As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que significa o Batismo?

Quando falamos sobre batismo, é importante entender alguns aspectos. Existem três esferas às quais pode pertencer uma pessoa. Em Efésios 4.4‑6 vemos:

Um círculo grande que abrange toda a humanidade, para a qual há um só Deus e Pai (Pai no sentido de Criador), incluindo todos os homens.

Um círculo menor, (um Senhor, uma fé, um batismo), a esfera à qual pertencem todos os que são batizados com um batismo cristão, ou seja, passam a levar sobre si o nome de Cristo, reconhecendo‑O como autoridade (Senhor), mesmo sem se sujeitarem a Ele, e incluídos numa só fé, no sentido de crença na existência de Jesus. Este círculo inclui toda a cristandade, tanto os falsos como os verdadeiros.

Um círculo menor ainda (um corpo, um Espírito e uma esperança), a esfera à qual pertencem os salvos, verdadeiros crentes em Jesus. O batismo introduz a pessoa no segundo círculo.

Tendo isto em mente, vamos encontrar nas Escrituras diferentes tipos de batismo:

Batismo a Moisés (1 Co 10.2). Independente de sexo ou idade, TODOS os que saíram do Egito foram batizados em Moisés. A maioria não alcançou Canaã. Muitos eram incrédulos (Hb 3.19) e não aproveitaram a palavra ouvida por não ter sido acompanhada de fé (Hb 4.2).

Batismos judaicos (Hb 9.10; Mc 7.3,4; Hb 6.2), também chamados abluções.

Batismo de João, para arrependimento (Mt 3.11) e perdão (Mc 1.4; Lc 3.3). Atos 19.3‑5 demonstra que não se tratava de um batismo cristão.

Batismo Cristão: Aqui entra o assunto do círculo cristão, onde é introduzido o batizado, e que inclui o falso e o verdadeiro.

O batismo não regenera e nem pode salvar a alma. Tampouco tem ligação com João 3.5 que trata do novo nascimento. Ninguém é regenerado pelo batismo e você poderá perceber que a regeneração de uma alma só acontece por meio da Palavra de Deus e pelo poder do Espírito Santo dando nova vida, novo nascimento ou nova natureza para o ser (Êx 40.12; Lv 8.6; Ez 36.25‑27; Zc 13.1; Jo 13.10; 15.3; 1 Co 4.15; 6.11; Ef 5.16; Hb 10.22; Tg 1.18; 1 Pd 1.23).

O batismo efetua uma mudança de posição: o batizado passa a identificar‑se com o nome de Jesus Cristo, entrando para o círculo reconhecido em toda a humanidade com cristão. Esta identificação com Cristo é exterior "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo" (Gl 3.27). "Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gl 3.26 esta sim é a identificação da alma, interior, a qual é pela fé. (Leia também João 1.12 e 1 João 3.1).

O batismo transforma a pessoa num discípulo, embora um discípulo possa ser falso (Jo 6.60‑66)
O batismo identifica a pessoa com a semelhança da morte de Cristo. (Rm 6.3,4) A pessoa passa para uma posição não somente de morta, mas de sepultada.

O batismo salva como figura (1 Pd. 3.21). Quando se fala de salvação em conexão com o sangue de Cristo, fala‑se de salvação eterna, com a alma passando a ter um lugar diante do trono de Deus. Mas quando diz‑se que o batismo salva em figura, é em conexão com o seu significado, ou seja, morte. O contexto fala de Noé e sua família tendo sido salvos pela água. A água foi um castigo de Deus; um juízo. A água foi morte para todos os que estavam fora da arca, que permaneceu acima das águas do juízo. Noé e os seus foram salvos por meio de um juízo e se encontraram em uma nova posição, ainda nesta terra. Mas nada fala a respeito de suas almas.

Assim também com o batismo cristão: uma identificação com a morte e sepultura de Cristo, que foi ocasionada pelo juízo de Deus caindo sobre Ele, nos colocando em uma nova posição neste mundo, ou seja, levando sobre nós o nome de Cristo. Mas nossas almas só podem ser salvas se crermos em Cristo como Salvador, e pelo mérito do Seu sangue remidor. Por isso, o que crê e for batizado será salvo, mas o que não crer será condenado. Não diz "o que não crer e não for batizado", mas apenas o que não crer será condenado.

Resumindo,
  1. O batismo a Moises identificava o povo com ele (1 Co 10.2). O fato de ter sido um batismo de toda uma nação, enquanto o nosso é individual, não altera a verdade de que o batismo, de um modo geral, identifica o batizado com aquilo ou aquele a que ou a quem se é batizado.
  2. O batismo de João era um batismo de arrependimento para perdão de pecados (Mt 3.11; Mc 1.4; Lc 3.3; At 13.24) e tinha em vista uma vida conforme os preceitos ditados por João (Lc 3.10‑14), bem como uma esperança Naquele que havia de vir. (Jo 1.31; At. 19.4).
  3. O batismo coloca sobre a pessoa um "distintivo" de que agora ela professa a fé cristã (Gl 3.27) no sentido de se unir àqueles que são identificados como cristãos, sem levar em conta a genuinidade da conversão. Uma pessoa pode se vestir como um soldado, mas isto não faz dela um soldado.
  4. O batismo muda o terreno sobre o qual a pessoa se encontra (At 2.37‑41; 22.16; Rm 6.3,4; Cl 2.12).
  5. O batismo inicia a pessoa no discipulado, também sem levar em conta se é ou não verdadeiro discípulo (Jo 4.1,2; Mt 28.19; Gl 3.27; 1 Co 10.1; 1 Co 1.13).
  6. O batismo significa se colocar em um lugar de morte, à semelhança da morte de Cristo (Rm 6.3,4; Cl 2.12).
  7. O batismo significa ser sepultado (Rm 6.3,4; Cl 2.12) O primeiro homem e sua posição tem que ser eliminados de diante de Deus.
  8. O batismo, com os benefícios que o acompanham, salva no sentido temporal, externo, em relação com a esfera de profissão cristã sobre o mundo. Era deste modo que os judeus recebiam um perdão administrativo (At 2.38; 22.16; 1 Pd 3.21); em Mc 16.16 vemos uma aplicação geral desta verdade.

Este é um assunto extenso e poderia escrever mais outros aspectos, mas creio que isto é suficiente para um esclarecimento. NUNCA devemos pensar no efeito do batismo como sendo semelhante ao da morte de Cristo na cruz. A tremenda obra do Filho de Deus, morrendo no lugar do pecador, não pode ser comparada a qualquer ritual.

Dizer que uma pessoa não batizada está perdida, mesmo que creia no Senhor Jesus como Salvador, é o mesmo que dizer que a obra na cruz não foi completa; que é necessário uma celebração humana para que a mesma tenha pleno efeito. Que possamos olhar reverentemente para o valor inestimável do sacrifício de Cristo na cruz, o ÚNICO meio de sermos salvos.

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