As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Posso chegar ao conhecimento de Deus estudando filosofia?



https://youtu.be/x16_ODKey4o

Não, pois seria como acreditar que pé de coelho dá sorte. O coelho que tinha quatro pés morreu assim mesmo. Explico: a filosofia que hoje é ensinada no Ocidente nasceu entre os gregos, e a Grécia é considerada o seu berço. Se os próprios gregos, pais da filosofia, admitiam não conhecer o Deus Criador, você não irá conhecendo estudando o pensamento dos filósofos, do mesmo modo como não terá sorte comprando um chaveiro com um pé do azarado coelho.

Pode coincidir de você estar fazendo um curso de filosofia e, ao ler a Palavra de Deus, conhecer a Verdade, mas pode ter certeza de que não foi a filosofia que levou você até lá. O conhecimento de Deus vem por revelação através do poder que existe em sua Palavra, portanto filósofos não conhecem a Deus só por conhecerem filosofia. Se um filósofo ler a Bíblia com os óculos da sabedoria humana que recebeu na academia será apenas mais um conhecimento como outro qualquer dos homens no seu estado natural. Paulo, ao escrever aos Coríntios, deixou claro que não foi a eles com a bagagem de sabedoria que tinha por ser um homem ilustre:

"A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória." (1 Co 2:4-7).

Depois ele explica que para entender os pensamentos de Deus é preciso ter outra mentalidade, a mesma de Cristo: "O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." (1 Co 2:14-16). 

Se a filosofia fosse o caminho para se chegar ao conhecimento de Deus os atenienses não teriam um pedestal com os dizeres “AO DEUS DESCONHECIDO” e Paulo não teria procurado levá-los a conhecer esse Deus. A cultura grega foi uma das mais importantes da antiguidade, e até hoje tem influência sobre a nossa sociedade, mas o conhecimento que você pode adquirir com o pensamento filosófico grego não vai além do nível do chão. Para conhecer as coisas eternas e do céu é preciso receber o conhecimento que vem de lá.

Em Atos 17:1 lemos que Paulo e Silas, “passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras, expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo. E alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais”.

Estes gregos religiosos eram prosélitos, ou seja, gregos convertidos ao judaísmo que frequentavam a sinagoga. Esta era uma das classes de pessoas às quais Paulo e Silas pregaram o evangelho no início deste capítulo 17 de Atos, gregos que já tinham tido contato com a Palavra de Deus por intermédio dos judeus. Então quando Paulo e Silas falavam de Deus seus ouvintes judeus e prosélitos sabiam de quem estavam falando. Se falassem do Messias eles também sabiam de quem se tratava, pois tinham sido instruídos no ensino do judaísmo, pela lei de Moisés e pelos escritos dos profetas.

Para Paulo e Silas apresentar o evangelho da graça a eles era como pegá-los no meio do caminho e, partir daí, lhes falar de Jesus, “de que convinha que Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos” (At 17:3). Como aprendemos de outra passagem das escrituras, Paulo certamente usava o Antigo Testamento para mostrar que as profecias se cumpriam em Jesus Cristo, e em sua morte podiam ver o Cordeiro prometido sendo sacrificado por nossos pecados e ressuscitando para nossa justificação. "E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo. E alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos [prosélitos], e não poucas mulheres principais [da alta sociedade]." (At 17:3-4).

O sacrifício de um cordeiro inocente morrendo pelo pecador culpado era um conceito conhecido no judaísmo. Toda a cultura judaica estava relacionada a isso e os judeus, desde a mais tenra idade, cresciam habituados ao sacrifício de animais. Outros elementos da fé cristã também já estavam incluídos no judaísmo, e é isso que o autor de Hebreus chama de “os rudimentos da doutrina de Cristo”, e continua dizendo que não será preciso voltar a falar disso em sua carta, “não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.” (Hb 6:1-2).

Mas quando chegamos ao versículo 16 do mesmo capítulo 17 de Atos, encontramos Paulo em Atenas, uma grande cidade, que tinha o nome de uma deusa grega adorada por todos ali.“E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria. De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam. E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição”.

Em 1 Coríntios 23 Paulo escreve: “Pregamos a Cristo crucificado que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos”. Portanto não espere encontrar o evangelho da graça de Deus na filosofia dos gregos que consideram loucura a mensagem da cruz. A passagem em que Paulo disputava com os epicureus é conhecida como “O Discurso da Colina de Marte”, o lugar onde ele iria pregar para eles do versículo 19 em diante. Havia então os epicureus e os estoicos, duas classes de filósofos que compunham a nata do conhecimento grego da época.

Os epicureus acreditavam que tudo tinha surgido a partir da evolução da matéria que havia na terra. Eram idólatras, e sua vida era fundamentada e dirigida para o prazer sensorial. Eles viviam numa constante busca da felicidade, mas uma felicidade sem excessos que pudessem arruinar seu corpo e mente. Já os estoicos, também panteístas, acreditavam que a natureza e tudo o mais eram deuses. Estes tinham também uma noção da evolução.

Muitos pensam que foi Charles Darwin quem inventou a Teoria da Evolução, mas os povos antigos já acreditavam que as coisas foram surgindo por si mesmas, ou com ajuda de deuses. Em alguns casos acreditava-se que certos homens evoluíram tornando-se semideuses. Juntando essa salada de crenças, podemos concluir que os gregos acreditavam em semideuses, na evolução, e na busca da honra, prazer e felicidade nesta vida.

Como os próprios atenienses admitiam, eles não conheciam a Deus, o Criador, um Deus pessoal que ama, que sofre, que está acima de tudo e de todos, e que mantém todas as coisas e os seres humanos funcionando. Por isso a abordagem de Paulo em Atenas não é a mesma que usou para os gregos prosélitos de Atos 17:4 que já tinham uma base de conhecimento de Deus. Paulo pega um gancho no pedestal "AO DEUS DESCONHECIDO" e diz: "Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio” (At 17:23).

Aqueles que conheciam tudo da filosofia que hoje é ensinada em nossas universidades não conheciam a Deus, daí a inutilidade de se querer escutar um filósofo para se chegar ao conhecimento de Deus. Paulo começa a anunciar este Deus no versículo 26: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação”.

Ao contrário da pregação aos gregos prosélitos do início do capítulo, aqui Paulo precisa começar do zero, e por que ele tem de começar assim? Porque terá de dar este preâmbulo para que saibam quem é o Deus que desconhecem e entendam que são pecadores e herdaram isto de Adão. Mas você não vai aprender isso de um professor de filosofia, a menos que ele seja crente em Cristo.

Continuando no versículo 27, “para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração”. Paulo aí pega outro gancho na cultura grega. Como eles eram panteístas e acreditavam que tudo era deus, então Paulo vai buscar na filosofia grega, não o conhecimento de Deus, mas um exemplo em um poema escrito por volta de 600-700 AC por Epimênides em honra a Zeus, o deus pagão.

No versículo 29 ele fala: “Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens”. Ou seja, se somos criados por Deus como poderíamos achar que Deus fora criado pelas mãos do homem? E no versículo 30 ele vai dar o golpe final, para um povo que vivia para o prazer, para o intelecto, para as delícias da vida sem pensar no além. “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam”.

Para dizer a alguém que precisa se arrepender é preciso falar do pecado e do juízo. Aqueles atenienses deviam se arrepender de uma vida de hedonismo, daquela busca de prazeres em uma vida passageira neste mundo, e ficarem cientes de que um juízo divino pairava sobre os impenitentes. “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (At 17:31). Era como se Paulo gritasse para aqueles gregos embalados por sua vã filosofia: "Gente! Este mundo tem data de vencimento! Vem aí um juízo divino! Deus "com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; – e aqui é Cristo - e disso deu certeza a todos ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17:31).

Enquanto para os judeus e gregos prosélitos do início do capítulo havia uma base sobre a qual Paulo podia construir sua pregação, e muitos se converteram, para estes ele não fala da morte de Jesus, mas do arrependimento que deve vir antes do juízo. O tríplice resultado desta pregação foi que alguns escarneceram, outros postergaram qualquer decisão, e alguns poucos creram. Atos 17:32 diz: “E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez. E assim Paulo saiu do meio deles. Todavia, chegando alguns homens a ele, creram; entre os quais foi Dionísio, areopagita, uma mulher por nome Damaris, e com eles outros.”

Quero lhe perguntar, em que classe você está? Hoje, vivendo no ocidente dito cristianizado, a maioria olha para Deus como um ídolo, aquele que vai me dar saúde, prosperidade e uma vida boa na tera. Isso não é diferente de paganismo, que buscam em seus deuses saúde, prosperidades, felicidade etc. De vez em quando fazem sacrifícios, dão algumas prendas ao seus deuses para poderem viver felizes. Alguns, como nas religiões afro brasileira, fazem sacrifícios para deixar os demônios quietinhos a fim de não os atormentarem. Isto é paganismo e também paganismo cristão.

O verdadeiro cristianismo é: Cristo veio ao mundo para morrer, derramar seu sangue, para levar sobre si os nossos pecados e pagar o preço devido para nossa salvação. Uma pessoa que crê em Jesus como seu Salvador tem agora a salvação eterna garantida. Se você buscar nas religiões cristãs, principalmente entre as pentecostais, a maioria vai dizer que você poderá perder esta salvação se você não for à igreja, se não der o dízimo, se não obedecer e perseverar até o fim, etc.

Mas a Bíblia garante algo que as versões cristianizadas do paganismo, e muito menos a filosofia, podem dar: Ninguém pode tirar um salvo das mãos do Pai. Nunca, jamais, de maneira alguma! Então, é muito importante entender que muito do cristianismo que se escuta por aí, nada mais é do que judaísmo de um lado, como aqueles a quem Paulo precisou pregar o evangelho, e do outro lado, filosofia pagã de uma vida sem consequências. De um lado uns vivendo aterrorizados segundo uma lei, achando que pela obediência à mesma serão salvos, e do outro lado, pessoas vivendo despreocupadamente para os seus prazeres e suas satisfações pessoais.

Nem um lado, nem outro. Para uns a palavra da cruz é loucura e para outros é escândalo, e nesta época de tantos milagreiros vale lembrar que a Verdade não estava nem entre os que buscavam a filosofia e o conhecimento humano, e nem entre os que buscavam sinais e milagres.

"Porque os judeus pedem sinal" — como também pedem milagres os que lotam os templos pentecostais — "e os gregos buscam sabedoria" — como buscam os filósofos em seus estudos nas universidades — "mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus — e os que buscam poder e milagres — "e loucura para os gregos" — que confiam na filosofia e na sabedoria humana. "Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (1 Co 1:22-25).

Portanto, lembre-se de que o cristão neste mundo não é como cantam os hinos motivacionais cristãos de nossos dias, sempre fazendo você achar que será feliz nesta vida, sem doenças e morte, com muito poder contra seus inimigos, muitas riquezas e sucesso na sociedade. Também não é como alguém estribado em sua inteligência e conhecimento filosófico. O cristão foi chamado para estar entre a escória do mundo, entre os mais fracos, entre os perdedores como foi o Senhor aqui.

"Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele." (1 Co 1:26-29).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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