As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como os dons se manifestam na igreja?



https://youtu.be/GNfiv2RrqTI

Você tem conhecimento de que Deus distribuiu dons aos membros da Igreja que é o Corpo de Cristo (1 Co 12.28), mas cada membro não possui TODOS os dons (1 Co 12.4,7‑11, 28,29) e no mesmo capítulo encontramos várias indicações de que os membros do Corpo de Cristo precisam uns dos outros. Os dons são utilizados pelo Espírito Santo na edificação do Corpo de Cristo, e de uma maneira especial quando os crentes se reúnem (Ef 4.11‑16; 1 Co 14.26‑40).

Quando os cristãos são congregados pelo Espírito Santo para o nome do Senhor Jesus, Ele se encontra no meio (Mt 18.20) e todos podem ser edificados e aprender pelo Espírito que habita na assembléia ou igreja (1 Co 14.3,12,25). Aí então há crescimento no conhecimento da Palavra de Deus pois o Espírito usa quem Lhe apraz para ensinar, exortar ou consolar, a fim de que todos sejam edificados. Esta foi a ordem instituída em 1 Co 14.26‑40 para uma reunião de crentes no Senhor Jesus Cristo, ordem esta dada como mandamento do Senhor (1 Co 14.37).

Mas o que vemos em nossos dias? Se entramos em uma reunião de crentes, dificilmente iremos encontrar liberdade para o Espírito Santo agir (2 Co 3:17) pois a cristandade adotou o sistema romano ao colocar um homem à frente da congregação para dirigir a reunião. Em 1 Co 14.26‑40 encontramos os procedimentos para uma típica reunião da assembléia, e ali não encontramos homem algum a dirigir, mas o Espírito usando quem Ele deseja. Mas hoje vemos homens tomando o lugar do Espírito Santo e dando ordens tais como quem deve orar, quem deve cantar um louvor, quem deve ler as Escrituras, quem deve explicá‑las, etc. E geralmente é este mesmo homem que tem sobre si o encargo de dia após dia ministrar para aquela congregação.

Em outros lugares, onde dizem existir liberdade do Espírito, encontramos, isto sim, liberdade para a carne se expressar em manifestações que lembram mais uma histeria coletiva, sem ordem alguma e servindo de escândalo até mesmo para incrédulos (1 Co 14.23,40; 10.32).

Como seria uma congregação reunida nos moldes de 1 Co 14.26‑40? Óbviamente haveria um grupo de pessoas com diversos dons, que seriam usadas pelo Espírito, sem que fosse elaborado antecipadamente qualquer programa. O mesmo Espírito, conhecedor das necessidades daquela assembléia, iria levantar o servo com o dom mais apropriado para aquele momento, preparando também o coração dos demais irmãos para receber a Palavra. Este, então, iria trazer aquilo que o Espírito lhe colocasse no coração, sempre de acordo com as Escrituras e sendo julgado pelos demais (1 Co 14.29). Se fosse necessário uma palavra de doutrina, o Espírito levantaria um com o dom de ensinar; caso fosse preciso uma palavra de consolo ou exortação, Ele levantaria o dom respectivo.

Mas hoje vemos todo esse encargo sendo colocado sobre um só homem, que é incumbido de ensinar, exortar, consolar, pastorear, etc., mesmo que não possua todos os dons, o que certamente acontece. Assim, se aquela assembléia possui um dirigente cujo dom é ensinar, ficarão a receber doutrina dia após dia sem nenhuma palavra de consolo. Em breve se tornará uma assembléia fria e com grandes possibilidades de se ensoberbecer devido à bagagem doutrinária que recebe (1 Co 8.1). Por outro lado, se o dirigente tiver o dom de pastor, nunca haverá um embasamento doutrinário pois todos estarão a receber continuamente cuidado, proteção, consolo, etc, que parecem ser atributos mais condizentes com este dom.

Pode ainda acontecer o caso do dirigente ter o dom de um evangelista e neste caso ele nem deveria estar dirigindo continuamente a Palavra a uma assembléia de salvos, mas deveria estar fora, buscando os perdidos. Tal assembléia não seria edificada em doutrina e seu conhecimento da Palavra não iria além do evangelho. Este é o caso mais comum pois encontramos milhares de congregações com dirigentes cujo ministério não vai além de pregar o evangelho e convidar os incrédulos presentes a se converterem. É claro que o evangelho deve ser pregado, e mesmo os salvos devem ouví‑lo, recebendo a mais bela de todas as mensagens, que expressa a extensão do amor de Deus.

Mas o ponto que desejo frisar é que uma congregação de salvos por Cristo tem muito mais a receber do que o leite. Há deliciosos manjares dados por Deus para que os crentes possam estar "cheios do conhecimento da Sua vontade" (Cl 1.9‑12) e cheguem ao "pleno conhecimento da verdade" (2 Tm 3.7; 1 Tm 2.4). Deus deseja que tomemos mais do que o leite (Hb 5.11‑14), porém em 1 Co 3.1‑4 o apóstolo Paulo dizia não poder dar algo além do leite, pois eles estavam se mostrando carnais ao expressarem um sentimento sectário. Era necessário que reconhecessem que não devia haver divisões na igreja (1 Co 12.25); que não estivessem separados por nomes (1 Co 1.10‑13): que reconhecessem a existência de um só Corpo, do qual todos os crentes são membros (1 Co 10.16,17); que se reunissem com liberdade para serem dirigidos pelo Espírito para edificação, exortação e consolação (1 Co 14.3); sem um dirigente humano ou alguém que exercesse a primazia (1 Co 14.31; 3 Jo 9).

Como se pode ver, poucos há que aceitam se sujeitar, coletivamente como assembléia, à direção do Espírito, e são por isso privados de conhecer mais da Palavra de Deus através dos dons que Ele colocou na igreja. Você poderá aprender das Escrituras pois o Espírito Santo habita em você, se realmente crê em Jesus Cristo como o seu Salvador. Porém, de uma forma coletiva, como uma assembléia, você dificilmente será plenamente edificado se onde você se congrega não estiver sendo expressada, na prática, a verdade de que há um só Corpo de Cristo e que TODOS os crentes fazem parte da igreja. Qualquer "igreja" da qual não façam parte TODOS os crentes é uma seita e está negando a verdade de que há um só Corpo. Além disso, haverá pouco aprendizado da Palavra de Deus e, consequentemente, pouco crescimento, se houver uma pessoa dirigindo as reuniões, tolhendo assim a liberdade que deve ser somente do Espírito Santo.

Um terceiro impedimento ao conhecimento será a existência de uma linha doutrinária previamente estabelecida, que não possa ser questionada nem mesmo pela própria Palavra de Deus (Mt 15.6). E não podemos deixar de acrescentar que se houver um nome identificando a "igreja" onde se reúne, de modo a torná‑la distinta do Corpo de Cristo, isto será, na verdade, a expressão prática da negação de que há um só Corpo e de que todos os crentes são UM, além de considerar o nome do Senhor Jesus Cristo como insuficiente para identificar um crente.

Ao homem natural é impossível entender ou aceitar tal coisa pois a mente humana é propensa a pensar que deve sempre haver alguém para dirigir, organizar, enfim, alguém que seja visível, como acontece em todo grupamento humano (1 Co 2.14). Da mesma forma os israelitas pediam um rei como tinham todas as nações ao redor, rejeitando assim a suficiência do Senhor dos Exércitos (1 Sm 10.17‑19). Mas o homem espiritual tem a mente de Cristo e deve se deixar guiar por Ele que é suficiente em todas as coisas. A sabedoria de Deus, também no que diz respeito à reunião dos crentes, não pode ser compreendida naturalmente.

"Essa vereda a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela" (Jó 28.7,8).

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