As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como celebrar a Ceia do Senhor?

O texto Você Parte o Pão? Por Que, Quando, Onde e Como? escrito por E. H. Chater apresenta o fundamento necessário à parte doutrinária. No seu aspecto prático, a Ceia do Senhor é celebrada na Mesa do Senhor (1 Co 10.21) que é, por sua vez, cuidada por homens comuns e fracos como nós, mas que o fazem com a autoridade dada pelo próprio Senhor.

Portanto, exercendo essa autoridade, somos responsáveis e exortados a julgar se aqueles que vão estar à mesa estão limpos. Isso não significa examinar o coração, que deve ser feito pelo próprio participante (1 Co 11.28), mas examinar o testemunho exterior daqueles que se dizem irmãos (1 Co 5.11).

Sendo assim, um visitante não é admitido à Ceia (embora possa assisti‑la) pois cremos que a assembléia (igreja ou reunião dos irmãos) deve cuidar para que haja separação do mal na mesa do Senhor. Nunca sabemos se um visitante é realmente convertido ou, se o for, se está vivendo em pecado. Aquele que deseja participar da Ceia, fará o seu pedido, o qual será levado ao conhecimento da assembléia.

Após um período de oração e observação quanto à idoneidade da pessoa, no sentido de não estar conectado com pecado moral, doutrinário ou eclesiástico, ela é convidada a tomar o seu lugar e participar dos símbolos (o pão e o vinho) em memória do Senhor.

Nos reunimos aos domingos, o primeiro dia da semana, ou dia do Senhor, para a celebração. Sentamo‑nos no salão de reuniões, tendo uma mesa ao centro onde se encontram o pão (um só pão ‑ 1 Co 10.17) e o cálice de vinho. Há liberdade do Espírito Santo (2 Co 3.17), e logo algum irmão sugere um hino, em seguida outro faz uma oração, outro traz algum versículo ou uma oração de gratidão, etc.

É evidente que não há uma ordem específica ou pré‑determinada para as coisas acontecerem, pois Espírito Santo é Quem dirige tudo. Há, porém, um horário para começar e terminar (este aproximado por razões óbvias) que é previamente estabelecido (ou "ligado") pelos irmãos, sendo aceito pelo próprio Senhor e ligado no céu (Mt 18.18).

Então algum irmão, que sentir isto em seu coração, se levanta e, dirigindo‑se à mesa, dá graças pelo pão e, partindo‑o, dá‑o aos irmãos que vão passando de mão em mão, tirando um pedaço e passando adiante até que todos os que participam da Ceia tenham comido. Então o irmão dá graças pelo vinho e passa o cálice, o qual, da mesma maneira, passa por todos que dele bebem.

Aqui em Limeira costumamos fazer uma coleta no mesmo dia, tendo os irmãos separado em casa o dinheiro, quando um saco de pano passa de mão em mão (somente para os que estão à mesa, ou seja, os que participam da Ceia). O dinheiro assim coletado é utilizado para as necessidades dos santos e para a obra do Senhor.

A Ceia é terminada com mais alguns hinos e orações, e, eventualmente, por algum irmão trazendo uma palavra conectada com o tema da morte de Cristo. Mas isto não é necessário, uma vez que a Ceia não é exatamente uma reunião para ministério da Palavra, e sim para louvor e adoração. Tudo é feito na mais perfeita ordem.

Você perguntou se existe um dirigente. Na verdade existe um dirigente, mas este é o Espírito Santo. E existe um motivo para estarmos juntos, o qual é o Senhor. É tudo muito simples quando nos sujeitamos ao Senhor e à Sua Palavra. Os homens nos dirão que é impossível, mas o Senhor tem demonstrado o contrário.

Respondendo à sua pergunta sobre o vinho, é vinho mesmo. Não havia vinho "não alcoólico" na época, pois a única maneira de se guardar o suco de uva é pela pasteurização ou então pela fermentação. Como Pasteur ainda não havia nascido, o processo era da fermentação. Seria muita ingenuidade acreditarmos que onde fala vinho devemos ler suco de uvas, pois se fosse assim, teríamos que ler Efésios 5.18 "não vos embriagueis com o suco de uva", o que não faz sentido.

Quando o Senhor fala vinho, é vinho mesmo. Evidentemente de uma qualidade diferente ou mesmo com um diferente teor alcoólico do vinho que conhecemos, e isto se deve à qualidade da uva e ao processo empregado na época para a fermentação. Mas mesmo que fosse tudo diferente, ainda assim a fermentação do açúcar contido na uva (seja ela qual for) produz alcool.

O vinho era fermentado em odres, recipientes formados por pele de animais com seus orifícios fechados. A pele era enchida com o suco de uva e deixado a fermentar. Com a fermentação, e a consequente produção de gás, a pele se dilatava aumentando de tamanho, dando a entender que o suco já havia fermentado. A pele só podia ser utilizada uma vez para fermentar o vinho pois perdia sua elasticidade. Esta é a razão do Senhor dizer que vinho novo devia ser colocado em odres novos, caso contrário o odre se romperia.

Quanto ao pão, não vejo necessidade de ser sem fermento. O fermento é um tipo do pecado. Porém o versículo em 1 Co 5.8 não está se referindo ao tipo de pão utilizado na Ceia, mas ao estado das pessoas, sem o fermento da maldade, etc., mas celebrando com os "asmos" da sinceridade e da verdade. Quanto ao pão utilizado na Ceia, ele é uma figura do corpo de Cristo e creio que um pão fermentado faz o seu papel perfeitamente.

Precisamos nos lembrar de que o pão, à semelhança de Cristo, recebeu o fermento (símbolo do pecado) mas passou pelo fogo (símbolo do juízo). Não é a qualidade dos símbolos utilizados na Ceia que importa, mas o seu significado. Se o que está sobre a mesa é reconhecido pelos presentes como pão e vinho, está resolvido o problema: todos poderão olhar para os símbolos e lembrar do Senhor morto, o vinho separado do pão assim como na morte o sangue está separado do corpo.

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