa que tivesse a assinatura do pecado vindo de Adão ou mesmo de Maria. Como foi isso? Nenhum de nós jamais saberá pois não nos é dado fazer um ultrassom ou ressonância magnética do ventre de Maria.

Tampouco precisamos inventar a teoria mirabolante católica romana de que, para Jesus nascer sem pecado Maria devia ser sem pecado, pois isso só levaria o problema escada acima na genealogia de Maria levando à absurda conclusão de que todos os seus ancestrais teriam sido imaculados. Devemos nos contentar que o que aconteceu foi um milagre operado por Deus no ventre daquela jovem e nada mais. "Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo [tu] me preparaste." (Hb 10:5).

A. J. Pollock escreveu: "O nascimento de Cristo não foi por procriação, mas por criação. A semente da mulher era o resultado especial de Deus, o ato criativo do Espírito Santo; e a descendência era perfeitamente santa e sem pecado, embora Maria, 'abençoada entre as mulheres', um vaso especialmente preparado por Deus para a alta honra que lhe era confiada, fosse ela mesma membro de uma raça pecaminosa caída. 'Aquele ente santo que há de nascer será chamado o Filho de Deus.' Os judeus não tinham ilusões sobre o que foi reivindicado no título, Filho de Deus. 'Por isso os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu Pai, fazendo-se igual a Deus' (João 5:18)." - "The Fundamentals of the Christian Faith" - A. J. Pollock.

Quando o assunto é a concepção de Jesus, o Filho de Deus vindo em carne (porque ele já existia como Filho sempre e eternamente), é bom lembrar do princípio estabelecido em Êxodo 5, quando Moisés viu um arbusto que queimava mas não se consumia. Como foi ensinado a Moisés, devemos reconhecer quando é "terra santa" e não nos aproximarmos mais do que nos é permitido, para, como escreveu Paulo, "não ir além do que está escrito" (1 Co 4:6).

"E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. E vendo o Senhor que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus." (Êx 3:2-6).

Entendo que o corpo de Jesus, o "segundo Homem", tenha sido criado no ventre de Maria de maneira miraculosa semelhante à criação do "primeiro homem", Adão. "O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu." (1 Co 15:47). Adão foi criado de maneira miraculosa, assim como foi Eva: "Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão." (Gn 2:21-22). Você consegue imaginar, em termos biológicos, como um ser humano poderia ter ser criado a partir do barro? E outro ser humano, uma mulher, ter sido criada a partir de uma costela do primeiro homem? Pois é disto que estou falando: "Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa." (Êx 3:2-6).

Jesus era totalmente humano em seu corpo de carne sem pecado, mas não me é dado entender como seria isso tendo ele nascido no ventre de uma mulher pecadora, mesmo que tivesse sido sem a participação do sêmen de um homem pecador. Isso só pode ter sido uma obra maravilhosa de Deus que formou "o seu Filho em semelhança da carne do pecado... mas sem pecado [ou 'pecado à parte']" (Rm 8:3; Hb 4:15).

Uma passagem que pode ajudar a estabelecer o contraste, não apenas entre o homem natural nascido da descendência de Adão, e o modo como Jesus entrou no mundo é este. João Batista fala dos que recebem o poder de serem filhos de Deus por terem nascido de novo por obra de Deus, que não são gerados como um ser humano comum, que nasce do sangue, da vontade da carne e da vontade do homem. Esta geração especial é o novo nascimento mencionado no capítulo 3 do Evangelho de João, mas o versículo 14 fala da encarnação do Verbo como algo completamente distinto:

"Mas, a todos quantos o receberam [a Jesus], deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1:12-14).

Se Cristo tivesse nascido pecador — "do sangue... da vontade da carne... da vontade do homem" —, como Maria ou outro ser humano qualquer, ele estaria desqualificado para assumir o lugar de “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (Jo 1:29). Ele precisaria de um Salvador sem pecado, pois o cordeiro dos sacrifícios judaicos era sem mancha e sem defeito por tipificar o verdadeiro Cordeiro de Deus, que deveria ser imaculado. Como poderia ele redimir a outros se ele próprio precisasse de um redentor?

Mas não, o que temos é a encarnação do próprio Verbo de Deus, aquele que "estava com Deus, e... era Deus... estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." (Jo 1:1-3). Temos algo completamente sobrenatural, pois só assim poderíamos também saber que "grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória." (Cl 3:16). Darby explica que aqui não se trata especificamente do mistério da encarnação mas da piedade: "O mistério da piedade, ou o segredo pelo qual toda piedade real é produzida — a fonte divina de tudo o que pode ser chamado de piedade no homem. ... A piedade brota do conhecimento da encarnação, morte, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo. ... É assim que Deus é conhecido; e é disso que flui piedade." (J. N. D.).

Se Jesus tivesse nascido como qualquer ser humano pecador, ele não poderia exercer a função de sacerdote e intermediário entre Deus e os homens, “porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.” (Hb 7:26-28).

Portanto, para que Jesus fosse Salvador, Redentor e Sacerdote ele precisaria ser, como diz a passagem, “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, algo que obviamente nenhum ser humano é em sua condição natural. A mais tosca imagem que minha mente finita consegue conceber para entender tal coisa é a de uma garrafa térmica. Dentro dela existe um "útero", digamos assim, que é a ampola de vidro com duas paredes separadas por um espaço de vácuo. Por causa do vácuo o líquido dentro do recipiente interior fica quase totalmente isolado do exterior, exceto pela tampa que é onde o vidro interior e exterior da ampola se encontram. A garrafa térmica seria virtualmente perfeita e isolada se não existisse a tampa.

A carta aos Hebreus declara que, apesar de ser tentado (ou testado), Jesus era naturalmente sem pecado. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado [à parte o pecado]” (Hb 4:15). Tamanha era essa isenção da natureza pecaminosa em Jesus que ele podia desafiar os religiosos judeus, dizendo: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8:46). Certamente homem nenhum pode fazer tal desafio, e ele já era assim desde o ventre de Maria. Ali estava aquele cujo nome seria "Emanuel... Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz".

"Tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe... Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel... Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." (Sl 22:9-10; Is 7:14; 9:6).

Outra evidência clara da natureza imaculada de Jesus foi o que se deu na cruz, quando ele foi julgado ali por Deus. “Àquele que não conheceu pecado, [Deus] o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Co 5:21). Se ele não fosse sem pecado e sem a capacidade de pecar Deus não o teria feito pecado por nós na cruz. Sua natureza imaculada, além de sua natureza divina, fazia com que o pecado fosse nele uma total impossibilidade. “O qual não cometeu pecado... e nele não há pecado.” (1 Pe 2:22; 1 Jo 3:5).

Ao ser concebido do Espírito Santo, e não de um homem, Jesus não recebeu a natureza pecaminosa de Adão, e muito menos de Maria. O próprio anjo anunciou que o Ser que seria gerado nela era “Santo” por natureza, e “Filho de Deus”. “Porque o que nela está gerado é do Espírito Santo.” (Mt 1:20). “E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lc 1:34-35).

Embora a Bíblia não diga explicitamente como a natureza pecaminosa de Maria não tenha passado a Jesus, a Bíblia deixa claro ser ele sem pecado e sem capacidade de pecar, o que comprova sua natureza imaculada. Se isto não bastar devemos nos lembrar de que ele era, antes mesmo de sua encarnação, o Filho Eterno de Deus, e obviamente o Filho de Deus não iria encarnar em um corpo de carne de pecado. Em nenhum momento ele deixou de ser integralmente Filho e Deus, ainda que tenha assumido um corpo de carne que o tornou também integralmente Homem. “Porque nele habita corporalmente [isto é, num corpo de carne] toda a plenitude da divindade.” (Cl 2:9).

https://manjarcelestial.blogspot.com/2019/07/a-concepcao-miraculosa-de-jesus-j-t.html

https://www.respondi.com.br/2018/07/jesus-sempre-foi-o-filho-de-deus.html

https://www.respondi.com.br/2012/04/jesus-se-tornou-filho-de-deus-ao-nascer.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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